PUBLICIDADE
IPCA
0,73 Dez.2021
Topo

Investimentos

Empresas perdem R$ 234,6 bi em valor na Bolsa; é hora de comprar ações?

Conteúdo exclusivo para assinantes

Fernando Barbosa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

03/11/2021 04h00

O avanço da inflação, o cenário político altamente instável, as indicações do governo de que não vai obedecer a regra do teto de gastos e a possibilidade de recessão em 2022 são sintomas que já impactam negativamente o mercado financeiro. Em outubro, as empresas brasileiras listadas no Ibovespa perderam R$ 234,6 bilhões em valor até o último dia 26, segundo levantamento da Economatica, plataforma de informações financeiras, feito a pedido do UOL.

Outro fator que mostra o agravamento do cenário são os dados do acumulado do ano. Se em janeiro as companhias brasileiras estavam avaliadas em R$ 4,948 trilhões, agora esse valor é de R$ 4,338 trilhões, um recuo de, aproximadamente, R$ 610 bilhões. Ou seja, 38,4% da depreciação registrada em 2021 se deu apenas no último mês. Para ajudar o investidor a encontrar oportunidades na Bolsa diante da crise e da maior atratividade de produtos de renda fixa, o UOL conversou com analistas de mercado. Veja o que eles disseram.

Quem ganhou e quem perdeu em outubro?

De acordo com a Economatica, considerando o preço dos papéis, a lista das empresas que mais ganharam valor de mercado em outubro tem Lojas Americanas, BB Seguridade, PetroRio, Energias BR, Cesp, Petrobras, Telefônica Brasil, Gerdau e Americanas.

Por outro lado, as baixas no último mês ficaram por conta de Méliuz, Azul, BRF, Gol, CVC, Light, Petz, Cyrela, Eztec e Locamerica.

Quais são as oportunidades na Bolsa?

Os analistas entendem que é um bom momento para as companhias consideradas defensivas, como as dos setores de exportação e energia e para as petrolíferas.

Para o responsável pela estratégia de renda variável da gestora AZ Quest, Welliam Wang, PetroRio e Petrobras são boas oportunidades. A vantagem para a primeira, na comparação com a segunda, é não ter o risco de possível ingerência pelo governo.

"A gente gosta da Petrobras pelo cenário de restrição de oferta [de petróleo no mundo]. Mas é um risco. Do ponto de vista social, não sei qual o limite para a população se o preço do barril continuar subindo", diz Wang.

O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) aponta que o agravamento da crise hídrica, que eleva o preço da energia elétrica, e os aumentos no preço do barril de petróleo resultaram na alta de 10,25% do IPCA nos últimos 12 meses até setembro.

No caso da PetroRio, a possibilidade de vencer as licitações dos campos petrolíferos de Albacora e Albacora Leste pode dar um novo gás à produção e aos preços das ações.

Wang aponta também a BB Seguridade, companhia de seguros do Banco do Brasil, como uma oportunidade, uma vez que a empresa se beneficia do aumento da taxa de juros.

A aquisição de papéis da elétrica Cesp também é avaliada como positiva pelo especialista. Além da alta no preço da energia devido à escassez hídrica, a empresa divulgou fato relevante em que dizia que o grupo Votorantim e o fundo canadense CPPIB, seus controladores, pretendem consolidar seus ativos de energia em uma nova companhia.

Na carteira de recomendações da Órama Investimentos aparecem CVC e Petz, mesmo com o cenário considerado mais adverso para o varejo e para o turismo.

"A gente vê um momento operacional para o varejo que é melhor do que o mercado está precificando neste momento", afirma Phil Soares, chefe de análise de ações da Órama.

Já a Gerdau pode se beneficiar da receita em dólar, aponta Enrico Cozzolino, analista da Levante Ideias Investimentos.

"A Gerdau vem surfando a alta da commodity (aço), com cerca de 20% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) nos Estados Unidos, onde há um pacote de infraestrutura do governo e a retomada econômica favorecendo a empresa", diz.

Setores para ter cautela

Os analistas acreditam que há alguns setores que o investidor deve olhar com atenção e cuidado antes de investir. É o caso justamente das companhias de turismo, das aéreas e das varejistas.

No caso de Azul e Gol, pode pesar contra as operações a pressão no preço dos combustíveis, afirma o especialista de mercado da Guide Investimentos, Rodrigo Crespi.

Por outro lado, existe uma demanda reprimida por viagens, e a retomada das atividades pode favorecer as empresas.

"Houve a volta dos voos para Orlando, na Flórida (EUA), algo benéfico para a Azul, o que acaba contra-balanceando a questão dos custos", diz.

Ele acredita que a CVC é vista como mais resiliente por conta da parte de hotelaria. E pode ser favorecida com eventos como a final da Copa Libertadores, marcada para novembro em Montevidéu, no Uruguai, e do Rock in Rio, confirmado para setembro de 2022.

Já varejistas como as Lojas Americanas devem ter mais dificuldades por conta da queda na renda dos brasileiros e pela inflação.

"O varejo sofreu muito mais do que a Bolsa. São ações de beta alto, ou seja, se a Bolsa cai, elas caem muito mais. Tem toda uma ligação do varejo com o cenário local", afirma Enrico Cozzolino, da Levante.

A maior competição entre as empresas do comércio eletrônico e a entrada de novas empresas no mercado brasileiro como Amazon e, mais recentemente, Shopee e Alibaba, também podem impactar tanto Lojas Americanas quanto o Magazine Luiza.

"Você não pode dizer que a Amazon veio aqui para brincar. Ela pode queimar alguns bilhões de dólares e não vai fazer a mínima diferença", afirma Wang, da AZ Quest.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

PUBLICIDADE

Investimentos