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Varejo interrompe 7 meses de alta em dezembro, mas cresce 1,8% em 2019

Do UOL, em São Paulo*

12/02/2020 09h02Atualizada em 12/02/2020 11h06

Resumo da notícia

  • Varejo nacional teve retração de 0,1% em dezembro em relação a novembro
  • Índice interrompeu sete meses seguidos de avanço nas vendas
  • No acumulado anual, setor cresceu 1,8% em 2019
  • Assim, 2019 se consolidou como 3° ano consecutivo de taxas positivas
  • Na comparação com dezembro de 2018, houve avanço de 2,6% nas vendas

As vendas do comércio caíram 0,1% em dezembro do ano passado, na comparação com novembro, interrompendo sete meses seguidos de avanço. Apesar da queda, o comércio fechou 2019 com alta de 1,8%. Foi o terceiro ano consecutivo de crescimento, mas no pior ritmo em três anos. O varejo cresceu 2,1% em 2017 e 2,3% em 2018.

Na comparação com dezembro do ano anterior, houve avanço de 2,6% nas vendas. O resultado foi pior que o esperado por analistas consultados pela agência de notícias Reuters, de alta de 0,2% na comparação mensal e de 3,5% na anual.

Também foi pior que o apontado pela Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping). A entidade disse no início de fevereiro que as vendas no mês do Natal tinham crescido 7,5%.

O número foi contestado por outra entidade do setor, a Ablos (Associação Brasileira dos Lojistas Satélites), que acusou a Alshop de divulgar dados não confiáveis e que não correspondem à realidade.

Os dados divulgados hoje fazem parte da Pesquisa Mensal de Comércio, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Dezembro negativo para 18 estados

De novembro para dezembro, 18 dos 27 estados apresentaram queda nas vendas do varejo. Os piores resultados foram em Roraima (-13,8%), Rondônia (-9,5%) e Acre (-8,2%).

Por outro lado, seis estados e o Distrito Federal tiveram resultado positivo, com destaque para Rio Grande do Sul (3,5%), Amapá (2%) e Rio de Janeiro (1,7%). Santa Catarina e Pernambuco não apresentaram variação.

Na comparação com dezembro de 2018, houve resultado positivo em 17 estados e no Distrito Federal. Destaque para Amapá (38,7%), Paraíba (10%) e Tocantins (8,5%). Entre as variações negativas estão Rondônia (-6,8%), Ceará (-2,8%) e Paraná (-2,8%).

Varejo ainda não recuperou perdas de 2015 e 2016

O crescimento de 1,8% em 2019 foi o mais fraco em três anos seguidos de altas —2,3% em 2018 e 2,1% em 2017. Apesar de ter acumulado ganhos de 6,3% nesses três anos, o resultado não é suficiente para compensar as perdas de 10,2% vistas em 2015 e 2016.

O comércio ainda não se recuperou totalmente da crise de 2015 e 2016, mas está em seu momento mais elevado desde outubro de 2014.
Isabella Nunes, gerente da pesquisa do IBGE

Influência dos saques do FGTS

De acordo com a gerente da pesquisa, Isabella Nunes, a presença de recursos extras devido a liberação dos saques nas contas do FGTS a partir do mês de setembro e a melhoria na concessão de crédito à pessoa física podem ter influenciado o resultado no segundo semestre.

Das oito atividades pesquisadas pelo IBGE no comércio varejista, seis tiveram taxas negativas de novembro para dezembro, com destaque para as quedas em hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,2%). "Essa atividade, que tem peso de 44% no total do varejo, foi particularmente afetada pelo comportamento dos preços das carnes", afirmou a gerente.

Black Friday durou até dezembro

Do lado dos avanços, estão os setores de móveis e eletrodomésticos (3,4%) e de livros, jornais, revistas e papelaria (11,6%). Segundo Isabella, um fator que pode ter influenciado nos resultados positivos para o setor de móveis e eletrodomésticos foi a Black Friday.

"A Black Friday em 2019 caiu na última sexta-feira do mês de novembro, o que levou o comércio a expandir as promoções para o fim de semana e, assim, muitas das vendas desse evento ocorreram já em dezembro, no domingo do dia 1º."

Varejo ampliado fecha ano com alta de 3,9%

No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, peças e de material de construção, o volume de vendas em dezembro caiu 0,8% em relação a novembro de 2019, segunda taxa negativa seguida. Frente a dezembro de 2018, houve aumento de 4,1%, nona taxa positiva consecutiva.

Comparado a 2018, o varejo ampliado acumulou alta de 3,9% em 2019.

*Com Reuters

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