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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Votei no Bolsonaro e me arrependi! Entenda a minha revolta como economista

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César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

25/06/2021 04h00

Você votou no Bolsonaro e está arrependido? Muita gente também está, mas fica constrangida em assumir.

No vídeo acima, comentei por que sou mais um que votou no Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2018, mas estou muito insatisfeito com a condução do atual presidente em temas como:

  • Economia
  • Combate à corrupção
  • Pandemia
  • Postura política

Quero ressaltar que já não era fã do Bolsonaro e ele não teve meu voto no primeiro turno das eleições de 2018, quando votei no candidato que melhor representava as ideias nas quais acredito. Mas depois de 13 anos de PT na presidência, erros econômicos que levaram à crise que ainda não vencemos, descalabros fiscais e gastos exagerados, além de escândalos de corrupção, como o Mensalão, medi que votar em um candidato do PT no segundo turno seria como endossar o mau comportamento.

Eu não tinha grandes expectativas quanto ao governo Bolsonaro, mas confesso que ele foi capaz de frustrar até as perspectivas mais modestas. Vamos a elas:

Economia

Apesar de o Bolsonaro não ter histórico liberal e sempre ter mantido a linha "estatizante", com o discurso da campanha e Paulo Guedes como Ministro da Economia foi prometida condução fiscal responsável, com moderação nos gastos e reformas importantes. Doce ilusão!

A reforma da Previdência foi aprovada com desidratação, com militares, policiais e forças de segurança de fora, público preferido de Bolsonaro. Não há demérito algum para esses profissionais, cruciais para o Brasil, mas sempre há um grupo preferido que não divide a conta. E desta vez não foi diferente.

Reformas como a Administrativa não dão sinais de progresso e há indicações de que o topo da pirâmide do funcionalismo, que goza de supersalários e férias estendidas, como juízes, desembargadores, ministros, políticos entre outros podem ficar de fora, justamente onde há maiores dispêndios de dinheiro público e estão concentrados os privilégios. Então os servidores com salários mais modestos acabarão pagando toda a conta.

A reforma tributária, que teria potencial de simplificar os complicados e caríssimos impostos brasileiros, não só não anda como há chance de recriação da CPMF e taxação sobre dividendos, possivelmente sem contrapartidas. Se isso se comprovar, é mais imposto, mais custo-Brasil e menos negócios e empregos que poderiam ser gerados. Todos perdem.

As privatizações, então... Nem vou comentar. Quais andaram? Dentre as promessas, nenhuma importante ainda sequer ocorreu e a da Eletrobras, em trânsito, veio acompanhada de diversos jabutis que prestam favores a lobistas e políticos.

Pandemia

No combate à pandemia, está ficando cada vez mais claro que o que Bolsonaro sempre quis foi "encurtar o tempo de sofrimento". Para isso, a imunidade de rebanho via contaminação acelerada foi o caminho adotado.

Bolsonaro sabotou a compra de vacinas, incentivou aglomerações, desestimulou o uso de máscaras e propagandeou criminosamente o uso do chamado Kit Covid, com ineficácia comprovada ao combate à Covid, cuja intenção sempre foi gerar falsa sensação de proteção para acelerar a contaminação.

Por trás disso tudo havia uma crença equivocada de que quanto mais rápido a pandemia contaminasse os brasileiros, mais cedo iria embora e os impactos econômicos seriam encurtados.

Bolsonaro estava errado: os países que vacinaram mais cedo e massivamente foram os primeiros a sair da crise, enquanto permanecemos nela, e as vidas perdidas também representam menos geração de receita para as famílias enlutadas e menos PIB para a sociedade brasileira.

A intenção é uma só: se reeleger. A vida de cada brasileiro? Pouco importa para Bolsonaro. Caso contrário não insistiria na mesma estratégia mesmo em face de 500 mil mortos.

Negacionismo, "toma-lá-dá-cá" e corrupção

Bandeiras como combate à corrupção e fim da "velha política", com negociação com políticos, como Bolsonaro afirmava, foram por água abaixo.

Há fortes indícios de corrupção no governo e na família Bolsonaro e a aliança com o centrão é um dos elos que mantém Bolsonaro no cargo, embora o presidente não tenha o tamanho da cadeira que ocupa.

Explorei com mais detalhes esse tema no vídeo do topo deste artigo, que convido você para assistir e participar das discussões nos comentários.

Alguns até se perguntam se o impeachment seria a melhor saída, como explicamos aqui.

Onde vamos parar?

Infelizmente, os erros do PT, com táticas de extremismo (que são ainda mais marcantes no Bolsonarismo) propiciaram a eleição do Bolsonaro, que, por sua vez, provavelmente vai gerar a volta do PT ao poder em 2022, em um ambiente cada vez mais polarizado e sem espaço para alguém sensato ter chance de ganhar votos.

Afinal, muita gente vota logo no primeiro turno em um com medo de o outro voltar ao poder, com medo do comunismo, da ditatura, do fim das políticas para os pobres, com medo do mercado financeiro ou qualquer outra sandice que os políticos querem que você acredite para ficar apavorado e ganhar seu voto.

O Brasil merece bem mais que isso!

No vídeo logo abaixo, explico por que há grandes chances de Lula voltar à Presidência nas eleições de 2022 com apoio inclusive do mercado financeiro.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL