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BC sobe juros pela 8ª vez, para 10,75%, e Selic ultrapassa 10% após 5 anos

O Copom decidiu hoje de subir a taxa em 1,5 ponto percentual - Getty Images/iStockphoto
O Copom decidiu hoje de subir a taxa em 1,5 ponto percentual Imagem: Getty Images/iStockphoto

Isabella Cavalcante

Do UOL, em São Paulo

02/02/2022 18h41Atualizada em 02/02/2022 18h50

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu hoje, por unanimidade, subir a taxa básica de juros da economia (Selic) em 1,5 ponto percentual, de 9,25% para 10,75% ao ano — maior patamar desde maio de 2017 (11,25%). É também a primeira vez em cinco anos que a Selic alcança dois dígitos. O movimento já era esperado por economistas.

O atual ciclo de altas nos juros — 8,75 pontos percentuais em oito reuniões do Copom — é o maior desde março de 1999, época em que o Brasil passava por uma crise cambial e o BC subiu a Selic em 20 pontos percentuais, de 25% para 45% ao ano.

O Copom justificou a decisão se baseando no "ambiente menos favorável" do cenário externo, com a persistência da inflação podendo gerar ainda mais aperto monetário nos Estados Unidos e a nova onda de covid-19, causada pela altamente transmissível variante ômicron.

No âmbito nacional, o Copom teve uma surpresa negativa com a inflação ao consumidor, mas ressaltou que indicadores do quarto trimestre mostraram uma evolução um pouco melhor, especialmente no mercado de trabalho.

Em relação aos seus próximos passos, o Comitê antevê como mais adequada, neste momento, a redução do ritmo de ajuste da taxa básica de juros. Essa sinalização reflete o estágio do ciclo de aperto, cujos efeitos cumulativos se manifestarão ao longo do horizonte relevante

O comitê do BC prevê que os próximos passos da política monetária "poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas" e dependerão de como a atividade econômica no Brasil irá evoluir ao longo de 45 dias até a próxima reunião, levando em conta o balanço de riscos.

Oitava alta seguida

Foi a oitava reunião consecutiva em que o BC decidiu pela alta. Antes disso, os juros passaram sete meses — de agosto de 2020 a março de 2021 — no patamar mínimo histórico (2% ao ano), mesmo com preocupações sobre os efeitos da pandemia da covid-19 no Brasil e no mundo. Foram quatro reuniões do Copom sem alterações na Selic, até o primeiro aumento anunciado em março de 2021, para 2,75%.

Depois, vieram mais dois reajustes de 0,75 ponto percentual: o primeiro em maio, para 3,50% ao ano, e o segundo em junho, para 4,25% ao ano. Em agosto, a Selic subiu para 5,25% e, em setembro, para 6,25% ao ano — dois aumentos seguidos de 1 ponto percentual.

As duas últimas altas vieram em outubro (para 7,75% ao ano) e em dezembro (para 9,25%), ambas de 1,5 ponto percentual.

Selic nas últimas dez reuniões

  • 02 de fevereiro de 2022: 10,75% ao ano
  • 08 de dezembro de 2021: 9,25% ao ano
  • 27 de outubro de 2021: 7,75% ao ano
  • 22 de setembro de 2021: 6,25% ao ano
  • 4 de agosto de 2021: 5,25% ao ano
  • 16 de junho de 2021: 4,25% ao ano
  • 5 de maio de 2021: 3,5% ao ano
  • 17 de março de 2021: 2,75% ao ano
  • 20 de janeiro de 2021: 2% ao ano
  • 9 de dezembro de 2020: 2% ao ano

(Com Estadão Conteúdo)