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Apertem os cintos: 2016 será de muitos desafios para os empreendedores

Rose Mary Lopes

Rose Mary Lopes

Colunista do UOL

O Brasil está fechando o ano com vários marcos bem ruins. No dia 16 de dezembro perdemos o grau de investimento de uma segunda agência que classifica e orienta os investidores no mundo quanto ao risco (leia-se segurança) nos países e em empresas.

Mesmo que o governo tenha tido muitos avisos e tempo para decidir e implementar medidas duras para aprumar o rumo desta nau, preferiu e/ou não teve força e vontade política suficientes para nos redirecionar. Agora é como se o nosso Titanic tivesse se chocado com um tremendo iceberg.

E, está fazendo água. Muita água. Com isto, muitas pessoas estão sendo jogadas no mar da incerteza, sem emprego, sem formas de se sustentar. No fim de setembro já fechamos com 8,9% de desemprego, segundo o IBGE. Atingindo 9 milhões de brasileiros.

Os mais afetados – 37% do total – eram os adultos de 25 a 39 anos. Ou seja, em idade de contribuir muito e com muita energia. Por outro lado, mais mulheres estavam fora do mercado de trabalho: 51,2%. E estes números devem ter aumentado de lá para cá. Lembremos que o desempregado é afetado em sua capacidade de pagar os seus compromissos em dia.

As perspectivas não nos são favoráveis, afinal o país e nossas empresas estão agora na vala daqueles em que não se confiam. Se quiserem contratar empréstimos terão que pagar taxas de juros muito elevadas para compensar o risco de calote. E note-se que os investidores e fundos estrangeiros já fugiram ou estão debandando daqui.

O dólar está em escalada crescente, o que significa custos mais elevados de insumos e de produtos ou serviços já contratados ou a contratar. O outro lado da moeda é que nossas empresas e produtos ficam mais baratos. Vamos ver como ficará a maré de exportação. O turismo para cá fica mais barato. Mas, toda a incerteza política e a violência não nos ajudam.

O governo faz mais investidas contra o setor privado e aumenta alíquotas de impostos como PIS/Cofins sobre produtos importados, sobre bebidas, produtos farmacêuticos e outros. O IPI foi aumentado tanto sobre bebidas e destilados nacionais e importados. Isenções foram retiradas sobre notebooks, computadores, tablets, smartphones, modens, roteadores.

Com este cenário seria de se imaginar que os empreendedores estivessem recuando. Porém, as estatísticas mostram que muitos brasileiros ainda acreditam no caminho do empreendedorismo. Na direção de ter a própria empresa ou atividade para gerar sua renda ou até de outras pessoas.

Os dados da Serasa Experian até setembro mostram que mais empresas foram criadas em 2015 do que no mesmo período de 2014 - 1.522.988 - registrando um crescimento de 4,5%. Só em setembro foram abertas mais 173.405 novas empresas, num resultado quase tão bom quanto o recorde de 2014 em que emplacamos 174.517 aberturas.

Entretanto, há pistas de que grande parte destas aberturas é de microempreendedores individuais – no ano já se tinha superado 10% a mais do que no ano de 2014. Num claro indício de que muitas pessoas, por necessidade, estão criando o próprio emprego.

A maioria das empresas abertas é na área de serviços, seguidas pelo comércio. Muito menos no setor industrial e, menos ainda, no agronegócio. Deste modo, no geral, não se tratam de negócios que vão agregar muito valor e inovação.

E, com um ano muito mais difícil pela frente, pode-se esperar que mais empreendedores fiquem pelo meio do caminho. Ou seja, que não consigam emplacar o final do primeiro ano, ou sobreviver mais superando o marco de mais de cinco anos de existência.

Todos os empreendedores, novatos ou não, terão que trabalhar mais do que o normal, controlar os custos mais do que o velho Tio Patinhas, rever processos e encontrar novas formas de fazer mais com menos e melhor – como professor Pardal. E, serem excelentes na atração e atendimento de clientes. Padrão Disney para mais.

A retenção de colaboradores poderá ser um pouco mais fácil. Com tanto desemprego, as pessoas estão cientes e mais dispostas a permanecer mais em seus trabalhos atuais. Assim, os empreendedores precisam criar uma frente coesa com eles para conseguirem superar as adversidades que se apresentam.

O plano de voo ficou muito mais desafiador. Haverá momentos em que poderão se sentir como se o piloto tivesse sumido. Assim, precisarão dominar mais do que nunca o seu negócio, estar com olhos e radar afinados para navegar e conseguir atravessar as nuvens e planar nos ventos que soprarão em 2016. Desejo boa sorte e bom trabalho a todos!

Rose Mary Lopes

Professora e coordenadora do núcleo de empreendedorismo da ESPM.

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