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De olho em jovens, B3 cria fundos de games e diversidade; vale investir?

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Luciana Cavalcante

29/03/2022 10h00

A ideia de investir em empresas da moda —como Apple, Microsoft, Amazon, Tesla e Meta (antigo Facebook), por exemplo— e com um baixo custo tem atraído cada vez mais pessoas à Bolsa de Valores brasileira (B3) —principalmente os jovens. E é justamente para esse público que a B3 está voltando sua atenção e ofertando produtos diferenciados, como fundos ligados a games e diversidade de gênero (como de empresas só com mulheres em cargos de liderança).

Para entender mais sobre os lançamentos, o UOL conversou com representantes da própria Bolsa e também com especialistas na área, que discutem se esses investimentos valem a pena. Leia logo abaixo.

O interesse por ETFs

Quem deseja investir em empresas no exterior, mas não tempo ou condições de analisar as empresas listadas lá fora, pode comprar ETFs (Exchange Traded Funds). São fundos negociados em Bolsas de Valores e que utilizam como referência um índice do mercado, como o S&P500, que reúne as mais famosas empresas de tecnologia do mundo.

Cada fundo tem um número mínimo de cotas a serem compradas. E cada cota é como uma pequena parte de uma carteira com diversas ações que atendem aquele índice.

O valor mínimo para investir em ETFs depende do índice e da quantidade mínima de cotas a serem compradas. Caso uma cota do BOVA11 (o fundo de índice do Ibovespa), por exemplo, seja negociada por R$ 30 e o investimento mínimo seja de 10 cotas, para este fundo o investidor aplicaria R$ 300.

Com uma única cota [de ETF] você já consegue uma diversificação muito ampla em vez de se expor em ativo por ativo --o que, querendo ou não, demanda um conhecimento maior. De uma forma muito mais simples você já consegue ter exposição a diversos setores e com tíquete de entrada baixo. Hoje temos ETFs onde a negociação da cota começa com nove, dez reais.
Gabriela Shibata, gerente de Cash Equities da B3

O número de investidores em ETFs passou de 269 mil em 2020 para 505 mil no último ano, de acordo com dados da B3. E a maioria dos que aplicam nesses fundos (52%) são jovens entre 25 e 39 anos.

Segundo a gerente de Cash Equities da B3, Gabriela Shibata, a facilidade de investir e a possibilidade de diversificação da carteira (afinal, o investidor cotas de um índice que replica diversas ações) a custo baixo são os principais motivos que atraem o público mais novo aos ETFs.

Foco no público jovem

Para atender aos anseios e vontades do público mais novo, a B3 decidiu incluir opções de ETFs de segmentos até pouco tempo incomuns, como games, criptomoedas e diversidade. O foco, de acordo com Shibata em estimular ainda mais o desejo dos jovens em empregar o dinheiro em empresas que estão de acordo com seus valores.

Para essas pessoas faz mais sentido investir em algo próximo da sua realidade, das suas crenças, de seu estilo. Ter produtos que refletem isso acaba chamando mais a atenção desses investidores.
Gabriela Shibata, da B3

A gerente acredita que os ETFs com temáticas diversificadas devem se perpetuar no mercado, tanto pela demanda como pelo comportamento das empresas, que estão se adequando ao cenário e ao público.

"A indústria vai evoluindo à medida que vê o apetite maior desse investidor em se aprofundar, diversificar o portfólio. É algo que está só começando e que tende a evoluir a longo prazo e ganhar mais espaço a longo prazo", diz.

Novidades da Bolsa

Entre as opções de ETFs diferenciados recém-lançados pela Bolsa de Valores brasileira está o ELAS11. O ELAS11 é um ETF gerido pelo Safra, cujo índice de referência acompanha a performance de empresas com ações de inclusão de mulheres em cargos de liderança. Lançado no dia 8 de março deste ano, o índice contém 342 empresas avaliadas e as melhores posicionadas passam a compor a cartela que será negociada em ETF.

ETF JOGO11, fundos de índice - Reprodução/Investo - Reprodução/Investo
JOGO11 é um dos ETFs focados em empresas de games
Imagem: Reprodução/Investo

Outra novidade são os ETFs que são compostos por empresas só de games e eSports. Como exemplo, há o fundo Investo Jogo (JOGO11), que foi o primeiro desse segmento e hoje tem mais de 4 mil investidores, com volume médio de negociação diário de R$ 432.690 e cota de R$ 71.

Já o MILL11, fundo do Itaú Asset com cota ultimamente de R$ 45,68, visa crescer junto com as empresas que se beneficiam do poder de consumo da geração millennial (também conhecida como geração Y). Replica um índice compostos por empresas de olho no metaverso, como Nike, Disney, Nvidia, entre outras.

Os fundos de criptomoedas também estão caindo no gosto dos jovens desde o final do último ano, quando foram lançados na Bolsa. Hoje são sete ETFs disponíveis de companhias focadas em moedas digitais, sendo o primeiro deles o Hashdex NasdaqCrypto Index (HASH11). Esse tipo de ETFs já acumula mais de 183 mil investidores, sendo 42% só de pessoas físicas, de acordo com a B3. A média é de R$ 73 milhões de negociações diárias.

É preciso cautela

Assim como Gabriela Shibata da B3, o diretor-executivo da Gennesys Consulting, Dav Gilvanci, declara que os investimentos em ETFs diferenciados devem se firmar rapidamente no mercado. Os principais motivos para isso, segundo ele, são:

  • Redução de custos de transação em transferências internacionais usando criptomoedas;
  • Nova modalidade de captação de recursos para financiar projetos que os jovens acreditam;
  • Fortalecimento de ecossistemas das empresas;
  • Possibilidade de tokenização de processos de negócios (processo que transforma ativos, bens ou produtos do mundo real em digital)

Mas Gilvanci afirma que as aplicações devem ser feitas com cautela. "É preciso ter em mente que, como a volatidade [oscilação] é altíssima", diz.

A recomendação é alocar no máximo 5% [da carteira], tendo em mente que, como não há fundamento econômico-financeiro --tal como uma ação ou um título de renda fixa de dívida privada--, isso [um ETF] pode cair 100%.
Dav Gilvanci, diretor-executivo da Gennesys Consulting

Ele diz que "só para exemplificar, a carteira que montamos em nossa gestora em 2013 [com base em ETFs] caiu 93% em 2014; no entanto, atualmente está dando um retorno equivalente a 328 vezes mais em dólar do que antes.

Mesmo em um cenário em que alguns fatores podem influenciar investimentos no exterior, como a guerra da Rússia x Ucrânia, Gabriela Shibata declara que a decisão de investir e do melhor momento para isso depende mais do perfil do investidor do que desses fatores.

"Vai depender do apetite de risco do investidor, da estratégia de investimento. Isso é muito relativo e individual, não existe uma receita de bolo. Mas o ideal é que ele procure uma ajuda especializada para entender qual o melhor momento para isso", afirma.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.