PUBLICIDADE
IPCA
1,06 Abr.2022
Topo

Venda da Petrobras pode criar monopólio privado, diz ex-presidente do BC

Colaboração para o UOL, em São Paulo *

29/03/2022 19h37Atualizada em 29/03/2022 20h31

Na avaliação de Gustavo Loyola, ex-presidente do BC (Banco Central) e diretor-presidente da Tendências Consultoria, discussões sobre a privatização da Petrobras devem considerar meios para que não se crie um monopólio privado.

"Não adianta privatizar uma empresa que é praticamente um monopólio [no setor de energia], porque aí você só estaria substituindo-o por um privado", disse Loyola em entrevista ao UOL News - Noite, programa do Canal UOL.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) prometeu a Adriano Pires, indicado por ele para comandar a estatal, a privatização da Petrobras. Na conversa com o economista, o chefe do Executivo disse que a empresa lhe dá "muita dor de cabeça".

Loyola, que é a favor da privatização e acha que ela é "factível" no momento, porém, advertiu que um eventual processo de desestatização da empresa deve ocorrer "sem pressa e de maneira gradual".

"Por exemplo: pode-se vender algumas participações, alguns ativos da Petrobras, como refinarias, deixando a empresa mais com a exploração de petróleo. Há uma série de questões que têm que ser levadas em conta", disse. "Vai exigir muito trabalho", afirmou.

A indicação de Adriano Pires, para quem Bolsonaro prometeu a privatização da Petrobras, veio após, ontem, o presidente ter decidido demitir o general Joaquim Silva e Luna do comando da estatal, que deverá sair efetivamente da chefia da Petrobras em 13 de abril.

Durante a gestão dele, os valores da gasolina e do diesel dispararam 32% e 56%, respectivamente. Ele vinha sendo pressionado por Bolsonaro para alterar a política de preços da estatal, sensível a variações de preços no exterior e que rendeu lucro recorde à empresa em 2021.

Na semana retrasada, Bolsonaro, após a Petrobras anunciar um aumento no preço dos combustíveis vendidos nas refinarias, cobrou que a estatal também seguisse o "preço internacional" quando os valores do barril estivessem em queda. "Com toda certeza, ela fará isso aí", afirmou.