Conteúdo publicado há 2 meses

Bolsa tem maior alta mensal em 3 anos; dólar fecha novembro em R$ 4,915

O Ibovespa subiu 0,92% e chegou aos 127.331,12 pontos, o maior patamar desde 15 de julho de 2021 (127.467,88). Só em novembro, o principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3) acumulou alta de 12,54% — o maior salto em um mês desde novembro de 2020, quando disparou 15,9%. No ano, a alta é de 16,04%.

Já o dólar teve alta de 0,57% e fechou a sessão vendido a R$ 4,915. Mesmo com os ganhos do dia, a moeda americana termina novembro com queda acumulada de 2,5%, após três meses seguidos de alta. Em 2023, as perdas frente ao real são ainda maiores, de 6,91%.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial (saiba mais clicando aqui). Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, a referência é o dólar turismo, e o valor é bem mais alto.

O que aconteceu

Dados de inflação dos EUA fortaleceram o dólar no Brasil e no exterior. O índice de preços dos gastos com consumo (PCE) ficou inalterado em outubro, depois de subir 0,4% no mês anterior, segundo números divulgados hoje nos EUA. Nos últimos 12 meses, o PCE acumula alta de 3% — a menor taxa anual desde março de 2021.

Movimento de valorização do dólar é normal nesta época do ano. É o momento em que empresas e fundos costumam ter maior demanda pela moeda americana conforme se preparam para enviar remessas de recursos para o exterior.

Cenário internacional também ajudou a Bolsa brasileira. Há uma perspectiva de desaceleração gradual do crescimento econômico global, o que pode ajudar a diminuir os juros lá fora. No âmbito interno, o Ibovespa também se beneficiou da redução do risco fiscal, com membros do governo afirmando que a meta de superávit primário para 2024 será mantida, Bruna Sene, analista da Nova Futura Investimentos.

Questão fiscal ainda preocupa e se mantém no radar. Ontem (29), o Senado aprovou o projeto sobre tributação de fundos exclusivos e de offshores. O texto agora segue para sanção presidencial. "Ainda há diversas medidas que o governo precisa aprovar para viabilizar a meta fiscal", alertou o Citi em relatório a clientes.

As negociações no último mês do ano serão influenciadas por dados macroeconômicos e corporativos. O mercado estará de olho no payroll [relatório de emprego] dos EUA e se esse dado mostrará resiliência no mercado de trabalho, o que pode influenciar a direção da política monetária do Fed [BC americano].
Lucas Almeida, sócio da AVG Capital

Continua após a publicidade