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Síndrome da Rã Fervida: você se acostuma a situações ruins com o dinheiro?

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone é economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

22/12/2020 04h00

Se você chegou a esta coluna e te chamou a atenção as palavras "rã fervida" no título, pode ter achado que irá encontrar algo de biologia ou bruxaria. Mas se engana.

Na verdade, nossa conversa é sobre uma fábula baseada em leis da física, que no fundo fala de adaptação e comodismo. Como sempre, irei relatar como isso pode ter tudo a ver com o seu bolso.

Esta é uma das últimas colunas do ano e, por isso, resolvi falar de dinheiro de uma maneira diferente. O que o Econoweek mais recebe no Instagram são mensagens de pessoas que querem mudar algo nas finanças: ganhar mais, sair das dívidas ou investir melhor são os pedidos mais recorrentes.

Antes de explicar a fábula, reflita sobre estas duas perguntas:

  1. O que você gostaria de mudar na sua vida financeira?
  2. Você tem feito alguma coisa para mudar isso de verdade?

A fábula

A história a seguir foi feita pelo escritor e filósofo francês Olivier Clerc e conta que se uma rã é jogada em uma panela com água fria, o corpo dela se adapta à temperatura.

Conforme a água vai sendo fervida em uma velocidade bem baixa (abaixo de 0,02ºC por minuto), a temperatura da rã vai subindo, mas sem que ela perceba o perigo.

A rã fica parada enquanto gasta sua energia para se adaptar. Quando a água já estiver quente demais, é tarde: ela morre porque não tem mais forças para conseguir dar um pulo para fora da panela.

Agora, se você ferver a água sem a rã e jogá-la lá dentro quando o líquido já estiver borbulhando, o animal toma um susto, dá um pulo e sobrevive.

Vale lembrar, não tente fazer isso em casa!

Moral da história

Isso significa que ao esquentar a água aos poucos, a rã não percebe o risco que corre, nem que deveria sair daquela situação. Ela só reage se a mudança for drástica, como a água já queimando a sua pele.

Já associou a alguma situação da sua vida?

Essa fábula pode se enquadrar em várias ocasiões. Eu a conheci pelo canal Acidez Feminina, que fez uma analogia com relacionamentos. Com o dinheiro, não é tão diferente assim.

Neste ano, conheci meu namorado, uma pessoa que não tem o hábito de poupar. Chegou até a ter nome sujo.

Ele conta que gastava tudo no cartão de crédito, comprava muitas roupas, presentes para todo mundo, entre outros deslizes. O pensamento era algo como: "já que estou endividado, então vou gastar mais".

Pensamentos assim não ocorrem só nas dívidas. Já vi pessoas afirmando que, por não ganharem bem, iriam se preocupar em guardar e investir dinheiro somente no futuro. Outros pensam que pelo Tesouro Selic render pouco não vale a pena sair da poupança para ter um retorno levemente superior.

Por outro lado, se alguém te apresentasse as situações financeiras já apontando a consequência, provavelmente você pensaria duas vezes antes de seguir fazendo o hábito ruim. Quem acumula pequenas dívidas aos poucos pode um dia se ver com uma conta de mais de R$ 10 mil para pagar.

Quem não investe pode no futuro ter de trabalhar até os 70 anos porque não tem reserva nenhuma. Já quem não se preocupa em ter investimentos que rendam mais que a inflação pode estar perdendo poder de compra, ou seja, a cada ano, o dinheiro guardado compra menos itens.

Se eu tiver que deixar um recado para 2021 é: não se acostume a situações ruins porque elas vêm aos poucos. E não ache que é impossível escapar. Se esperar mais tempo, pode ser que você não tenha mais energia e saia queimado.

Nesta semana ainda teremos mais duas colunas resultado de lives do canal. Mas aproveito para já desejar ótimas festas a todos e, se não estiver pelo nosso Instagram, nos vemos em 2021!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.