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Reinaldo Polito

Copa ensina a manter segredo num mundo em que espionagem corporativa cresce

Reinaldo Polito

Autor de 31 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares, dá dicas de expressão verbal para turbinar sua carreira.

04/07/2018 04h00

“O seu amigo tem um amigo, e o amigo do seu amigo tem outro amigo, portanto seja discreto” (Sêneca)

Podemos usar o exemplo da Copa do Mundo para evitar que assuntos relevantes sejam divulgados indevidamente. Veja no vídeo acima como devemos tomar cuidado ao falar em locais públicos a respeito de assuntos sigilosos.

Reflita – Como culpar alguém por não guardar seu segredo, se nem você mesmo conseguiu segurá-lo? Guardar segredo é uma arte que se aprende e se aprimora com o passar dos anos. Somente depois de nos envolvermos com as indiscrições daqueles que julgávamos dignos de confiança, é que descobrimos que a melhor maneira de guardar um segredo é não o revelarmos a ninguém.

Não devemos ver fantasmas em cada canto e imaginar que todas as pessoas são indignas de ouvir um segredo nosso. Por outro lado, nunca se pode saber com certeza se aquele que hoje é nosso grande amigo, assim permanecerá para sempre. A vida é plena de reviravoltas e surpresas. Por necessidade ou circunstâncias, as pessoas podem mudar.

Sem contar ainda que, ao revelar um segredo, estamos colocando um pesado fardo sobre os ombros de quem nos ouviu, pois essa pessoa terá o dever moral de se calar sobre ele. Ora, se revelamos um segredo, é porque sentimos dificuldade em guardá-lo para nós mesmos. Como exigir, então, que o nosso confidente mantenha o silêncio que para nós foi tão penoso?!

Há uma anedota antiga e conhecida que tem muito a nos ensinar. Um entrevistador pergunta a uma senhora quantos anos ela tinha. Depois de uns instantes de silêncio, ela responde com outra pergunta, indagando se ele poderia guardar essa informação em segredo. Sem hesitar, ele diz que sim. E a resposta dela foi: pois é, eu também posso.

Há, entretanto, segredos que devem ser guardados e outros que precisam ser compartilhados. Os que devemos guardar são aquelas informações que, provavelmente, só interessariam a nós mesmos. Os que precisam ser compartilhados são informações que, pela natureza do contexto, obrigatoriamente, necessitam da participação de outras pessoas.

Aí é que está a grande questão: quais são as pessoas que podem ter acesso a esses segredos? Por exemplo, quem deveria saber sobre um produto que foi preservado a sete chaves para que o seu lançamento fosse bem-sucedido? Ou um plano de aquisição de uma empresa que não poderia ser divulgado, para não alertar a concorrência? Ou ainda tantas outras informações que precisariam ser revestidas com o manto da discrição?

Dependendo do local onde o assunto sigiloso for tratado, o segredo poderá ser revelado sem que aqueles que conversam sobre ele percebam. É muito arriscado tratar em locais públicos de assuntos que deveriam ser preservados. Sempre poderá haver alguém interessado em ouvir uma conversa sigilosa no elevador, na fila do teatro, no saguão do aeroporto, dentro do avião, nos corredores da empresa, na mesa do restaurante.

Veja o que ocorre agora nos jogos da Copa do Mundo. Quando jogadores, técnicos, juízes conversam sobre assuntos que não gostariam que fossem revelados, colocam a mão na frente da boca para evitar a leitura labial. De vez em quando um se distrai, e as emissoras de televisão, com ajuda de especialistas, decodificam o que foi conversado tão reservadamente.

Como você não vai poder ficar o tempo todo com a mão na frente da boca ao tratar de assuntos reservados, tome o cuidado de analisar sempre o local escolhido para suas conversas. Mesmo que não haja ninguém à sua frente, saiba que, de longe, com a ajuda da tecnologia, alguém poderá captar seu diálogo.

Também não fale em voz alta pelo telefone em lugares como aeroportos ou saguões de hotéis. É um perigo. Ouvidos indiscretos poderão estar por perto.

Por falar em telefone, a experiência recente nos diz que cada vez mais as conversas estão sendo gravadas com facilidade. Portanto, se o assunto for muito importante e exigir sigilo, prefira sempre conversar pessoalmente.

São alguns cuidados que podem e devem ser tomados para que assuntos reservados não sejam revelados a pessoas que deveriam manter distância deles. Por isso, fique atento, pois a espionagem corporativa, que até há pouco tempo parecia ser quase só fantasia de cinema, está cada vez mais presente na nossa vida.

Superdicas da semana:

  • Cuidado para não conversar em locais públicos sobre assuntos sigilosos
  • Nunca fale ao telefone sobre o que precisa ficar em segredo
  • Ao receber visitas, não deixe nada que não possa ser lido sobre a mesa
  • Algumas pessoas têm a habilidade de ler textos que estejam de cabeça para baixo

Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: "29 Minutos para Falar Bem em Público", publicado pela Editora Sextante; "As Melhores Decisões não Seguem a Maioria", “Oratória para advogados”, "Assim é que se Fala", "Conquistar e Influenciar para se Dar Bem com as Pessoas" e "Como Falar Corretamente e sem Inibições", publicados pela Editora Saraiva; e “Oratória para líderes religiosos”, publicado pela Editora Planeta.

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