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Banco dos EUA ligado a dono da Telexfree vai pagar US$ 3,5 mi a vítimas

24/09/2014 10h17

Um banco comunitário de Massachusetts, nos EUA, fechou um acordo para pagar US$ 3,5 milhões (cerca de R$ 8,4 milhões) a um fundo para ressarcir as vítimas do suposto esquema de pirâmide da Telexfree.

A Telexfree vende planos de minutos de telefonia pela internet (VoIP) e é acusada nos EUA de praticar pirâmide financeira. A empresa também é investigada no Brasil e está proibida de operar desde junho do ano passado.

A formação de pirâmide financeira é uma modalidade considerada ilegal porque só é vantajosa enquanto atrai novos investidores. Assim que os aplicadores param de entrar, o esquema não tem como cobrir os retornos prometidos e entra em colapso. Nesse tipo de golpe, são comuns as promessas de retorno expressivo em pouco tempo.

A empresa nega qualquer irregularidade em suas operações.

Presidente do banco é irmão do dono da Telexfree

O presidente do banco Fidelity, John F. Merrill, é irmão de James Merrill, fundador e um dos donos da Telexfree, junto com o brasileiro Carlos Wanzeler. Wanzeler veio para o Brasil e é considerado foragido pela Justiça dos EUA. 

O órgão que regula as operações financeiras no Estado de Massachusetts, onde fica a sede da Telexfree, acusou o banco Fidelity de abrir contas para a empresa e seus executivos e permitir transações de grande porte sem antes checar informações sobre a natureza do negócio.

O banco não admitiu nem negou as acusações, mas fechou o acordo.

Karen Schwartzman, porta-voz do banco, disse ao jornal norte-americano “Boston Globe” que o Fidelity e seus diretores não sabiam que a Telexfree operava uma suposta fraude, e que o banco preferiu fechar um acordo a entrar em um longo e custoso processo de disputa judicial.

O banco Fidelity fica em Fitchburg, no Estado de Massachusetts. Criado há 126 anos, gerencia US$ 565 milhões em ativos, com foco em pequenos e médios negócios.

Donos da Telexfree transferiram mais de US$ 10 milhões

Segundo a denúncia, a Telexfree abriu duas contas no banco Fidelity em agosto de 2013, com depósitos iniciais de US$ 7.123.784,58. Uma terceira conta foi aberta em setembro do ano passado, com depósitos adicionais de US$ 2.951.337,12.

O banco também abriu contas pessoais para Wanzeler e Merrill. Os dois transferiram US$ 10.454.000 do banco Fidelity em várias transações usando suas contas pessoais, informa a denúncia. Isso incluiu uma transferência de US$ 3,5 milhões feita por Wanzeler para uma conta em Singapura.

Somente em novembro de 2013, o dono do banco decidiu investigar as operações da Telexfree e descobriu que a empresa era investigada no Brasil. O banco determinou que as contas fossem encerradas, mas as operações continuaram até o final de 2013.

As investigações sobre o banco Fidelity começaram em abril, logo após a Telexfree ter entrado com pedido de proteção contra falência (similar à antiga concordata no Brasil) e de autoridades norte-americanas terem acusado a empresa e seus executivos de promoverem um esquema de pirâmide de mais de US$ 1 bilhão no mundo. 

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