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'Não há lugar para aventureiros', diz presidente da Petrobras demitido por Bolsonaro

Silva e Luna destacou que as decisões na Petrobras não são monocráticas e que existem 21 órgãos de controle fiscalizando suas ações - Adriano Machado/Reuters
Silva e Luna destacou que as decisões na Petrobras não são monocráticas e que existem 21 órgãos de controle fiscalizando suas ações Imagem: Adriano Machado/Reuters

Denise Luna e Guilherme Pimenta

Rio de Janeiro e Brasília

29/03/2022 12h29

Em recado indireto ao presidente da República, Jair Bolsonaro, o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, afirmou hoje que, passados 25 anos da abertura do setor de petróleo e gás natural, a Petrobras ainda tem dificuldade de explicar à sociedade que a companhia precisa operar como uma empresa privada, já que compete com outras petroleiras no mercado interno e internacional.

Dessa maneira, justificou Silva e Luna, a estatal não pode fazer política pública nem partidária, o que, segundo o general, "tem gente que não entende".

Ele destacou também que as decisões na Petrobras não são monocráticas e que existem 21 órgãos de controle fiscalizando suas ações, sendo uma das empresas mais controladas do mundo, afirmou.

Decisões tomadas são coletivas, não há lugar para aventureiros.
Joaquim Silva e Luna, presidente da Petrobras

Silva e Luna destacou que, pelo desempenho dentro das regras do livre mercado, a estatal recebeu no ano passado nove prêmios de conformidade e governança.

As declarações foram dadas em palestra na inauguração, em Brasília, da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados da Justiça Militar da União.

A falta de comunicação com a sociedade sobre o preço dos combustíveis teria sido um dos argumentos de Bolsonaro para o anúncio da demissão do militar do cargo na noite de segunda-feira, 28.

Silva e Luna assumiu a presidência em abril do ano passado, no lugar de Roberto Castello Branco, demitido pelo mesmo motivo.

Para o lugar do militar foi indicado o economista Adriano Pires, também contrário à interferência do governo na estatal.

A indicação de Adriano Pires ainda precisa ser aprovada pela assembleia de acionistas da estatal.

Silva e Luna lembrou que, em 2018, a empresa recebeu R$ 6,8 bilhões do governo para segurar os preços do diesel e acabar com a greve dos caminhoneiros, que chegou a parar o País, dando a entender que, como segue os preços do mercado, uma redução deveria vir novamente do governo, e não da estatal.