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Com dólar em queda e próximo a R$ 5, vale a pena investir no exterior?

Profissionais de mercado dizem que queda do dólar é passageira e apontam estratégias de investimento neste cenário - Reprodução
Profissionais de mercado dizem que queda do dólar é passageira e apontam estratégias de investimento neste cenário Imagem: Reprodução
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João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

22/02/2022 04h00

Depois de subir 39% ante o real ao longo da pandemia de covid-19, saindo de R$ 4,01 (no fim de 2019) para R$ 5,576 (ao fim de 2021), o dólar tem caído no início deste ano, fechando em R$ 5,14 na última sexta-feira (18). Economistas dizem que o recuo da moeda americana pode seguir até o patamar dos R$ 5,00.

Nesse cenário, como fica o investidor que aplicou em dólar ou negócios que acompanham a moeda norte-americana, como fundos cambiais ou BDRs —recibos de ações de empresas estrangeiras? E para quem quer aplicar agora, vale investir no exterior? Confira abaixo o que disseram os especialistas ouvidos pelo UOL.

Cuidado com a volatilidade

Com o cenário de sobe e desce do dólar no radar, analistas recomendam que o pequeno investidor redobre os cuidados com apostas de curto prazo no mercado de câmbio.

Ano passado, por exemplo, o dólar atingiu um pico de R$ 5,80, em março, antes de bater a mínima de R$ 4,90 em junho —uma queda de 15,5%. Mas depois voltou a subir, indo até R$ 5,74 em dezembro, em uma valorização de 17,1%.

Ou seja, o aplicador pode ter ganhos com as oscilações que o dólar tende a apresentar ao longo deste ano, mas também pode perder dinheiro.

Onde investir?

Profissionais de mercado costumam repetir que as recomendações sobre investimentos sempre variam de pessoa para pessoa, porque as estratégias dependem dos objetivos e perfil de investidor de cada um.

Os especialistas destacam ainda que investir em dólar é diferente de comprar dólares. Há diversas aplicações no mercado que permitem ao brasileiro ter uma parte da carteira que acompanha a moeda americana, sem necessariamente ter posse das cédulas ou conta nessa moeda.

Quando falamos de investir em dólar normalmente estamos nos referindo ao investimento internacional, em ativos dolarizados, como ações de empresas estrangeiras, títulos de renda fixa global ou fundos internacionais.
Rachel de Sá, economista-chefe da Rico

Veja abaixo cenários traçados por especialistas e orientações para quem já tem aplicação em dólar ou para quem está pensando em entrar apenas agora.

Dólar como proteção: para quem aplicou em ativos atrelados ao dólar por causa de gastos em moeda estrangeira, como uma viagem internacional, a sugestão é a de manter a aplicação. Afinal, a finalidade não é ganhar, mas sim evitar perdas com as oscilações do câmbio.

Dólar como especulação: apostar no dólar em busca de ganhos rápidos é um movimento arriscado, uma estratégia que os analistas entrevistados não recomendam para o pequeno investidor. Além disso, a decisão de vender ou não a posição vai depender do momento em que a pessoa entrou na aplicação.

Dólar como diversificação: já quem aplicou em investimentos que seguem o dólar com objetivo de ter uma parte do patrimônio em moeda estrangeira e, assim, diversificar a carteira, a recomendação é continuar nesse negócio. Especialistas apontam que o invetidor pode até aproveitar esse momento para ampliar a fatia da carteira dedicada a investimentos internacionais.

Essa escorregada do dólar pode representar uma janela de oportunidade para maior alocação em ativos internacionais dolarizados. No médio/longo prazo vemos muito mais risco de o dólar voltar para os R$ 5,70 do que cair para menos R$ 5,00.
Rodrigo Sgavioli, head de fundos e alocação da XP

Segundo o head de fundos e alocação da XP, Rodrigo Sgavioli, esse cenário - de dólar em queda, mas com expectativa de nova valorização à frente - favorece a entrada em aplicações internacionais que tem exposição ao dólar.

É o caso de fundos de investimento internacional que usam derivativos para proteção cambial. Dessa forma, o ganho do investidor depende praticamente apenas das variações do próprio ativo, por exemplo, do desempenho dos BDRs ou dos ETFs, sem sofrer com as variações do dólar ante o real.

Sgavioli deu exemplo de recomendações para um investidor de perfil moderado - ou seja, nem conservador nem arrojado. Nesse perfil, 17% da carteira devem ser destinados a investimentos internacionais, sendo 3% em renda fixa e 14% em renda variável. Dessa parcela em renda variável, quase 30% são exatamente essas posições sem hedge.

E quem está fora, vale a pena entrar agora?

As respostas para esse investidor que não tem aplicação atrelada ao dólar também vão depender dos objetivos que cada um tem, mas no geral quase todas as carteiras recomendadas têm algum percentual destinados a investimentos globais em dólar.

Para especular: como investimento de curto prazo, o dólar perto de R$ 5,20 ainda não é porta de entrada para investir no exterior, porque existe o risco de a moeda americana recuar mais um pouco, influenciada por fatores como juros em alta. Então, o potencial de ganho de curto prazo não é forte neste momento.

Para diversificar: para quem busca aplicações em fundos cambiais, BDRs ou outros negócios que acompanham a moeda americana para começar a construir uma fatia internacional na carteira de longo prazo —olhando para um horizonte de pelo menos três anos—, a avaliação é a de que vale aproveitar esse momento.

A gente fala que não tem o momento certo para começar a compor a fatia de investimentos internacionais na carteira e defende que isso seja feito aos poucos. Mas se a pessoa já tem um dinheiro separado para fazer essa alocação, com objetivos claros de longo prazo, avalio que vale fazer esse movimento agora.
Rachel de Sá, Rico Investimentos

Veja aqui os melhores jeitos de aplicar em investimentos que acompanham o dólar.

Confira também o percentual da carteira que pode ser aplicado em ativos internacionais, segundo profissionais consultados pelo UOL.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.