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Os motivos para o nervosismo dos mercados financeiros

26/12/2018 18h21

Washington, 26 dez 2018 (AFP) - Os mercados de ações despencaram em dezembro em meio a declarações controversas do presidente americano Donald Trump e à preocupação crescente com o futuro da economia mundial.

Veja a seguir os principais fatores que derrubaram as ações de Wall Street.

Interferência política

Trump criticou algumas vezes o Federal Reserve (Fed) por sua política de crescentes taxas de juros. Antes da reunião do banco central americano na semana passada, Trump afirmou categoricamente que a entidade não devia elevar novamente os juros.

Esse tipo de comentário rompe com a tradição de seus antecessores de evitar comentários sobre o Fed para não comprometer a independência da entidade.

Como era esperado, o Fed optou por elevar os juros novamente na semana passada, e deu sinais sutis de que as próximas altas serão mais espaçadas.

Para alguns analistas, o tiro de Trump saiu pela culatra, porque talvez o Fed tenha elevado as taxas para mostrar que não se influencia pela política.

Após a decisão do Fed, alguns meios de comunicação americanos disseram que Trump considerou destituir o presidente da entidade, Jerome Powell.

Tanto o secretário do Tesouro Steven Mnuchin, quanto outros funcionários do governo negaram que o cargo de Powell estivesse em risco, mas essa pauta influenciou o mercado.

Kevin Hassett, conselheiro econômico da Casa Branca, afirmou ser "100% seguro" que Powell continuará no cargo.

Trump voltou a disparar contra o Fed, ao afirmar na segunda-feira (24) que é "o único problema" da economia americana.

Altas de juros excessivas?

O próprio Fed é uma fonte de preocupação por seus repetitivos aumentos dos juros. Essas altas ampliam automaticamente os juros sobre hipotecas, bem como empréstimos para carros e outros bens de consumo.

O Fed afirma que aumenta os juros para evitar o superaquecimento da economia. No entanto, essa lógica ficou em xeque, porque o aumento da semana passada foi acompanhado por uma revisão em baixa de suas expectativas de crescimento e inflação.

O Fed "exacerbou" a situação, disse Quincy Krosby, estrategista de mercado da Prudential Financial.

"O mercado está dizendo que (o Fed) não está orquestrando um pouso suave, mas um pouso forçado. Em outras palavras, pode ser um erro de política", avaliou.

Comentários misteriosos

Mnuchin tentou apaziguar a ansiedade dos investidores com uma teleconferência com os CEOs dos principais bancos que, segundo ele, alegavam ter ampla liquidez e acreditavam que a economia americana continuaria a manter um forte ritmo de crescimento.

No entanto, os comentários foram criticados por analistas de mercado, que provocaram novas dúvidas, quando o governo está parcialmente paralisado pela falta de acordo para financiar um muro na fronteira com o México.

Trump defendeu Mnuchin na terça-feira, a quem ele descreveu como "muito talentoso, muito inteligente".

Crescimento mundial menor

As discussões sobre o Fed ocorrem exatamente quando a economia mundial sinaliza que seu crescimento está desacelerando.

Em outubro, o FMI reduziu sua previsão de crescimento global em 2018 e 2019 para 3,7% nos dois anos. Antes, era esperado um crescimento de 3,9%.

No fim de novembro, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, disse que as previsões poderiam ser revistas novamente em janeiro.

O Fundo também advertiu durante meses que deve-se esperar por um arrefecimento nos benefícios econômicos decorrentes da redução dos impostos americanos no ano passado.

As empresas americanas estão repatriando menos dinheiro. A consultoria Oxford Economics disse que a quantia repatriada caiu de US$ 294,8 bilhões no primeiro trimestre para US$ 183,7 bilhões no segundo e US$ 92,7 bilhões no terceiro.

Guerra comercial

Os investidores também estão preocupados com as consequências da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, as duas maiores potências econômicas do mundo, que também são altamente interdependentes.

A economia chinesa já reduziu seu crescimento. Quando os Estados Unidos começaram a mostrar sinais de desaceleração, os investidores temem danos à economia mundial.

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