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Reinaldo Polito

Menino santista deu aula de civilidade quando pediu a camisa a Jailson

Bruninho, torcedor santista que pediu a camisa de Jailson - Reprodução
Bruninho, torcedor santista que pediu a camisa de Jailson Imagem: Reprodução
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Reinaldo Polito

Autor de 31 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares, dá dicas de expressão verbal para turbinar sua carreira.

Colunista do UOL

16/11/2021 04h00

Torne-te o que ainda não és. Fica o que já és agora.
Franz Grillparzer

Fiquei perplexo! Um menino de apenas nove anos, torcedor do Santos, em um gesto espontâneo cumprimentou Jailson, goleiro reserva do Palmeiras, e pediu a sua camisa. Para alegria do garoto, o jogador atendeu ao seu pedido. Pra quê?! Alguns torcedores santistas se revoltaram com a cena e passaram a hostilizar e a ameaçar de agressão o menino e o seu pai.

O menino se desculpou

O jovenzinho ficou assustado com o fato e enviou mensagem pelo Instagram se desculpando caso alguém tivesse se ofendido com o que fez. Afirmou que pediu a camisa do Jailson porque gosta muito dele. Disse também que admira o Weverton por ele ser da seleção brasileira. Deixou claro que não é palmeirense, mas sim santista. E repetiu essa informação algumas vezes. Ver o menino pedindo desculpas é de cortar o coração.

A atitude desses torcedores foi tão deplorável que a diretoria do clube convidou o menino e o pai dele para que assistissem ao jogo seguinte do Santos no camarote do estádio. Neymar foi outro que se manifestou pelas redes sociais apoiando o garoto. Até o técnico Tite se envolveu com o caso, e convidou Bruninho para conhecer os jogadores da seleção. Praticamente toda a imprensa se manifestou a favor dele. O bom senso prevaleceu nesse episódio.

As diferenças em família

Quantas famílias possuem torcedores de diversos clubes. Vibram quando vencem e ficam entristecidos com as derrotas. Fazem aquela gozação própria de quem acompanha futebol de forma apaixonada, mas nem por isso digladiam. Passado o momento, estão se confraternizando. Assim deve ser. E, cá entre nós, não apenas com o esporte, mas também, e principalmente, com a política.

Não se concebe pessoas que se estimam tanto romperem o relacionamento por causa de preferências ideológicas. Vejo por mim. Tenho alunos políticos de praticamente todos os partidos. Só para dar uma ideia, alguns presidentes das principais siglas partidárias passaram pelas minhas aulas. Apenas para citar alguns deles: Roberto Jefferson, presidente do PTB; Baleia Rossi, presidente do MDB; Valdemar Costa Neto, presidente do PL; Renata Abreu, presidente do Podemos. Só nesses casos citados há quase 5 milhões de afiliados, representando boa parte da população brasileira. Todos precisam ser considerados, apesar das posições divergentes.

Os adversários podem conviver

Em época de eleições, a recepção da escola parece um comitê político. Os adversários se encontram e se cumprimentam de maneira cordial. Jamais houve ali nenhum tipo de desentendimento por causa de diferenças políticas. Cheguei a treinar na mesma campanha três candidatos à prefeitura de Taubaté. E todos tinham informação de que os concorrentes frequentavam o mesmo curso, e nunca se incomodaram. O mesmo ocorreu com dois adversários que competiam pela prefeitura de Araraquara.

Ter posições políticas, discutir por uma causa e lutar por um ideal é saudável, e faz parte da boa convivência humana. O que deve ser evitado é levar esse antagonismo para o lado pessoal, sem respeitar a liberdade de escolha de cada um. Talvez o caso desses torcedores, que foram intolerantes com o menino Bruninho, só pelo fato de ele admirar um jogador do time adversário, funcione como alerta para todos nós.

Tomara que nos sirva de lição, e que possamos sempre refletir sobre as nossas ações em qualquer disputa que venhamos a empreender, seja na política, no esporte, na vida profissional, ou no relacionamento com amigos e familiares, para exercitarmos a todo momento o respeito e a compreensão com aqueles que pensam de forma diversa da nossa.

Superdicas da semana

  • Aprender a respeitar as diferenças é uma conduta que se aprende
  • Aqueles que pensam de forma diversa da nossa não são contra nós, mas a favor de suas convicções
  • Sempre haverá um ponto de convergência que possa aproximar as pessoas
  • Exercitar a tolerância e a compreensão nos torna mais felizes

Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobe esse tema: "Conquistar e influenciar para se dar bem com as pessoas", "Como falar corretamente e sem inibições", "Comunicação a distância", "Os segredos da boa comunicação no mundo corporativo", "Saiba dizer não sem magoar os outros" e "Oratória para advogados", publicados pela Editora Saraiva. "29 minutos para falar bem em público", publicado pela Editora Sextante. "Oratória para líderes religiosos", publicado pela Editora Planeta.

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