PUBLICIDADE
IPCA
1,25 Out.2021
Topo

Investimentos

Ações da GetNet caem 15% uma semana após estreia na Bolsa; vale investir?

Conteúdo exclusivo para assinantes

Paula Pacheco

Colaboração para o UOL, em São Paulo

28/10/2021 04h00

Com atuação no Brasil, México, Chile, Argentina e Uruguai, a GetNet fez sua estreia na B3 no último dia 18 de outubro. A chegada à Bolsa aconteceu após a conclusão do processo de cisão da empresa de meios de pagamento do Santander Brasil. Com o início das negociações, os investidores passaram a ter acesso a ações ordinárias (GETT3), preferenciais (GETT4) e units (GETT11), uma espécie de cesta de ações com papéis ordinários e preferenciais.

Logo no primeiro dia, as units da GetNet fecharam com uma alta de 63,57%, atingindo o valor de mercado de R$ 9,7 bilhões — acima dos R$ 7,1 bilhões da Cielo, a líder do setor, porém com uma cifra ainda inferior à Stone e PagSeguro, ambas negociadas nas Bolsas norte-americanas. Os papéis chegaram a subir acima de 200% no dia, apesar do desempenho negativo da B3.

Mas os papéis (GETT11) encerraram a primeira semana de negociação da B3 com uma queda de 15,52% — em parte, contaminados pela crise política que levou à debandada de parte da equipe econômica do ministro Paulo Guedes. Diante disso, a companhia é uma boa opção de investimento? Confira abaixo o que disseram os analistas ouvidos pelo UOL.

Oscilações são comuns em estreia, dizem analistas

No Brasil, a GetNet é a terceira maior empresa do mercado de meios de pagamento, atrás da Cielo e da Rede. A oscilação das ações e o volume negociado na estreia, acreditam alguns analistas de mercado, costumam ser comportamentos comuns entre as empresas que iniciam as negociações de seus papéis na Bolsa.

De uma forma geral, Rodrigo Lima, analista CNPI da plataforma de investimentos Stake, explica que a estreia da companhia foi positiva, mas lembra que o investidor precisa ter algumas cautelas.

"A GetNet vem ganhando market share [espaço no mercado], o que é bom, mas o mercado ainda tem uma certa ressalva pelo fato de a empresa estar atrelada a um grande banco, o que poderia impactar na agilidade que o setor requer", diz.

Lima cita ainda como possíveis dificuldades o aumento da concorrência com o avanço dos bancos digitais sobre os serviços das adquirentes, além da adesão rápida dos brasileiros ao Pix.

Relatório do BTG Pactual, divulgado em 18 de outubro e assinado pelos analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Thiago Paura, cita outro ponto de atenção.

"O objetivo da GetNet é de se tornar um balcão único no setor de pagamentos brasileiro, indo além de pagamentos 'apenas'. No entanto, listar GetNet separadamente do banco poderia naturalmente criar alguns conflitos de interesse", disseram os analistas em relatório.

Eles explicam que existe um acordo com o Santander Brasil para evitar este problema. O banco receberá um desconto sobre o volume total de pagamentos gerado por meio de seu canal, enquanto a GetNet será remunerada pelos clientes de venda cruzada para o Santander.

Empresa quer expansão internacional

Com a separação da GetNet, o objetivo do Santander é transformar a empresa de meios de pagamento em uma operação 100% autônoma. O passo seguinte seria criar uma marca global de adquirência sob a bandeira GetNet como parte da PagoNxt, plataforma global de meios de pagamento do Santander.

A estratégia de expansão internacional, de olho tanto nas oportunidades na América Latina quanto no continente europeu, na análise de Rodrigo Crespi, especialista de mercado da Guide Investimentos, é um dos atrativos dos papéis da GetNet. No entanto, ele faz algumas ressalvas.

O setor no qual a GetNet atua deve se tornar mais competitivo, com margens menores, além dos efeitos da concorrência trazida pelo Pix. Também pesa, segundo Crespi, o fato de apenas 10,07% das ações da adquirente estarem em livre circulação no mercado, já que o Santander Espanha detém, direta e indiretamente, os 89,93% restantes.

A favor da empresa, segundo Crespi, está o mix de produtos, como crédito e investimentos em seguros.

"Isso torna a empresa muito mais independente da receita exclusiva vinda de pagamentos. Mas suas margens deverão ser pressionadas pela competição", afirma o especialista da Guide Investimentos.

Vale a pena investir?

Neste momento, a recomendação do BTG Pactual para os papéis da GetNet é neutra, "apesar do grande potencial".

"A GetNet está bem posicionada para crescer no mercado e existem várias oportunidades para melhorar a rentabilidade. Mas considerando os potenciais conflitos de interesse com o Santander Brasil, o forte ambiente competitivo no setor, a alta dependência da GetNet do canal Santander e a baixa liquidez esperada das ações, nós decidimos começar com uma classificação neutra por enquanto."

Phil Soares, chefe de análise de ações na Órama, lembra que o preço da GetNet está um pouco mais caro que o da Cielo, porém bem mais barato que o da Stone e da PagSeguro, o que sinalizaria para um potencial de valorização. Mas ele destaca outro dado.

"A GetNet não é vista como uma empresa de alta tecnologia. Dessa forma, o mercado não paga um múltiplo [relação entre o preço das ações e sua lucratividade] alto. Nos múltiplos atuais, o investimento não é atrativo, por isso não recomendamos a compra das ações", diz.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

PUBLICIDADE

Investimentos