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'Comecei a investir na pandemia e comprei minha casa própria'

Lúcia Furlan é economista, mas nunca poupou até a pandemia, fase em que começou a investir - Acervo pessoal
Lúcia Furlan é economista, mas nunca poupou até a pandemia, fase em que começou a investir Imagem: Acervo pessoal
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Fernando Barbosa

Colaboração para o UOL, de São Paulo

15/02/2022 04h00

Dona de uma agência de relações públicas e formada em economia, Lúcia Furlan, 55, diz que não acreditava muito no retorno que investimentos podiam oferecer. Parecia algo longe para ela. Até que na pandemia começou a investir e, com isso, conquistou a tão sonhada casa própria.

A casa própria é o sonho de muitos brasileiros e pode estar mais perto de se tornar realidade com investimentos, segundo especialistas ouvidos pelo UOL. Para ajudar quem busca comprar um imóvel, confira abaixo possíveis estratégias.

"Passei a ver aquilo rendendo diariamente"

Lúcia mantinha uma prática que aprendeu durante a infância: primeiro assumia novos compromissos financeiros, depois trabalhava para liquidar a dívida. Por mais que tenha se graduado em economia, ela diz que nunca teve o hábito de poupar. Essa prática durou por anos e anos, até o início da pandemia de covid-19, em 2020. "Era uma forma de ter um incentivo para pagar", declara.

Quando veio o período de isolamento para evitar maiores níveis de contágios da doença, todos os seus colaboradores da agência passaram a fazer home office. Lúcia logo percebeu que o gasto do aluguel do escritório era desnecessário e devolveu o imóvel.

Pegou a quantia que antes era destinada ao aluguel da empresa e à gasolina do carro para locomoção até o trabalho, e começou a investir por incentivo do filho. Também vendeu o carro e aplicou o dinheiro.

Todo o valor foi investido em um banco digital que prometeu rentabilidade de 100% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário; ou seja, um título emitido para que bancos façam empréstimos entre si a uma taxa que acompanha de perto a taxa básica de juros —a Selic). A economista passou a ter lucros acima da poupança.

Eu não acreditava muito, sempre fui mais cética em relação aos investimentos. Mas comecei a guardar todo o dinheiro que usava para o aluguel e passei a ver aquilo rendendo diariamente.
Lúcia Furlan, 55, economista que conquistou a casa própria ao investir

Pagamento à vista

Com o tempo, ela buscou a ajuda de um assessor de investimentos e migrou de instituição. Começou a fazer investir em títulos públicos pelo Tesouro Direto. Mesmo com o potencial maior de ganho na renda variável, ela seguiu o seu perfil de risco, considerado conservador.

"A renda fixa é onde eu me sinto mais confortável. Qualquer outra aplicação eu não me sentiria tão bem", afirma Lúcia.

Durante um ano, a economista guardou o dinheiro como se fosse um compromisso financeiro assumido. Depois, resolveu vender o apartamento onde morava e adquirir um novo. Para isso, inteirou a venda com os rendimentos dos investimentos e conseguiu comprar um novo imóvel —algo que, até então, parecia um sonho muito distante.

Na compra do apartamento, o investimento na renda fixa mais a rentabilidade representaram 50% (metade) do valor total. Ela conta ter obtido um desconto de cerca de 20% na aquisição, porque fez uma oferta para fechar o negócio à vista.

"Eles pediram um valor e eu fui negociar. Fiz uma proposta ousada, porque o valor do apartamento era maior do que o que eu tinha. Pela forma de pagamento [à vista], eles aceitaram", diz ela.

Disciplina é fundamental

Para Mayra Lima, assessora de investimentos da Guide Investimentos, para cumprir à risca a meta de adquirir a casa própria é preciso incluí-la no hábito do dia a dia e evitar boicotes. "Um jeito de buscar a poupança desse valor [para pagamento à vista] é encarar como um valor a ser pago, como uma responsabilidade", afirma.

Segundo Gustavo Raposo, CEO da fintech de bem-estar financeiro Leve, para a compra de um bem de alto valor, como um imóvel, é preciso pensar no médio e longo prazo. Assim, vale dividir o objetivo em pequenas conquistas para manter o hábito de poupar no dia a dia.

"Uma boa dica é definir o valor que a pessoa precisa para a compra do imóvel e quando ela precisará. A partir disso, vale traçar as metas mensais e anuais de economia", declara.

Além disso, outra orientação é fixar o quanto a meta representa em relação à renda mensal daquela pessoa ou família. Assim, será possível entender se o objetivo pode ser alcançado em um cenário realista, segundo Raposo.

Mas Marcelo Milech, planejador financeiro pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar), diz que é necessário, em uma etapa anterior, colocar os gastos mensais em uma planilha e compreender a capacidade daquelas pessoas em economizar.

"Sabendo disso [quanto dá para economizar], é preciso que a família tenha uma reserva de emergência, que são os gastos suficientes entre seis meses a 12 meses das despesas mensais. A partir daí, começa a etapa de estabelecer uma poupança para pensar em investir ou na casa própria", diz Milech.

Renda fixa ou renda variável: qual a melhor opção?

Para Mayra, da Guide Investimentos, ao fazer a diversificação do patrimônio entre a renda fixa e a renda variável, o investidor pode diluir o risco ao máximo e elevar a rentabilidade. Para definir a escolha entre os diferentes tipos de produtos, ela aconselha observar o horizonte daquele investimento.

"O primordial é entender se a pessoa que está pensando em comprar essa casa tem um perfil que aceita tomar mais risco. E se tiver, ponderar o tempo, como três anos ou cinco anos [para resgate do dinheiro]", declara.

Para a especialista, três pontos devem ser considerados: o valor do imóvel, a capacidade limite para poupar e a taxa de retorno do investimento escolhido.

Para Raposo, da Leve, o mais recomendado para este tipo de objetivo são os produtos de renda fixa, como CDBs e o Tesouro Direto —em um momento como o atual, em que a taxa básica de juros está em 10,75% ao ano, esses ativos se tornam mais atrativos.

No entanto, se o prazo para a compra da casa própria for mais longo, como dez anos, a renda variável pode ser mais interessante. "É importante escolher investimentos atrelados à taxa de juros e à inflação, diversificando em [investimentos] pré e pós-fixados, e também ativos indexados ao IPCA, com vencimentos compatíveis com o prazo planejado para adquirir aquele bem", diz.

Ele indica poupar ao menos 20% da renda total para os investimentos.

Como calcular a poupança necessária?

De acordo com a planejadora financeira Eliane Habib Tiburski, o investidor precisa guardar pelo menos 20% do valor do imóvel —percentual exigido pelos bancos como valor de entrada.

Assim, ela descreve algumas situações:

Se a pessoa deseja comprar um apartamento no valor de R$ 1 milhão, é preciso guardar no mínimo R$ 200 mil. E, para guardar esses R$ 200 mil, a pessoa terá que poupar R$ 3.697 por mês durante quatro anos (48 meses).

Caso o valor total da casa própria seja de R$ 500 mil, é preciso poupar R$ 100 mil (20%). Para isso, pelos cálculos, é necessário guardar R$ 1.848 mil por mês durante os mesmos 48 meses.

Observação: as contas foram realizadas considerando remuneração mensal líquida do investimento de 0,5% ao mês —cerca de 6,17% ao ano líquido de Imposto de Renda, ou uma taxa nominal de 8,22% ao ano.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.