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Aeroporto mais disputado do país, Congonhas é abandonado durante crise

Aeroporto de Congonhas - Vinícius Casagrande/UOL
Aeroporto de Congonhas Imagem: Vinícius Casagrande/UOL

Vinícius Casagrande

Colaboração para o UOL, em São Paulo

22/04/2020 04h00Atualizada em 08/05/2020 10h23

O aeroporto de Congonhas, em São Paulo, é o mais disputado do país pelas companhias aéreas. Em meio à crise gerada pelo novo coronavírus, no entanto, o terminal da capital paulista foi completamente abandonado pelas empresas. Congonhas está sem nenhum voo comercial programado para os próximos dias.

Com a queda na procura de passageiros, as empresas brasileiras reduziram em mais de 90% a quantidade de voos. Na reestruturação da malha aérea brasileira, Congonhas foi deixado de lado. A última decolagem de um voo comercial com passageiros em Congonhas foi feita no último dia 13.

Até o final de abril, as companhias aéreas não têm mais nenhum voo programado para Congonhas. Gol e Latam decidiram concentrar seus voos em São Paulo no aeroporto de Guarulhos, enquanto a Azul tem suas operações no aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP).

O que dizem as aéreas

A Azul afirmou que a decisão ocorreu por Viracopos ser o seu maior centro de distribuição de voos no país. "Além disso, em Congonhas, a companhia não detém slots [permissão de pouso e decolagem] suficientes para garantir a operação focada em conexões", disse a empresa, em nota.

A Gol afirmou que teve de adequar sua malha por conta da queda da demanda. "São 50 voos diários em vigor, com conexão entre as capitais pelo aeroporto internacional de Guarulhos. Caso tenha uma melhora na demanda, a Companhia estará pronta para retomar mais frequências a partir de maio", disse.

A Latam afirmou que "o motivo é justamente a queda drástica de demanda por conta da pandemia do novo coronavírus, mas a empresa segue acompanhando" a situação. A empresa disse ainda que aguarda o retorno da demanda para voltar a operar em Congonhas.

Disputa milionária por pousos e decolagens

Há quase um ano, o aeroporto de Congonhas vivia um momento completamente diferente. Com a quebra da Avianca Brasil, as companhias aéreas travaram uma disputa milionária para comprar as operações da empresa e ter direito a mais espaço em Congonhas. A briga resultou em um racha entre as companhias aéreas, que fez com que a Azul abandonasse a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas).

Mesmo com as ofertas milionárias, a Avianca Brasil não resistiu e teve todas as suas operações suspensas pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) por questões de segurança. Os slots da empresa foram, então, redistribuídos para as companhias aérea que tinham pouco ou nenhum espaço em Congonhas.

A Azul foi a maior beneficiada, mas o processo também permitiu as operações da Voepass (antiga Passaredo), Map e TwoFlex. Com a crise do coronavírus, Voepass e Map suspenderam todos os seus voos e a TwoFlex foi comprada pela Azul.

Reforma da pista

Com o abandono temporário do aeroporto de Congonhas, o governo estuda aproveitar o momento para realizar obras no terminal e, principalmente, na pista de pouso do aeroporto. A informação foi dada pelo secretário Nacional de Aviação Civil do Ministério da Infraestrutura, Ronei Glanzmann, e pelo presidente da Infraero, Hélio Paes de Barros Júnior, durante um evento online promovido pelo BTG Pactual no início do mês.

"Em conversas com o Ministério da Infraestrutura, temos como diretriz antecipar a realização de obras nos aeroportos, aproveitando o período em que eles estão esvaziados", disse Barros.

"Agora serão feitas obras na pista do aeroporto de Congonhas, assim como foi feito no ano passado na pista do aeroporto Santos Dumont, no Rio, e que durou 28 dias. Vamos tentar antecipar as obras, aproveitando essa janela maior de aeroportos vazios", afirmou Glanzmann.

Apesar dessa sinalização, ainda não há uma confirmação se essas obras serão realmente realizadas. O setor já trabalha com a expectativa de um início da retomada dos voos em Congonhas a partir de maio.

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