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Mariana Londres

REPORTAGEM

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Mercado rejeita indicações de Lula na economia, e juros futuros explodem

Lula e Mercadante, anunciado como futuro presidente do BNDES - Ricardo Stuckert
Lula e Mercadante, anunciado como futuro presidente do BNDES Imagem: Ricardo Stuckert

Do UOL, em Brasília

13/12/2022 19h08

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Não foi boa a reação do mercado às indicações de Gabriel Galípolo como número dois da Fazenda e Aloizio Mercadante como presidente do BNDES nesta terça-feira (13), e mais do que oscilações no Ibovespa ou no dólar, foi a explosão dos juros futuros, com suspensão de negociação, que mostrou a preocupação dos agentes econômicos com o comando econômico do país a partir de 2023.

Na semana passada, eu dizia aqui na coluna que a confirmação do nome de Fernando Haddad na Fazenda não tinha mexido no mercado porque além de sua indicação já estar "precificada", ainda havia a esperança de um "combo" da área econômica com maior aceitação. Mas o mix de perfis não veio, e a equipe anunciada até agora é mais petista raiz do que o mercado gostaria.

Isoladamente, o anúncio de Gabriel Galípolo seria uma notícia positiva ou neutra para o mercado. O economista tem trânsito e aceitação dos agentes econômicos e é bem visto - apesar de não ser o nome dos sonhos- para ser o número dois de Haddad. Mas a indicação não foi capaz, ao longo do dia, de conter as altas nos juros futuros diante da confirmação do nome de Aloizio Mercadante para o comando do BNDES, que carrega ainda a desconfiança de que o PT pode fazer alterações na Lei das Estatais para que ele possa ser presidente do banco.

Por que os juros sobem? Os juros futuros sobem quando o mercado, após anúncios ou sinalizações, percebe aumento do risco, que pode ser motivado por sinalizações de descontrole maior das contas públicas, aliado à perspectiva de baixo crescimento, inflação persistente e necessidade do Banco Central manter os juros elevados por mais tempo. O preço dessa desconfiança é cobrado nos juros.

O que o mercado teme com Mercadante no BNDES? No caso específico da indicação de Mercadante para o BNDES, o mercado teme:

  • uma gestão mais intervencionista;
  • juros subsidiados para algumas empresas (lembrando a política das campeãs nacionais), gerando desequilíbrio fiscal e de crédito;
  • alteração na lei das Estatais, permitindo indicações e uso político.

Os juros DI têm oscilado e estão em trajetória de alta desde a eleição do presidente Lula, sinal de que, no quadro geral, suas ações e sinalizações não têm sido bem recebidas.

Nesta terça-feira (13), a explosão dos números veio no momento do anúncio de Mercadante e da fala de Lula sobre o fim das privatizações.

Os juros futuros podem continuar subindo se de fato forem feitas alterações na Lei das Estatais e se Nelson Barbosa, outro nome rejeitado pelo mercado, fizer dobradinha com Mercadante no BNDES.

As altas de juros futuros e Lula

  • A lua de mel entre Lula e o mercado sinalizada pelas oscilações dos juros futuros terminou quando o presidente eleito voltou do descanso na Bahia e em seu primeiro discurso na sede da transição criticou a regra de ouro, que impõe limites ao endividamento;
  • Os juros futuros subiram novamente quando foi apresentado o texto da PEC da Transição com valor de R$ 200 bi fora do teto de forma permanente.
  • Os juros futuros depois caíram com as alterações no texto da PEC (redução de valor e prazos e a não retirada do Bolsa Família do teto de gastos) e com aumento da aceitação do nome de Haddad para o comando da Fazenda.