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Conheça as técnicas de Doria para falar bem e ser eleito prefeito de SP

Reinaldo Polito

Reinaldo Polito

  • MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO CONTEÚDO

Agora que as eleições passaram, as urnas foram abertas e o prefeito de São Paulo está eleito, podemos falar de suas táticas de comunicação sem preocupações partidárias. Como uma pessoa desconhecida pela maioria da população consegue resultados tão expressivos?

Poderíamos analisar diversos motivos e ponderar inúmeros fatores. Foi o que fiz com meus alunos do curso de pós-graduação em Marketing Político, na ECA-USP (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo). Esses alunos são profissionais que atuam na política nos mais diferentes Estados do país como candidatos, ou assessorando candidatos. A maioria com bastante experiência.

Alguns concluíram que o tempo de exposição no horário gratuito pelo rádio e televisão foi fundamental. Outros julgaram que a coligação com um grande número de partidos foi o motivo mais importante. Houve ainda aqueles que afirmaram que sem dinheiro e a máquina do Estado o resultado seria diverso.

Todos, entretanto, sem nenhuma exceção, foram taxativos em dizer que sua eleição no primeiro turno ocorreu especialmente devido a sua excelente capacidade de comunicação. João Doria sabe se comunicar como poucos políticos no Brasil. Desde os aspectos estéticos, como voz, linguagem, comunicação facial e gesticulação, até à retórica, com a perfeita concatenação lógica do pensamento.

Os anos de experiência comandando programas de entrevistas no rádio e na televisão, liderando eventos expressivos, com a participação das mais importantes personalidades do país, deram a ele esse traquejo de tribuna, que o levou a obter uma das mais surpreendentes votações da história do país.

Depois das eleições, João Doria passou dias inteiros concedendo entrevistas para todos os meios de comunicação. Foi entrevistado diversas vezes pelos mais importantes programas de rádio e televisão, pelos grandes jornais e revistas do país. Nessas circunstâncias, sem a pressão da campanha eleitoral, seu desempenho foi ainda mais extraordinário.

Uma de suas habilidades, e que podemos usar na nossa comunicação na vida corporativa e no relacionamento social, é o de conversar com diversas pessoas e o tempo todo citar o nome de seus interlocutores. Com essa consideração, quem estava a seu favor estreita ainda mais essa aproximação. Quem estava contra, diminui sua resistência.

Como Doria ganhou no primeiro turno em São Paulo

Há poucos dias, num programa matutino da rádio Jovem Pan, quatro entrevistadores faziam perguntas a ele. Durante toda a longa entrevista não dava duas ou três respostas sem mencionar o nome de um, dois e até de todos os entrevistadores. Agia com tanta naturalidade e de forma tão contextualizada que em nenhum momento deu a impressão de se valer de uma técnica de comunicação.

Durante o debate no SBT, onde atuei como comentarista pelo UOL, pouco antes do início ele me chamou num canto e perguntou o nome de duas pessoas que fariam perguntas a ele. De maneira disciplinada anotou em uma folha de papel para ter certeza de que não cometeria enganos na hora de mencioná-los.

Um bom exemplo de comunicação para ser seguido. Ao participar de uma reunião, se for possível, anote o nome dos interlocutores e deixe o papel bem a sua frente. Se forem pessoas que esteja conhecendo naquele momento, havendo troca de cartões, coloque-os também a sua frente, tomando o cuidado de deixar cada um deles na direção da pessoa que o entregou.

No início da conversa encontre uma forma de repetir o nome de cada pessoa pelo menos duas ou três vezes. Assim saberá como chamá-las sem necessidade de consultar o papel ou os cartões. Essas informações ficarão a sua frente apenas para que tenha mais segurança, caso ocorra algum esquecimento.

Cuidado, entretanto, para não dar a impressão de que cita o nome das pessoas apenas como uma tática planejada. Poderá ser irritante e contraproducente, já que essa atuação artificial, em vez de aproximar, poderá afastá-lo ainda mais das pessoas. Agindo assim em todas as circunstâncias irá desenvolver tamanha habilidade que se comportará sempre com naturalidade. 

Aprenda e desenvolva o hábito de conversar com as pessoas mencionando o nome delas. Todos gostam de ouvir o próprio nome ser mencionado. É também demonstração de que se interessa e tem consideração por elas.

Ah, e ao mencionar o nome não se esqueça de olhar na direção delas.

Superdicas da semana

  • Procure não conversar com as pessoas sem saber o nome delas
  • Cite o nome das pessoas com quem conversar
  • Várias vezes
  • Tenha certeza de que não está pronunciando errado o nome do seu interlocutor

Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: "29 Minutos para Falar Bem em Público", publicado pela Editora Sextante, e "Assim é que se Fala", "Oratória para advogados", "Conquistar e Influenciar para se Dar Bem com as Pessoas", "As Melhores Decisões não Seguem a Maioria" e "Como Falar Corretamente e sem Inibições", publicados pela Editora Saraiva.

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Reinaldo Polito

Autor de 25 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares, dá dicas de expressão verbal para turbinar sua carreira.

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