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Não invista em ações antes de conhecer estas questões sobre a Bolsa

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Fernando Barbosa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

10/11/2021 04h00

As ações em Bolsa oferecem diversas oportunidades para você ganhar dinheiro. É preciso entender, porém, algumas questões básicas antes de entrar no mercado, para não se apavorar e perder seu capital. Como seu perfil e emoções afetam isso? Por que uma empresa está na Bolsa? O que faz os preços das ações subirem e descerem?

Para sanar essas e outras questões dos investidores, o Guia do Investidor UOL, série de eventos quinzenais e gratuitos do UOL, para quem quer aprender a cuidar do próprio dinheiro e ter maior independência financeira, recebeu a fundadora e presidente da Atom S.A, Carol Paiffer, 33, e o chefe de Equity Research e Economia do PagBank, Marcio Loréga, 37. Confira a seguir o que dizem os dois especialistas.

A Bolsa é uma opção para todos os perfis?

Com mais de 16 anos de experiência no setor de investimentos, Carol Paiffer acredita que sim. No entanto, ela ressalta a necessidade de entender o funcionamento do mercado antes de optar por um investimento em determinada empresa.

"A primeira coisa que traz medo é a falta de conhecimento. Então, quando não tem conhecimento sobre alguma coisa, você acaba tendo medo daquilo", afirmou.

Para Carol, no Brasil, outro fator que afasta os investidores do Ibovespa é o alto patamar histórico da taxa básica de juros. Para uma rápida comparação, hoje em 7,75% ao ano, a Selic superou a casa dos 20% ao ano no começo de 2003 e estava em 14,25% em outubro de 2016.

"A gente carrega uma cultura que não colabora com o investidor de renda variável", disse.

Por que as empresas listam suas ações na Bolsa?

Com passagens por Santander, Bradesco e Ativa Investimentos, antes do PagBank, Loréga explica que essa é a forma mais prática que as companhias têm para captar recursos.

Para isso, precisam apresentar um plano de crescimento de curto, médio e longo prazos e demonstrações financeiras que possam balizar as ambições. É importante também avaliar o grau de importância das políticas ESG (ambiental, social e de governança) para os negócios.

"Tudo isso é feito para que as empresas possam se lançar no mercado e sejam avaliadas por algumas instituições financeiras que vão medir o valor mediante a todas essas análises", falou.

Loréga diz ainda que os investimentos que entram para o caixa podem ter diferentes objetivos, como a aquisição de outras companhias para complementar o portfólio, o investimento em marketing com o objetivo de expandir a base de clientes ou ter uma melhor situação no fluxo de caixa.

Algum tipo de investidor deve manter distância da Bolsa?

Carol entende que não. Mas lembra que há diferentes objetivos com a compra de papéis de companhias listadas. O primeiro é o day trade, com a compra e venda de ações no mesmo dia.

Em seguida, aparece o swing trade, que é quando surgem distorções de valores bruscas em decorrência de algum evento específico, como no início da pandemia. "Você tem uma boa oportunidade para aproveitar essas distorções de preços."

Já o position trade é quando o investidor compra as ações, com o pensamento de longo prazo, na expectativa de valorização das empresas e de ganhos de dividendos distribuídos ao longo do ano. "Todo mundo deveria ter esse investimento pensando na aposentadoria ou na faculdade dos filhos", declarou.

Quais fatores influenciam nas alterações de preços?

Loréga diz que as premissas básicas que afetam os mercados são a euforia, a depressão e a antecipação das informações.

"Se existe a propensão de uma notícia impactar, o mercado já vai "precificar" (incorporar) isso. E aí, essa questão de euforia e depressão fica mais evidente, porque a gente já vê distorções no preço", afirmou.

Para ficar mais claro, o analista lembra do pânico nos mercados com a evidência de crise por causa da paralisação das atividades, no início do isolamento social. Em março de 2020, a Bolsa brasileira esteve na casa dos 62 mil pontos. Atualmente está acima dos 105 mil pontos.

Por outro lado, ele orienta que investidores estejam atentos não só ao ambiente interno como aos fatores externos que podem alterar os resultados das empresas.

Há diferenças entre investimento em renda fixa e na Bolsa?

A diferença é o tipo de risco que o investidor está disposto a tomar. Enquanto a renda fixa funciona como uma forma de empréstimo a bancos públicos ou privados com a promessa de pagamento de juros, os especialistas reiteram que no mercado de ações o investidor passa a ser uma espécie de sócio de determinada companhia, com a parte correspondente à quantidade de ações.

Outro aspecto que muda entre a ação e o título de renda fixa é o recebimento.

"Você pode ter inúmeros motivos para comprar uma ação, como os dividendos, que são pagos de forma trimestral, semestral ou anual, dependendo da empresa", disse Loréga.

Na renda fixa, a realidade já é outra. "É importante saber qual o vencimento desses títulos, até quando eu tenho aquela rentabilidade e se eu vou escolher um título prefixado ou pós-fixado", explicou o chefe de Equity Research e Economia do PagBank.

Existe a hora certa para entrar no mercado de ações?

Carol Paiffer, da Atom, diz que o melhor momento é comprar os papéis quando eles estão depreciados, ou seja, quando estão abaixo do valor de mercado.

Um erro clássico, segundo ela, é comprar as ações na alta. "É aquela sensação de estar perdendo a festa. Quando você entra em um momento em que já houve valorização, aparece uma notícia negativa, e as ações caem rápido, então, o risco é muito maior", afirmou.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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