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Alta de 32% na gasolina e lucro recorde: veja como foi gestão Silva e Luna

General Joaquim Silva e Luna chefia a Petrobras desde abril de 2021 e deve ser substituído por Adriano Pires - Adriano Machado/Reuters
General Joaquim Silva e Luna chefia a Petrobras desde abril de 2021 e deve ser substituído por Adriano Pires Imagem: Adriano Machado/Reuters

Anaís Motta

Do UOL, em São Paulo

29/03/2022 14h35Atualizada em 29/03/2022 17h04

A gestão do general Joaquim Silva e Luna, 72, à frente da Petrobras foi marcada pela disparada de 32% no preço da gasolina e de 56% no do diesel, por pressões de críticos e de dentro do próprio governo Jair Bolsonaro (PL) para alterar a política de preços da Petrobras, por lucro recorde em 2021 e por visitas ao Congresso Nacional, para dar aos parlamentares explicações sobre as ações da empresa.

Silva e Luna foi informado por Bolsonaro ontem de que será demitido da presidência da Petrobras, cargo que assumiu em abril de 2021. Seu antecessor, o economista Roberto Castello Branco, também foi demitido em meio à pressão para conter a alta dos combustíveis, que contribuiu para a disparada da inflação e preocupa os objetivos eleitorais do governo.

O economista Adriano Pires foi o nome indicado por Bolsonaro para assumir a Petrobras. A mudança ainda precisará ser validada pela Assembleia Geral Ordinária da companhia, que acontece em 13 de abril.

Escalada dos preços

Nos 11 meses em que Silva e Luna esteve à frente da Petrobras, o preço médio da gasolina comum subiu mais de 32% nos postos, de R$ 5,45 a R$ 7,21, segundo último levantamento semanal divulgado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). O diesel registrou alta ainda mais forte, de 56,2% (R$ 4,20 a R$ 6,56), enquanto o etanol hidratado disparou 29,2% (R$ 3,83 a R$ 4,95).

Quando assumiu, o general manteve a política de preços da Petrobras adotada na gestão de Pedro Parente, ainda no governo Michel Temer. A política atrela os preços dos combustíveis à variação do dólar e do petróleo no mercado internacional. Assim, quando dólar e petróleo sobem, os combustíveis sobem junto.

A Petrobras —e, indiretamente, o general— vinham sofrendo pressão de Bolsonaro principalmente desde o final de 2021, momento em que a escalada dos preços se intensificou, e a média no país passou de R$ 6 pela primeira vez.

Em mais de uma ocasião, porém, Silva e Luna defendeu a Petrobras e negou que a empresa fosse a responsável pela alta dos preços.

Em entrevista ao UOL no final do ano passado, o general disse que a empresa não vai aceitar intervenção, que o "tabelamento de preços sempre trouxe as piores consequências", que a busca pelo lucro não deve ser condenada e que a decisão sobre privatizar ou não a empresa cabe ao governo.

O que evita o desabastecimento nos mercados e viabiliza o crescimento equilibrado da economia é justamente a aceitação de que os preços são determinados pelo mercado, não por 'canetadas'.
Silva e Luna

Após demissão, Silva e Luna manda indireta a Bolsonaro

Há cerca de duas semanas, Silva e Luna havia dito à colunista do UOL Carla Araújo que a chance de pedir demissão era "zero". Na última segunda-feira (28), foi avisado de que não seria mantido no cargo.

Mais cedo, em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro disse que a decisão de demitir o general "é coisa de rotina, sem problema nenhum".

Nesta terça (29), Silva e Luna afirmou que o motivo de sua demissão é "complexo". Em recado indireto ao presidente da República, o general disse que, passados 25 anos da abertura do setor de petróleo e gás natural, a Petrobras ainda tem dificuldade de explicar à sociedade que a companhia precisa operar como uma empresa privada, já que compete com outras petroleiras no mercado nacional e internacional.

Ele afirmou ainda que a estatal não pode fazer política pública nem partidária, o que, segundo o general, "tem gente que não entende".

"Decisões tomadas são coletivas, não há lugar para aventureiros", declarou, durante uma palestra em Brasília.

Lucro recorde em 2021

Ao tomar posse como presidente na petroleira, em 19 de abril de 2021, disse que um de seus principais desafios no cargo seria fazer a Petrobras cada vez mais forte, "conciliando interesses de consumidores e acionistas, valorizando petroleiros e buscando reduzir volatilidade, sem desrespeitar a paridade internacional".

Na sua gestão, a Petrobras teve lucro líquido recorde, de R$ 106,7 bilhões em 2021, ante R$ 7,1 bilhões no ano anterior.

O pagamento de dividendos aos acionistas, o que inclui a União, também foi recorde, de R$ 101,4 bilhões.

Na época, o general afirmou que os resultados mostravam "que uma empresa saudável e comprometida com a sociedade é capaz de crescer, investir, gerar empregos, pagar tributos e retornar dinheiro aos seus acionistas, contribuindo efetivamente para o desenvolvimento do país".

Esses resultados demonstram que a qualidade do nosso trabalho se traduz de maneira inequívoca em riqueza para a sociedade.
Joaquim Silva e Luna, em relatório financeiro da Petrobras

General foi ministro da Defesa e diretor de Itaipu

Antes de assumir a Petrobras, Silva e Luna foi ministro da Defesa no governo Temer, entre 2018 e 2019 e depois diretor-geral da usina Itaipu Binacional, entre fevereiro de 2019 e abril de 2021.

Graduado em engenharia pela Aman (Academia Militar das Agulhas Negras), ele tem pós-graduação em Política, Estratégia e Alta Administração pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, e em Projetos e Análises de Sistemas pela UnB (Universidade de Brasília). Também fez mestrado em Operações Militares, e doutorado em Ciências Militares, segundo currículo publicado no DOU (Diário Oficial da União) em fevereiro de 2019.

Foi general do Exército por 12 anos, de 2002 a 2014, tendo sido comandante da 16ª Brigada de Infantaria de Selva em Tefé (AM), diretor de patrimônio, chefe do gabinete do comandante do Exército e chefe do Estado-Maior do Exército. Depois, trabalhou por cinco anos no Ministério da Defesa, inicialmente como secretário de Pessoal, Ensino, Saúde e Desporto. Depois, atuou como secretário-geral e, por último, como ministro da Defesa.