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Bolsa tomba 3,28%; dólar sobe e fecha a R$ 5,594, maior valor em 6 meses

Moeda norte-americana atingiu maior valor em mais de seis meses - Cris Faga/NurPhoto via Getty Images
Moeda norte-americana atingiu maior valor em mais de seis meses Imagem: Cris Faga/NurPhoto via Getty Images

Do UOL*, em São Paulo

19/10/2021 17h34Atualizada em 19/10/2021 21h10

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, tombou 3,28% nesta terça-feira, aos 110.672,76 pontos, na maior queda diária em mais de um mês, desde 8 de setembro (-3,78%). Com o segundo recuo seguido, a Bolsa foi ao menor nível em quase duas semanas, desde 7 de outubro (110.585,43 pontos). O dólar comercial emendou a segunda alta e subiu 1,33%, fechando a R$ 5,594 na venda, maior alta diária em duas semanas, desde 4 de outubro (1,44%). É o maior valor da moeda em seis meses, desde 15 de abril (R$ 5,628).

O resultado negativo do mercado acontece no dia em que o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) definiu que o valor do novo Bolsa Família será de R$ 400, o que implica financiar parte do programa com recursos de fora do teto de gastos, o que é visto com preocupação por investidores.

A cotação do dólar atingiu o pico da sessão, de R$ 5,613, pouco depois das 16h, quando o anúncio de que o governo lançaria o programa foi cancelado de última hora. Entre as principais moedas globais, o real teve, de longe, o pior desempenho nesta terça-feira.

Com o resultado de hoje, o dólar soma valorização de 7,81% frente ao real em 2021. O Ibovespa, em contrapartida, registra queda de 7,01% desde o início do ano.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Medo de furo no teto de gastos

A alta do dólar evidencia a forte reação negativa do mercado à intenção de colocar parte do pagamento do benefício que vai substituir o Bolsa Família fora do teto de gastos —a regra fiscal que limita a despesa pública ao orçamento do ano anterior corrigido pela inflação.

Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora, disse em nota que "a percepção do aumento do risco fiscal, potencializado pelo lançamento do benefício social, deteriora a confiança dos investidores, que voltaram a vender o Brasil, reforçando posições compradas em ativos de segurança, como a moeda norte-americana".

Carlos Duarte, planejador financeiro pela Planejar, foi na mesma linha: "Isso é mais endividamento para o Estado, e o mercado está com medo de haver uma piora na situação fiscal", disse à Reuters.

Duarte ressaltou que a sinalização recente do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), de que o momento atual demandaria priorizar as necessidades da população mais vulnerável em detrimento do teto de gastos e da responsabilidade fiscal, já não havia agradado os investidores.

Com os persistentes riscos domésticos somando-se a um ambiente global cada vez mais arisco para ativos considerados arriscados, à medida que os mercados antecipam suas apostas para aperto monetário nas principais economias, nem mesmo a intervenção do Banco Central conseguiu segurar o dólar nesta terça-feira.

Pela manhã, o BC vendeu US$ 500 milhões no mercado à vista em leilão, na primeira operação do tipo desde março.

Vários especialistas têm ressaltado que o Banco Central não tem o poder, nem a intenção, de conter o patamar da moeda norte-americana, e apenas tenta fornecer liquidez aos mercados e conter distorções no comportamento cambial.

"O que está acontecendo é o investidor estrangeiro fugindo do país", disse Duarte, da Planejar, ressaltando que o BC não tem como controlar essa tendência.

*Com Reuters

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