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Alexandre Pellaes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Cuidado! Não deixe seu emprego emburrecê-lo

Road Trip with Raj/Unsplash
Imagem: Road Trip with Raj/Unsplash

Colunista do UOL

29/04/2022 04h00

Qual é a razão de existir de uma empresa?

Atender necessidades e apresentar soluções por meio de seus produtos e serviços? Contribuir com impacto social positivo pela distribuição de renda e oferta de empregos? Remunerar acionistas que investiram em determinada proposta de valor?

Acelerar pesquisas e inovações em áreas nas quais governos ainda não reconheceram oportunidades ou demandas? Oferecer experiências de desenvolvimento para seus colaboradores(as), enquanto utiliza sua capacidade produtiva de acordo com parâmetros pré-negociados?

Todas as anteriores? Nenhuma delas?

Várias organizações têm se movimentado para criar seus "propósitos", com declarações sobre o valor que gostariam de entregar para a sociedade. Infelizmente, grande parte delas faz um exercício tão superficial e genérico que poderiam trocar frases umas com as outras e ninguém se daria conta.

Em sua maioria, e considerando o contexto histórico de foco na produção e vendas, as empresas costumam enxergar como propósito apenas a contribuição que podem entregar da porta para fora, ou seja, oferta de valor para consumidores e para o seu potencial mercado. Como consequência, fica em segundo (ou terceiro, quarto, quinto...) plano o papel das organizações de cuidar e desenvolver suas equipes.

No entanto, nos últimos anos, a dificuldade de atrair talentos e as movimentações inesperadas de mercado, como o chamado "great resignation" ou "grande renúncia" - movimento de demissão espontânea que acontece em vários países do mundo - têm pressionado as organizações a encarar uma realidade que fica cada vez mais evidente: no futuro, somente serão bem-sucedidas as empresas que se posicionarem como plataformas de desenvolvimento humano, geração de valor e construção de legado para a sociedade.

Portanto, reconhecendo que trabalho é mais do que uma relação contratual de tempo e esforço em troca de dinheiro (para saber mais, leia o artigo de estreia desta coluna), é importante que as pessoas possam se desenvolver enquanto trabalham.

Como é essa questão para você? Você sente que está aprendendo e se desenvolvendo no seu emprego?

Infelizmente, grande parte das pessoas não sente nadinha de evolução individual nas empresas em que trabalham. Aliás, muitas até sentem que estão emburrecendo em empregos engessados e estruturas antiquadas, cheias de líderes que não se conectam com o compromisso de contribuir com o crescimento das pessoas e de criar relações saudáveis.

É triste, mas é verdade... Há muitas empresas que não têm consciência ou interesse algum no desenvolvimento das pessoas. Existem até empresas mais "arrumadinhas pra festa" e premiadas que estão cheias de áreas abandonadas e com pessoas acinzentadas.

É possível que você já tenha estado ou esteja em uma empresa ou em uma área com esse perfil.

O resultado inevitável é o sentimento de emburrecimento corporativo:

Uma espécie de torpor e desânimo que faz com que sua capacidade de aprendizado e concretização de potencial vá ficando menor e menor, até adormecer de vez.

Fique atento(a) e analise se você está sofrendo com estes sinais:

- Rotina excessivamente repetitiva e falta de ânimo para criar ou melhorar os processos;

- Raiva da empresa ou da liderança, mas apatia para expressar os problemas com raciocínio lógico do ponto de vista humano e organizacional;

- Reclamações repetidas e rodas de fofoca;

- Preguiça de assumir novas responsabilidades em projetos mais desafiadores, porque você "não vai ganhar nada com isso";

- Trabalho operacional em vagas estratégicas e gerenciais, cedendo à insegurança da liderança (ou seja, preferência por fazer o que é mais "fácil");

- Falta de ânimo para participar das reuniões e levar sugestões construtivas;

- Passividade na ação e falta de iniciativa (só faz o "seu trabalho" e reage só quando pedem).

Se você estiver enfiado(a) nesse tipo de ambiente, respire fundo e levante a cabeça. Busque identificar como você pode utilizar a empresa para mostrar mais o seu potencial e o que a sua intenção e conhecimento podem trazer de impacto positivo para você, para as pessoas e para a organização. Busque mentores(as) e aliados(as).

Nenhuma empresa e nenhum(a) chefe tem a capacidade de fazer você se tornar um(a) profissional medíocre - só se você deixar. Não deixe.

Fuja ou ajude a transformar a organização. Acomodar-se, certamente, vai emburrecê-lo.

Você acredita que sua empresa é um bom lugar para desenvolvimento?

Envie seu feedback ou sua pergunta.

Um grande abraço e muito bom trabalho.

Lugares Incríveis Para Trabalhar

Alexandre Pellaes é colunista do Lugares Incríveis Para Trabalhar, uma iniciativa do UOL e da FIA para reconhecer as empresas que têm as melhores práticas em gestão de pessoas. Os vencedores do prêmio são definidos a partir da pesquisa FIA Employee Experience (FEEx), que mede a qualidade do ambiente de trabalho, a solidez da cultura organizacional, o estilo de atuação da liderança e a satisfação com os serviços de RH. As inscrições para a edição 2022 estão abertas e vão até 30 de maio.