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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Investimentos prefixados valem a pena?

Allanswart/iStock
Imagem: Allanswart/iStock
Júlia Mendonça

Júlia Mendonça é formada em comércio exterior pela Universidade Positivo. Atuou como planejadora financeira entre 2015 e 2018. Especialista em orientação e planejamento financeiro pessoal, é coach e consultora de finanças, pós-graduada em investimentos, finanças e banking. É influenciadora digital no nicho de finanças e investimentos em um dos maiores canais do assunto na área do Brasil.

29/04/2021 04h00

A baixa rentabilidade da renda fixa tem feito o investidor buscar novas alternativas para ganhar mais nesse tipo de investimento. Os ativos que têm sobressaído nessa situação são os com taxas prefixadas.

Existem diversas instituições oferecendo esses tipos de CDBs com rendimentos superiores a 10% ao ano, e o Tesouro prefixado normalmente paga mais que o Tesouro IPCA e o Tesouro Selic. A tentação para aplicar o dinheiro nesses investimentos é enorme, principalmente porque à primeira vista ele parece uma aplicação sem grandes riscos, o que nem sempre é verdade.

Separei alguns dos pontos para os quais você precisa atentar caso deseje investir nos investimentos que têm taxas prefixadas.

Maior rentabilidade

Quando comparamos os investimentos que têm taxas prefixadas com outros de renda fixa, percebemos que hoje eles apresentam maior rentabilidade quando comparados aos outros ativos de renda fixa, como aqueles que seguem a inflação ou a taxa de juros. Hoje o Tesouro Selic rende 2,75% ao ano, enquanto o Tesouro IPCA rende aproximadamente 4% acima da inflação. Enquanto isso, é possível encontrar CDBs prefixados rendendo mais de 10% ao ano.

Analisando esses dados parece ser óbvia a escolha pelos investimentos prefixados, porém existem diversas armadilhas que podem fazer você perder dinheiro nesses ativos. O Tesouro prefixado permite que você resgate o seu dinheiro a qualquer momento antes do vencimento.

Porém, esse título sofre com marcação a mercado, que é uma atualização no preço do ativo, fazendo com que ocorra uma oscilação nele e assim, se precisar resgatar seu título antes do vencimento, pode acabar sacando-o com prejuízo.

Já em ativos como CDB, você não tem essa possibilidade de resgate antes do vencimento. Se comprou um CDB e ele vai vencer no dia 23 de maio de 2025, antes desta data não tem a possibilidade de vendê-lo, ou seja, seu dinheiro fica preso e você não poderá contar com essa grana antes do prazo.

Inflação

O segundo ponto que você precisa tomar cuidado é a inflação. Ativos prefixados não contam com a proteção do seu dinheiro em relação ao aumento de preços. Na prática, se você tem um investimento com taxa prefixada de 7% e a inflação no ano é de 8%, isso resulta em uma perda de 1% ao ano em seu poder de compra.

É importante que você saiba disso já que os investimentos prefixados normalmente são oferecidos com médio prazo, ou seja, mais de 5 anos de vencimento. Durante esse tempo não é improvável que o Brasil passe por momentos de alta inflação.

Por isso, se desejar colocar seu dinheiro nesse tipo de investimento é importante que seja somente uma pequena parte do seu patrimônio.

CDBs

Os CDBs prefixados com taxas atrativas normalmente são emitidos por instituições financeiras menores, que eventualmente podem não ter uma boa saúde financeira. Por esse motivo eles precisam buscar vantagens para atrair investidores e uma dessas vantagens é a taxa oferecida.

Existe uma instituição chamada FGC que protege em até R$ 250 mil por CPF por instituição financeira o dinheiro do investidor. Então, se você tem até R$ 250 mil investidos em um banco que declare falência, vai receber seu dinheiro de volta.

Isso traz mais segurança para o investidor que deseja ganhar mais com essas instituições. Apesar disso, não use essa garantia para assumir riscos que não está disposto a encarar. É como sair dirigindo por aí de forma irresponsável apenas porque o carro possui seguro.

Se você está atento aos pontos apresentados e sabe os riscos aos quais está sujeito, vale a pena, sim, procurar investimentos prefixados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL