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Reinaldo Polito

Aprenda a usar o silêncio para informar e passar segurança numa reunião

Reinaldo Polito

Autor de 31 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares, dá dicas de expressão verbal para turbinar sua carreira.

05/06/2018 04h00

“A música é o silêncio entre as notas” (Claude Debussy)

A pausa bem-feita é de fundamental importância para projetar uma imagem profissional segura e positiva. Veja no vídeo curto acima quais são os cuidados que deverá ter com esse recurso para que você seja ainda mais bem visto e valorizado na vida corporativa e no relacionamento social.

Talvez você já tenha observado como se comporta um profissional que se inicia como entrevistado em programas de rádio e televisão. De maneira geral, se expressa com insegurança. Começa a responder antes mesmo de o entrevistador concluir a pergunta, emenda as frases nas respostas, sem produzir pausas adequadas, tendo mesmo dificuldade para respirar.

O profissional traquejado, experiente, acostumado a dar entrevistas se apresenta de forma bastante distinta. Aguarda com paciência e atenção o entrevistador encerrar a questão formulada, faz as pausas apropriadas, demonstrando assim que tem domínio da matéria e que as entrevistas não são novidade para ele.

A pausa não revela sua importância apenas nas entrevistas, mas sim, e principalmente, nas apresentações do dia a dia na vida corporativa, seja participando de reuniões internas ou de encontros com clientes ou fornecedores. Nos processos de negociação, nas palestras, nos workshops, na defesa de propostas, na exposição ou venda de produtos, a pausa é fator decisivo para o sucesso profissional.

Aquele que fala truncando as ideias, ligando as frases de maneira apressada ou produzindo pausas demasiadamente prolongadas demonstra insegurança, descontrole emocional, falta de domínio sobre o assunto discutido. O interlocutor quase nunca percebe o motivo pelo qual o avalia de forma tão negativa, mas quase sempre a causa é o uso inadequado da pausa.

Considere as seguintes questões relacionadas à pausa em suas apresentações

Ao encerrar um pensamento, faça a pausa com a maior tranquilidade que puder. Assim, irá valorizar a mensagem que acabou de transmitir, dará oportunidade para que os ouvintes reflitam sobre as informações que acabou de passar, poderá criar expectativa sobre o conteúdo que comunicará a seguir e demonstrará que tem o controle do assunto que expõe.

Quando você passar várias informações relevantes, além das pausas realizadas no final de cada uma delas, faça uma pausa mais prolongada, para que os ouvintes tenham tempo maior para pensar sobre o conjunto todo. Isso pode ser feito tomando um gole de água, folheando as anotações que levou como apoio ou se valendo de qualquer atividade que possa ser vista como natural na apresentação.

Outro resultado interessante da pausa é obtido quando o orador, após concluir o pensamento, fica em silêncio por algum tempo olhando para os ouvintes. A impressão que passa nesses momentos de pausa silenciosa, mantendo o contato visual com as pessoas, é a de estar repetindo sem palavras a mensagem que acabou de transmitir.

Você já deve ter observado também que algumas pessoas contam piadas, e os ouvintes caem na gargalhada, enquanto outras, ao contar a mesma piada, não conseguem nenhuma reação do público. De maneira geral, a diferença do resultado entre um caso e outro reside no uso adequado da pausa. Quem consegue o timing correto obtém bons resultados, criando comicidade, envolvimento e risos da plateia. Aquele que não tem esse timing bem desenvolvido não tocará nem envolverá os ouvintes.

Certamente, o timing deve ser associado a uma série de fatores, como, por exemplo, as expressões faciais, a entonação da voz, a harmonia da expressão corporal, e a uma série de outros ingredientes que precisam ser considerados. A verdade, entretanto, é que pouco valerá a boa utilização de todos eles, se a pausa não for bem explorada.

Normalmente, as pessoas inseguras fazem as pausas, especialmente as mais prolongadas, e se incomodam com aqueles segundos de silêncio. Por isso, tentam preencher as “lacunas” com ruídos desnecessários, como, por exemplo, ããããã, ééééé. Treine fazer pausas sempre silenciosas. Essa atitude demonstrará o controle e o poder que você tem sobre o assunto que desenvolve.

Há ainda um ponto relevante a ser explorado na pausa. Para que ela seja perfeitamente utilizada, depois de um momento de silêncio prolongado, o orador deve voltar a falar com mais ânimo, com mais energia para demonstrar que naqueles instantes silenciosos estava optando pelas melhores ideias, e não porque as palavras haviam desaparecido.

O bom uso das pausas é um dos ótimos recursos para ajudá-lo a se sair bem nas apresentações. Observe como os bons oradores e os atores renomados se comportam, todos, sem exceção, usam de forma bastante apropriada a pausa. Com a prática e a observação constante dos bons exemplos que estão à sua volta, irá aprimorar cada vez mais esse poderoso aliado, ou para falar em público, ou para as conversas no dia a dia.

Superdicas da semana:

  • Procure fazer pausa silenciosa no final das frases e das informações relevantes
  • Durante as pausas, sempre que puder, continue olhando para os ouvintes
  • - Depois das pausas mais prolongadas, volte a falar com mais ênfase.
  • Faça das pausas um recurso poderoso na sua comunicação

Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: "29 Minutos para Falar Bem em Público", publicado pela Editora Sextante; "As Melhores Decisões não Seguem a Maioria", “Oratória para advogados”, "Assim é que se Fala", "Conquistar e Influenciar para se Dar Bem com as Pessoas", “Superdicas para escrever uma redação nota 1.000 no ENEM” e "Como Falar Corretamente e sem Inibições", publicados pela Editora Saraiva; “Oratória para líderes religiosos”, publicado pela Editora Planeta.

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