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Shopee, Wish e Alibaba: vale comprar ações das varejistas gringas?

Vale investir em varejistas estrangeiras, como a Shopee? Especialistas explicam os riscos - Divulgação
Vale investir em varejistas estrangeiras, como a Shopee? Especialistas explicam os riscos Imagem: Divulgação
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Fernando Barbosa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

23/04/2022 04h00

Nos últimos anos, a entrada de gigantes asiáticas no Brasil tornou a competição por espaço no setor varejista nacional ainda mais acirrada. Se antes marcas como Magazine Luiza, Lojas Americanas, Mercado Livre, Casas Bahia e Amazon disputavam a atenção dos consumidores entre si, agora as empresas contam com a presença de nomes como da chinesa Alibaba e da singapurense Shopee.

Mas vale a compra de papéis ou BDRs (recibos de ações, normalmente do exterior) de companhias como Alibaba e Shopee? E quanto às ações da americana Wish? Veja a opinião dos analistas ouvidos pelo UOL e saiba o que considerar na hora da aquisição de empresas do comércio eletrônico listadas em Bolsas lá fora.

Cenário adverso para varejistas asiáticas

Nos últimos seis meses, as ações da Alibaba e da Shopee apresentaram quedas acentuadas. A Sea Limited, holding dona da Shopee, tinha suas ações avaliadas em US$ 357,09 na Bolsa de Nova York (Nyse) em outubro, bem acima dos atuais US$ 108,58 —o que representa uma queda de 69,5% em seis meses.

Também listada na Nyse, o Alibaba passou de US$ 168 para US$ 95,49 no mesmo período —um recuo de 43%.

Jack Ma - Alibaba Group - Alibaba Group
Jack Ma, um dos fundadores e ex-CEO do Grupo Alibaba, ficou desaparecido por meses
Imagem: Alibaba Group

Para além de aspectos econômicos que impactam diversas economias em todo o mundo, como o problema nas cadeias de produção resultante da covid-19 e a disparada da inflação, essas companhias também passam dificuldades particulares.

Segundo Will Castro, estrategista-chefe da Avenue, corretora de valores que atua nos Estados Unidos, desde outubro de 2020 alguns fatores pesam contra a operação da Alibaba.

"Depois de emergir como uma grande vencedora durante a pandemia, a 'Amazon chinesa' recebeu a aplicação de multas para algumas das operações, e viu crescer o peso da regulação do governo sobre diversas empresas de tecnologia, além do desaparecimento durante alguns meses do fundador Jack Ma", afirma.

Atualmente, Alibaba e Sea Limited estão avaliadas em US$ 257,9 bilhões e US$ 60,5 bilhões, respectivamente.

Uma terceira novata estrangeira que vem tendo destaque entre os e-commerces no Brasil é a Wish, plataforma fundada em São Francisco, na Califórnia (EUA), em 2010.

Neste caso, a empresa tem valor de mercado bem menor do que as asiáticas. Hoje, a ContextLogic, sua holding, é avaliada em US$ 1,33 bilhão na Nasdaq. Nos últimos seis meses, o preço das ações passou de US$ 5 para US$ 2.

O estrategista da RB Investimentos, Gustavo Cruz, afirma que o crescimento da digitalização e o maior acesso à internet, aliados ao avanço da logística, fazem desses negócios alguns dos mais desejados por fundos de investimentos globais.

Entretanto, ele diz que é necessário ponderar a respeito da interferência governamental nas operações. "Em 2021, o Alibaba sofreu bastante quando a China passou a observar seus passos de perto e a dizer que era necessário reduzir o poder do mercado privado", declara.

Outra companhia no radar dos investidores é a Shein, varejista de moda da China. Em janeiro, a agência Reuters noticiou que a Shein havia retomado os planos para fazer seu IPO (abertura de capital, ou seja, entrada na Bolsa de Valores) na Nyse em 2022.

Wish - Lucas Carvalho/Tilt - Lucas Carvalho/Tilt
Aplicativo da varejista americana Wish
Imagem: Lucas Carvalho/Tilt

Vale adquirir os BDRs das varejistas estrangeiras?

Fabrício Gonçalvez, CEO da Box Asset Management, diz que pesam contra as varejistas dúvidas em relação à lucratividade dos negócios.

"As empresas do varejo operam com margens curtas. Os riscos adicionais dessas três companhias [Alibaba, Shopee e Wish] precisam ser considerados na hora da decisão de investimento", declara.

Como alternativa, o investidor pode buscar negócios mais consolidados, como Costco, Walmart e Dollar General, além da Amazon, diz Gonçalvez.

O CEO da Box Asset Management afirma, ainda, que as BDRs (Brazilian Depositary Receipts) — espécies de títulos que representam as ações de companhias estrangeiras na B3 — de Alibaba e Shopee têm baixa liquidez (possibilidade de resgate imediato) e custos maiores.

Caso o investidor deseje a exposição aos ativos externos, a melhor forma é diretamente por meio de uma corretora no exterior.
Fabrício Gonçalvez, CEO da Box Asset Management

Will Castro, da Avenue, concorda. Negociadas por meio de corretoras brasileiras, as BDRs não têm a isenção do Imposto de Renda (IR), são negociadas em menos dias do que as ações originais e ainda sofrem com o sobe e desce do câmbio.

Uma alternativa de investimento

Para quem está em busca de mais segurança e redução do risco, a alternativa para investir no mercado externo é pelas ETFs (Exchange Traded Funds), que são fundos que replicam determinados índices de referência, como a Nasdaq ou a Nyse.

Com posições em ativos como Amazon, Tesla, Nike e Home Depot, o Consumer Discretionary Select Sector SPDR Fund pode ser uma boa opção, segundo o estrategista-chefe da Avenue.

Quem procura uma opção de comércio online tem como alternativa também o Amplify Online Retail ETF (IBUY), que leva no portfólio companhias como Amazon, Booking, Uber e Airbnb, entre outras.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.