PUBLICIDADE
IPCA
1,06 Abr.2022
Topo

A Companhia

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Quanto a Suzano pode ganhar com a tendência de alta da celulose?

Divulgação
Imagem: Divulgação
Conteúdo exclusivo para assinantes
Márcio Anaya

Jornalista especializado em Economia, com pós-graduação em Mercado de Capitais pela Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) – USP. Trabalhou como repórter e editor de companhias abertas por cerca de 20 anos, integrando as redações da Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Atua desde 2018 como colaborador de portais de investimento e entidades sem fins lucrativos

Colaboração para o UOL, de São Paulo

22/03/2022 09h00

Esta é uma versão online resumida da edição desta semana da newsletter A Companhia, que detalha os dados de uma empresa em destaque no mercado. Para assinar o boletim semanal e ter acesso ao conteúdo completo, clique aqui.

O destaque da newsletter A Companhia nesta semana é a Suzano (SUZB3), selecionada por José Francisco Cataldo Ferreira, superintendente da Ágora Investimentos.

Ele avalia que a empresa apresentou resultados ligeiramente melhores do que o esperado no quarto trimestre de 2021, com destaque para o Ebitda (geração operacional de caixa), que atingiu o valor recorde de R$ 6,36 bilhões, com alta de 60% no comparativo anual.

Segundo o executivo, as pressões de custo e os preços mais baixos da celulose no período foram compensados pela valorização do dólar, favorecendo o Ebitda da companhia.

"Esperamos que o lucro da Suzano melhore nos próximos trimestres, impulsionado pelos preços mais altos da celulose, enquanto os custos-caixa relativos ao produto podem ter atingido o pico no fim do quarto trimestre de 2021, com tendência de queda daqui para frente", diz Cataldo.

Na opinião do especialista, a demanda mais forte do que o esperado no mercado global de celulose favorece os preços do produto de fibra curta, para o qual se espera um valor médio de US$ 650 por tonelada neste ano.

Após valorização de 2,7% em 2021, as ações da Suzano acumulam ganho de 3,7% neste ano, até o dia 17 de março.

Saiba mais sobre a Suzano

A Suzano é uma das maiores produtoras de celulose com fábricas integradas de papel do mundo.

A companhia produz celulose de mercado, celulose fluff (usada em absorventes e fraldas, por exemplo) e papel - cujo portfólio inclui produtos para imprimir e escrever, revestidos e não-revestidos; papelcartão; e tissue (encontrado em papel-toalha, guardanapo e produtos de higiene pessoal).

Atualmente, o grupo possui fábricas nos estados de São Paulo, Bahia e Maranhão, além do controle da FuturaGene, empresa de biotecnologia. No exterior, mantém escritórios de representação na China e Inglaterra e controladas nos Estados Unidos, Suíça, Argentina e Áustria.

Por que as ações da Suzano são uma oportunidade para investir?

Considerando a visão positiva dos analistas da Ágora sobre a dinâmica do mercado de celulose em 2022, Cataldo reforça a aposta em Suzano. De acordo com ele, a oferta da matéria-prima tem frustrado continuamente as expectativas, o que, combinado com problemas logísticos, vem reduzindo os estoques dos consumidores.

Nessa conjuntura, o rali dos preços da celulose se mantém, ressalta o especialista.

"A combinação de paralisações inesperadas (por exemplo, greves, eventos relacionados ao clima, impactos da guerra Rússia-Ucrânia), atrasos em projetos de expansão, gargalos logísticos e baixos estoques nas mãos dos fabricantes de papel deve manter o fornecimento de celulose apertado", prevê o executivo.

Com isso, ele acredita que os preços da celulose poderão seguir em patamares elevados nos próximos meses - diferentemente da situação de "boom e queda" registrada em 2021, quando as papeleiras chinesas estavam bem estocadas.

A Ágora estima que o preço da celulose de fibra longa pode subir US$ 100 a tonelada na China em abril, ao passo que a celulose de fibra curta pode aumentar entre US$ 50 a US$ 80 a tonelada.

Conforme a corretora, os preços do papel também devem apresentar tendência de alta nos próximos meses, pois os fabricantes estão sob forte pressão, derivada de produtos químicos, custos de energia etc.

"Todos os olhos estão agora na capacidade dos fabricantes de papel chineses de repassar custos mais altos aos preços, o que é um fator de risco relevante a ser observado."

Pontos a favor

  • Balanço entre oferta e demanda no mercado global de celulose está apertado, o que deve se refletir em melhores preços em 2022;
  • Nos próximos trimestres, existe expectativa de alta nos preços da celulose na China, enquanto os valores na Europa permanecem elevados;
  • Para o fim do ano, a Ágora espera que a Suzano gere cerca de R$ 12 bilhões de fluxo de caixa livre do acionista (recurso disponível após a empresa ter realizado o pagamento de todos os seus custos, dívidas e investimentos) e projeta a dívida líquida (endividamento total menos os recursos em caixa) em cerca de R$ 53 bilhões. Esses números seriam melhores do que em 2021.

Pontos contra

  • Pressões de custo têm afetado as margens de lucro da companhia. A corretora espera que esse efeito se estabilize e diminua ao longo de 2022, todavia é um ponto a ser acompanhado;
  • Alguns detalhes do Projeto Cerrado (nova fábrica no MS) permanecem obscuros, como o potencial florestal e o investimento em terras, por exemplo;
  • Chance de problemas inesperados no balanço entre oferta e demanda no mercado global de celulose e papel, em função do conflito no leste europeu.

Exclusivo: Análise gráfica, avaliação de preço e perfil de investidor

Acesse a versão integral da newsletter A Companhia para ver as perspectivas da empresa no médio e longo prazo e para saber para que perfil de investidor esta ação é mais indicada. Saiba também se ela está barata ou cara e quais os valores de compra e venda recomendados por uma análise gráfica exclusiva.

LEIA MAIS NA NEWSLETTER

Quer mais análises de investimentos? Na newsletter, você confere outros conteúdos exclusivos sobre oportunidades na Bolsa.

Assinante UOL tem acesso a todos os conteúdos exclusivos do site, newsletters, blogs e colunas, dicas de investimentos e mais. Para assinar o boletim A Companhia e conhecer nossas outras newsletters, clique aqui.