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Reinaldo Polito

O que é melhor num projeto: mandar fazer ou deixar que façam?

Reinaldo Polito

Autor de 31 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares, dá dicas de expressão verbal para turbinar sua carreira.

24/04/2018 04h00

“É fazendo que se aprende a fazer aquilo que se deve aprender a fazer” (Aristóteles)

Suponha que precise do envolvimento dos profissionais para que a elaboração de um projeto seja bem-sucedida. Há duas possibilidades à sua disposição:

1 – Transmitir com detalhes a mensagem, orientando quais os passos que deveriam seguir no sentido de sua realização.

2 – Estabelecer as linhas gerais do plano a ser cumprido, e permitir que desenvolvam sozinhos cada uma das etapas para que a tarefa seja concluída.

Afinal, que tipo de procedimento é mais persuasivo em situações semelhantes a essa? Será que os resultados são mais positivos quando a participação das pessoas é ativa ou nos casos em que é passiva? Pesquisa realizada por W. Watts, publicada no Journal of Personality and Social Psychology (in Persuasion - Marvin Karlins e Herbert I. Abelson) traz respostas interessantes para essa questão.

Em um dos experimentos ele procurou verificar como as pessoas reagiriam sobre três temas distintos. Separou 140 estudantes universitários em seis grupos. Em alguns grupos os participantes deveriam apenas ler mensagens persuasivas elaboradas de maneira semelhante, sem discutir especificamente o tema avaliado – participação passiva. Aos outros foi solicitado que escrevessem argumentos que defendessem o tema proposto de forma convincente – participação ativa.

Foi concedido o mesmo tempo de oito minutos tanto para os participantes que leram as mensagens quanto para os que escreveram. Assim que concluíram a tarefa, preencheram um questionário para que dessem a opinião a respeito dos três tópicos. Seis semanas depois tiveram de dar novamente a opinião em outro questionário.

A primeira constatação de Watts foi a de que houve mudança marcante de opinião tanto naqueles que tiveram participação ativa quanto nos que agiram de forma passiva. O fato curioso é que após seis semanas, quando foi feita a segunda avaliação, os alunos que participaram de maneira ativa, escrevendo os textos persuasivos, conservaram de forma mais consistente as opiniões apresentadas na primeira verificação, quando comparados com aqueles que apenas leram as mensagens.

Esse estudo mostrou, portanto, que a participação ativa apresenta resultados bastante superiores à participação passiva. Ou seja, quanto mais as pessoas puserem a mão na massa, mais se envolverão.

Outros estudos realizados com objetivos semelhantes chegaram a resultados bem parecidos. Como, por exemplo, as pesquisas de A. Elms e as de Janis & Mann: “A atitude ativa, como forma de participação, é mais eficaz do que a participação passiva”. Assim como as conclusões de R. Wicklund, J. Cooper e D. Linder: “Quando as pessoas exercem maior esforço para ouvir uma mensagem persuasiva, modificam sua opinião no sentido sugerido pela mesma”.

Esses resultados indicam que devemos motivar a participação ativa das pessoas para que se envolvam com os projetos e tarefas que necessitem da sua dedicação. Como vimos, a retenção de informações por parte daqueles que participam ativamente é bem maior. Por isso, em aulas, reuniões, palestras e wokshops, sempre que possível, vale a pena instigar os participantes para que atuem de maneira ativa no processo.

Em outro estudo, Roethlisberger & Dickson mostram que no campo industrial a produtividade e satisfação do empregado aumentam quando este tem participação ativa na administração e em relação aos companheiros, em uma empresa de produção cooperativa.

Por isso, sempre que estiver falando em público ou liderando grupos de pessoas, se a circunstância indicar a conveniência, faça perguntas e permita que os participantes também perguntem, proponha exercícios, promova reuniões em grupos para discutirem os pontos abordados, elabore testes e peça opiniões a respeito das questões discutidas. Quanto mais as pessoas participarem, mais se sentirão envolvidas com a matéria estudada e com os resultados pretendidos.

Superdicas da semana:

  • Motive a participação ativa das pessoas
  • Quanto mais as pessoas participarem, mais envolvidas se sentirão
  • Quando as pessoas têm participação ativa guardam mais informações por tempo mais prolongado
  • Faça perguntas aos ouvintes e permita que perguntem, para melhorar o resultado de suas apresentações

Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: "29 Minutos para Falar Bem em Público", publicado pela Editora Sextante. "As Melhores Decisões não Seguem a Maioria", “Oratória para advogados”, "Assim é que se Fala", "Conquistar e Influenciar para se Dar Bem com as Pessoas" e "Como Falar Corretamente e sem Inibições", publicados pela Editora Saraiva. “Oratória para líderes religiosos”, publicado pela Editora Planeta.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL