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Renda extra: 12 fundos imobiliários com dividendos acima de 10% ao ano

Em qual compensa mais investir: fundos imobiliários de papel ou fundos de tijolos? - Getty Images
Em qual compensa mais investir: fundos imobiliários de papel ou fundos de tijolos? Imagem: Getty Images

Fernando Barbosa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

04/04/2022 04h00

Os fundos imobiliários (FIIs) são a primeira opção de muitos investidores que buscam uma renda extra, principalmente para a aposentadoria. A atratividade está no menor nível de oscilação frente ao mercado de ações e na remuneração mensal por meio da distribuição de cotas (dividendos).

Além disso, os FIIs são de fácil entendimento para quem está começando na Bolsa. A compra da cota de fundo imobiliário de tijolo pode ser comparada a um pequeno pedaço de um imóvel, por exemplo. Assim, os investidores podem ampliar suas fatias e ter remunerações maiores.

O UOL conversou com especialistas, que listam 12 fundos imobiliários que pagam dividendos de pelo menos 10% ao ano (veja a lista ao final da reportagem).

Renda extra com dividendos

Para o sócio-diretor da Ouro Preto Investimentos, João Baptista Peixoto Neto, antes de mais nada os investidores devem diferenciar as duas formas de remunerações possíveis: por meio do ganho de capital (ou seja, com a valorização das cotas em caso de negociação secundária) ou com os rendimentos distribuídos pelos fundos.

"Não se pode avaliar um fundo somente pelo rendimento dos dividendos. Deve-se entender o que há por trás desses rendimentos e que retornos maiores normalmente representam maiores riscos. Além disso, o aumento dos dividendos vem relacionado a uma queda no preço das cotas desses fundos", diz Peixoto Neto.

O especialista afirma que há FIIs que, inclusive, acompanham a alta da inflação. Isso é comum entre os fundos CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários), também conhecidos como fundos de papel. É uma modalidade que investe em títulos de dívida. Isto é, o investidor faz uma espécie de empréstimo ao segmento imobiliário, com a promessa de receber juros mais adiante.

Mesmo no longo prazo, se houver uma queda na inflação, tais FIIs indexados ao IPCA continuarão atraentes, porque, com a inflação menor, a taxa de juros também deve cair.
João Baptista Peixoto Neto, da Ouro Preto Investimentos

O IPCA chegou a 10,54% no acumulado dos 12 meses até fevereiro, sendo ele o principal índice de inflação no Brasil. Com a alta, o head de análise do consolidador de investimentos Dividendos.me, Guilherme Gentile, diz que os FIIs de papel passam a ser os "queridinhos" dos investidores. Mas ele não acredita que o cenário se sustente a longo prazo.

Com a alta da taxa Selic [taxa básica de juros], a inflação tende a se arrefecer e a voltar para perto da meta do Banco Central [3,5%]. Vivemos tempos incertos, principalmente com a guerra entre Rússia e Ucrânia. Mas, independente do rendimento alto ou não desses FIIs, eles se encaixam em qualquer carteira de renda variável.
Guilherme Gentile, do Dividendos.me

Gentile acredita que, mesmo que o rendimento passe a ser menor como resultado dos aumentos sucessivos na taxa básica de juros, os FIIs de papel não se tornam "indesejáveis".

"O mercado vive de ciclos. Os fundos de papel têm altas taxas atreladas à inflação e, ainda por cima, conseguem facilmente mudar sua estratégia. Em vez de ter títulos indexados somente ao IPCA, eles podem mudar para títulos indexados ao CDI", afirma.

O analista da casa de análises Top Gain, Sidney Lima, declara que o grande objetivo dos fundos imobiliários é a distribuição de dividendos mensais. Isso está relacionado à capacidade de geração de caixa e gestão da empresa.

"Acredito que a recorrência [dos FIIs] deve continuar. Entretanto, vale considerar a variação do valor da cota, pois existem fundos que chegaram a acumular o pagamento superior a 10% de dividendos nos últimos meses, mesmo com um nível de desvalorização superior a isso nos últimos 12 meses", diz Lima.

Segundo o analista da Top Gain, o panorama de inflação em alta e taxas de juros elevadas (a Selic está em 11,75% ao ano), os fundos de papel acabam sendo mais vantajosos do que os de tijolos --justamente pela relação próxima com a negociação de dívidas do setor.

"Também é interessante pela possibilidade de diversificação dos ativos. Já os fundos de tijolos acabam sendo mais atrativos considerando o longo prazo", declara Lima.

O mais importante, porém, é fazer uma diversificação dos investimentos, segundo Gentile, do Dividendos.me.

"O investidor pode mesclar entre fundos de papel e tijolos, um vai ganhar com a inflação e taxa pré-fixada, e outro, vai ter ganhos com os aluguéis e com a valorização do 'tijolo' em si", afirma.

Confira uma lista completa de FIIs dividendos com pagamentos acima de 10% ao ano, conforme recomendação dos especialistas. São 12 fundos imobiliários diferentes dentre as 15 indicações feitas.

Fundos com dividendos de pelo menos 10% ao ano

Guilherme Gentile, head de análise do Dividendos.me

Sidney Lima, analista da Top Gain

João Baptista Peixoto Neto, sócio-diretor da Ouro Preto Investimentos

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