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Mariana Londres

REPORTAGEM

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Lula deve testar Galípolo para transformá-lo no sucessor de Campos Neto

Gabriel Galípolo, secretário executivo da Fazenda e indicado para diretoria do BC - Reprodução / Reinaldo Canato/Folhapress
Gabriel Galípolo, secretário executivo da Fazenda e indicado para diretoria do BC Imagem: Reprodução / Reinaldo Canato/Folhapress

Do UOL, em Brasília

09/05/2023 04h00

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Indicado para a diretoria de política monetária do Banco Central, o número dois do ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo, tende a ser um contraponto nas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom). Galípolo terá espaço para defender uma queda antecipada dos juros, pois tudo indica que Lula pretende transformá-lo no sucessor de Roberto Campos Neto na presidência a partir de 2025.

O colegiado é formado pelo presidente e pelos oito diretores do Banco Central e decide a cada 45 dias a taxa básica de juros da economia. A visão do cotado para assumir a presidência da autoridade monetária terá um peso.

Apesar de Lula atacar os juros altos, chamar Roberto Campos Neto de "esse cidadão" e dizer que ele "não pode estar falando a verdade" (isso no último sábado em Londres), a indicação de Gabriel Galípolo para a diretoria do BC não foi feita para bater de frente com o presidente do Banco Central. A escolha foi de consenso. Seu histórico no mercado e o fato de não ser um quadro do PT fizeram com que Galípolo mantivesse uma boa relação com Roberto Campos Neto, que defendeu a sua indicação.

Ainda na campanha, e no seu período na pasta, conquistou também o presidente Lula. O anúncio só demorou porque o ministro Fernando Haddad não queria abrir mão do seu número dois sem antes encontrar um substituto.

O presidente do BC, portanto, não foi contrariado pela escolha de Lula. Mas não podemos desconsiderar que a ligação do futuro diretor com o governo o deixará mais vulnerável a pressões do Executivo. Nenhum diretor é capaz de reduzir os juros sozinho: são nove votos, mas Galípolo tende a fazer algum contraponto nas decisões do Copom. Ele será testado, e se passar no teste, Lula terá uma pessoa mais próxima na presidência do BC na segunda metade do mandato.

O cenário é de início de um ciclo de queda da Selic. Se a queda se confirmar, assim que houver redução de juros, independente da atuação de Galípolo, ele será fortalecido e com mais chances de se tornar o presidente do BC.

A atuação do diretor de política monetária não se restringe ao voto sobre os juros no Copom. A cadeira é extremamente técnica e a capacidade técnica de Galípolo também será testada. O nível de exigência é muito alto e Bruno Serra era considerado tecnicamente exemplar.

Gabriel Galípolo também é bem visto pelos senadores, que aprovam ou barram as indicações do presidente da República para o Banco Central. Ele vem construindo um bom diálogo com o Congresso e não deve ter problemas para ter a sua indicação aprovada. Nesta segunda-feira (8), o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD/MG), disse que trata-se "de um nome que agrada ao Senado". A oposição deve ser dura nos questionamentos na sabatina, por obrigação política, mas por ser minoritária, não terá como barrar a aprovação.

Além de Galípolo, Lula vai indicar Ailton Aquino dos Santos para a diretoria de fiscalização do BC. As duas indicações para as diretorias do BC foram bem vistas pelos servidores, mas a de Ailton Aquino dos Santos foi mais comemorada internamente. Ele é servidor de carreira, de atuação impecável. Ao ser aprovado, Ailton Aquino dos Santos se tornará o primeiro diretor negro da instituição.