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Dólar salta quase 4% e fecha a R$ 5,199, novo recorde, mesmo com ação do BC

Do UOL, em São Paulo

18/03/2020 17h05Atualizada em 18/03/2020 17h39

O dólar comercial fechou em alta de 3,94%, cotado a R$ 5,199 na venda, mesmo com a atuação do Banco Central. É novamente o maior valor nominal (sem considerar a inflação) de fechamento desde a criação do Plano Real. Em março, a moeda acumula alta de 16,03%. No ano, a valorização chega a 29,56%.

Investidores estão receosos sobre o impacto econômico do coronavírus e aguardam a decisão do BC sobre a taxa básica de juros (Selic), prevista para esta quarta-feira (18).

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

O dia foi marcado por uma onda global de aversão a risco, num momento em que a pandemia de coronavírus força governos a impor quarentenas generalizadas, gerando interrupções que podem levar a economia mundial a uma recessão.

A forte alta do dólar não foi exclusividade do mercado brasileiro. O dólar se valorizava globalmente, inclusive contra iene e franco suíço, moedas consideradas seguras e buscadas em tempos de incerteza.

"Enquanto não houver todo um arcabouço de medidas em todos os países para ajudar a economia e enquanto não tiver uma desaceleração da curva de contágio, os investidores continuarão se refugiando no dólar", disse Álvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais.

Estado de calamidade e risco de recessão

O governo brasileiro enviou ao Congresso o pedido de reconhecimento de estado de calamidade pública devido à pandemia e seus impactos na saúde dos brasileiros e na economia do país. A medida, se aprovada, abre espaço para o governo elevar seus gastos sem precisar cumprir a meta fiscal.

O banco Credit Suisse cortou a estimativa de crescimento do Brasil de 1,4% para zero em 2020 e passou a considerar em seu cenário-base uma recessão técnica na primeira metade deste ano, com queda de 0,1% no PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre e de 1,6% no segundo trimestre. A recessão técnica ocorre quando há dois trimestres seguidos de queda do PIB.

"Investidores seguem avaliando a efetividade dos estímulos fiscais e monetários no amortecimento dos impactos econômicos derivados do surto da Covid-19", disse a equipe da Guide Investimentos. "Na falta de uma melhora no horizonte, alertas de recessão iminente continuam falando mais alto".

Novas intervenções do BC

Para tentar conter a disparada do dólar, o Banco Central marcou presença nos mercados de câmbio hoje.

Num intervalo de cerca de uma hora e meia, o BC realizou leilões de linha com compromisso de recompra, em que vendeu US$ 2 bilhões, dois leilões de moeda à vista, totalizando venda de US$ 830 milhões, e anunciou que vai comprar títulos do governo negociados em dólar no mercado internacional, os chamados títulos soberanos, com o compromisso de revender o mesmo papel ao aplicador dentro de um mês.

A medida tem o objetivo de aumentar a oferta de ativos negociados em dólares no mercado. Esses títulos são negociados por investidores estrangeiros, mas fundos de investimento oferecidos por gestores de recursos no Brasil também aplicam nesse tipo de papel, inclusive bancos.

Recorde do dólar não considera inflação

O recorde do dólar alcançado hoje considera o valor nominal, ou seja, sem descontar os efeitos da inflação, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

Levando em conta a inflação nos EUA e no Brasil, o pico do dólar pós-Plano Real aconteceu no fim do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 22 de outubro de 2002. O valor nominal na época foi de R$ 3,952, mas o valor atualizado ultrapassaria os R$ 7.

Fazer esta correção é importante porque, ao longo do tempo, a inflação altera o poder de compra das moedas. O que se podia comprar com US$ 1 ou R$ 1 em 2002 não é o mesmo que se pode comprar hoje com os mesmos valores.

(Com Reuters)

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