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Poupança: Em quais bancos a caderneta rende mais dinheiro todo mês?

Com a poupança fora do radar, as contas em bancos digitais e fintechs vêm atraindo um público cada vez maior - Suwaree Tangbovornpichet/iStock
Com a poupança fora do radar, as contas em bancos digitais e fintechs vêm atraindo um público cada vez maior Imagem: Suwaree Tangbovornpichet/iStock
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Fernando Barbosa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

25/06/2022 04h00

Uma dúvida básica de investidores iniciantes é comum em buscas na internet: em que bancos a poupança rende mais dinheiro todo mês?

Será que há diferenças? Como descobrir isso? A poupança é a melhor opção para seu dinheiro não ficar parado na conta corrente e perder da inflação? As contas digitais remuneradas são melhores? Veja as dicas de especialistas ouvidos pelo UOL.

Rendimento superior nas fintechs

Primeiro de tudo, é preciso saber que o rendimento da poupança é determinado por regras do governo e é igual em qualquer banco. Em nenhum lugar, a poupança rende mais ou menos do que a regra oficial.

Depois do último aumento de 0,5 ponto percentual da Selic pelo Banco Central, a taxa básica de juros está em 13,25% ao ano. Pela regra, quando a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, a caderneta terá remuneração de 0,5% ao mês mais Taxa Referencial (de 13 de junho a 13 de julho a TR será de 0,16%, segundo o último boletim do Banco Central). A TR muda todos os dias. Porém, se considerarmos a TR de 0,16% ao mês, a poupança tem retorno de 8,21% em 12 meses.

Por outro lado, o rendimento do dinheiro deixado na conta corrente nos bancos digitais geralmente varia entre 100% a 110% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário). Em alguns casos, o retorno chega a 200% do CDI, o que muda conforme o valor investido, o tipo de aplicação e a instituição financeira.

Para simplificar, o CDI é uma espécie de tarifa cobrada quando as instituições financeiras emprestam dinheiro entre si. Normalmente, o CDI fica 0,1 ponto percentual abaixo da Selic. Portanto, o CDI está em 13,15% ao ano e supera a poupança em cerca de 5 pontos.

O assessor da One Investimentos, Luis Felipe Araujo Martins, diz que alguns investimento no Tesouro Direto, títulos da dívida pública emitidos pelo governo, pagam ainda mais de 100% do CDI e são uma alternativa.

Um exemplo é o Tesouro Prefixado com vencimento para janeiro de 2025, que possui rentabilidade anual de 12,75% ao ano, por exemplo. Já o Tesouro pós-fixado pelo IPCA até agosto de 2026 oferece o retorno da inflação (próxima dos 12%) mais 5,39%, o que resulta em ganhos próximos a 18%. No entanto, o investidor precisa avaliar a cobrança do Imposto de Renda, entre 15% a 22,5%.

Para conseguir essa rentabilidade, é necessário manter o papel até o investimento. Mas o investidor também pode obter rentabilidade de acordo com as mudanças na taxa de juros. Um exemplo: caso ele compre o Tesouro Selic com a taxa básica em 15%, e, no ano seguinte, a Selic passe a 10%, o valor unitário do título tende a subir e a valorizar o seu investimento.

Retorno da poupança x CDI

Segundo Bruna Amalcaburio, analista da casa de análises Top Gain, caso decidisse fazer o aporte R$ 1.000, ao final de 12 meses o investidor teria um rendimento de:

  • Em uma conta digital com rendimento de 100% do CDI: R$ 126,5
  • Na poupança: R$ 61,7

Gratuidade de serviços

Larissa Quaresma, analista da casa de análises Empiricus, diz que diversos aspectos devem ser observados antes de escolher uma instituição para deixar o dinheiro rendendo.

A primeira delas é a gratuidade de serviços, além da ausência de mensalidade: TEDs, DOCs e saques devem ser na grande maioria gratuitos. Mesmo que seja uma tendência, há empresas que ainda cobram por tais serviços.

Além disso, alguns outros aspectos podem fazer a diferença, como a disponibilidade de pagamento no débito automático. "Muitas das fintechs que surgiram não têm essa facilidade porque é preciso um convênio com cada prestadora de serviço, como [as empresas de] água, luz, internet e telefone", afirma Larissa.

Para o usuário, também vale testar o aplicativo e verificar se a plataforma é amigável, se atende às suas necessidades e se o atendimento online é fácil adaptação, segundo a analista da Top Gain.

"A principal estratégia dos bancos digitais é conquistar clientes pela desburocratização dos processos, fazendo com que custos internos sejam diminuídos. O cliente deve selecionar a instituição pela sua usabilidade", afirma Bruna.

Alerta para a liquidez

Para a reserva de emergência, o recomendado por especialistas é ter um montante equivalente da renda para o período entre seis a 12 meses. Mas é importante estar atento à liquidez daquele ativo, ou seja, o dinheiro deve estar disponível de imediato para ser utilizado.

A baixa instabilidade e a saúde financeira da instituição também devem pesar na balança, diz Martins, da One Investimentos. Outro fator é a cobertura de até R$ 250 mil do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que funciona como uma espécie de seguro. Assim, títulos de renda fixa como Tesouro Selic e CDBs com liquidez diária são os mais interessantes no momento.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.