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Empresas russas buscam abrir contas em bancos chineses para driblar sanções

Do UOL, em São Paulo*

03/03/2022 22h54

Com as sanções aplicadas à Rússia após a invasão à Ucrânia, a filial em Moscou de um banco estatal chinês passou por um aumento nas buscas de empresas russas para abrir novas contas. A informação é da agência de notícias Reuters.

"Nos últimos dias, entre 200 e 300 empresas nos abordaram querendo abrir novas contas", disse à Reuters um funcionário da filial de Moscou, que pediu para não ser identificado. O nome do banco também não foi divulgado a pedido da fonte.

À agência, o trabalhador também explicou que muitas das empresas que buscam abrir novas contas na unidade fazem negócios com a China. Com isso, ele espera que as transações em yuan - a moeda chinesa - aumentem.

Vários bancos estatais chineses operam em Moscou. Entre eles estão o Industrial & Commercial Bank of China, o Agricultural Bank of China, o Bank of China e o China Construction Bank que, procurados pela Reuters, não quiseram comentar o caso. Os demais não responderam aos contatos da agência de notícias.

Hoje, a Casa Branca divulgou novas sanções a oligarcas russos. A lista de nomes divulgada inclui o que os EUA classificaram como "companheiros de Putin e seus familiares", que "continuam apoiando" o presidente russo.

Todos os listados serão excluídos do sistema financeiro dos Estados Unidos, seus ativos congelados, e suas propriedades serão bloqueadas para uso. A informação foi publicada no site da Casa Branca.

Mapa Rússia invade a Ucrânia - 26.02.2022 - Arte UOL - Arte UOL
Imagem: Arte UOL

Além disso, um empresário chinês - que também não quis ter seu nome revelado -, também confirmou o movimento de empresas russas por contas em yuans. Segundo ele, essa é "uma lógica bem simples": "se você não pode usar dólares americanos ou euros, e os EUA e a Europa param de vender muitos produtos, você não tem outra opção a não ser recorrer à China. A tendência é inevitável."

Na mesma linha, uma grande empresa russa de transporte e logística, a FESCO Transportation Group, informou aos clientes que aceitará yuan. Isso aconteceu após alguns bancos russos serem expulsos do sistema global de mensagens financeiras, o Swift. Para Shen Muhui, chefe de um órgão comercial que promove as ligações entre a Rússia e a China, esse é um processo "natural".

Ricos compram artigos de luxo para tentar preservar patrimônio

Com a queda do rublo, os ricos da Rússia estão comprando joias e relógios de luxo em uma tentativa de preservar o valor de suas economias. As informações são da agência de notícias Bloomberg.

Ouvido pela publicação, o presidente-executivo da joalheria italiana Bulgari, Jean-Christophe Babin, afirmou que as vendas nas lojas russas aumentaram nos últimos dias, depois que nações ocidentais impuseram uma série de restrições econômicas ao país.

"No curto prazo, provavelmente impulsionou os negócios", disse Babin, descrevendo as joias da marca como um "investimento seguro".

"Quanto tempo vai durar é difícil dizer, porque, de fato, com as medidas do sistema Swift totalmente implementadas, pode dificultar, se não tornar impossível", conclui.

O Swift (Sociedade de Telecomunicações Financeiras Mundial) é um sistema bancário internacional, criado na Bélgica em 1973, que permite a padronização de informações financeiras e transferências de recursos entre bancos ao redor do mundo. Ontem, a UE (União Europeia) anunciou a exclusão de sete bancos do sistema.

* Com informações da Reuters