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Hostel coleta pingos do ar-condicionado; veja como empresas economizam água

Larissa Coldibeli

Do UOL, em São Paulo

23/02/2015 06h00

Coletar a água que pinga do ar-condicionado foi a solução que Guilherme Carames, 32, sócio do Maraca Hostel, no Rio de Janeiro, encontrou para economizar água e driblar o racionamento. Com a falta de chuvas na cidade, o albergue, que já tinha um sistema de captação de água, estava com as reservas baixas para atender nove quartos que acomodam até 40 pessoas.

"Recolhemos 15 litros por noite por aparelho de ar-condicionado. Usamos para limpeza ou para repor a água que evapora da piscina, depois de tratá-la com cloro. Também usamos a água da máquina de lavar para limpeza. Instalamos torneiras com temporizador [fechamento automático] e descargas com duplo fluxo, que adequa a quantidade de água ao tipo de resíduo", diz.

Outras empresas consultadas pelo UOL também encontraram formas alternativas para diminuir o consumo de água em tempos de crise. Na Quick Pizza, pizzaria de São Paulo, o chão do salão passou a ser limpo só com pano úmido e produto de limpeza.

Além disso, cozinha e banheiros são lavados com máquina de alta pressão, que consome menos água do que a mangueira comum. Na caixa da descarga, uma garrafa ocupa parte do espaço que seria da água, reduzindo em 300 ml a quantidade do líquido por descarga.

“Comprei mais pratos, talheres e copos para só usar a lava-louças na capacidade máxima. O próximo passo é partir para copos descartáveis, mas estou adiando porque o cliente que paga R$ 100 em uma garrafa de vinho ou que toma uma cerveja especial quer o copo adequado”, diz o proprietário, Roberto Rodrigues Junior. Ele conseguiu reduzir o consumo de água em 20%. 

O imóvel tem duas caixas d’água de 1.000 litros cada uma, quantidade suficiente para apenas um dia de operação. O empresário cogitou instalar mais uma, mas a necessidade de obras estruturais para suportar o peso o fez desistir da ideia. “Com essa situação incerta, não adianta investir em obras. Se houver o rodízio de cinco dias sem água, inviabiliza o meu negócio”, declara.

Fábrica unificou turnos de funcionários 

A Mr. Cheney, franquia de cookies, uniu os dois turnos de funcionários para poder alterar a frequência da limpeza. Além disso, está forrando as formas com material descartável para diminuir as lavagens e usando água quente para facilitar a limpeza de utensílios com manteiga. Nas lojas, adotou lava-louças econômicas que são usadas na capacidade máxima.

“Notamos uma redução de R$ 150 na conta de água da fábrica, o equivalente a 15%. Nossa intenção é passar pelo racionamento sem parar a produção. Para isso, queremos aumentar nossas reservas. Trocamos uma caixa d’água de 1.000 litros por duas de 2.500 e reativamos uma antiga caixa d’água de 10 mil litros”, diz o dono, Lindolfo Paiva.

Na franquia de restaurantes Divino Fogão, estão sendo instaladas torneiras acionadas por pedal, que rendem economia de 20% a 30%, segundo Emiliano Oliveira da Silva, diretor de operações. O investimento no equipamento é de R$ 1.300 por loja. Há cinco anos, a rede utiliza redutor de pressão nas tubulações, que geram economia de 3% a 8%. 

Ações devem ser avaliadas antes para evitar prejuízo

Clovis Alvarenga Netto, professor de engenharia de produção da Fundação Vanzolini e da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), diz que os primeiros passos são verificar se há vazamentos e consertá-los, se houver, e pedir ajuda aos funcionários para ver onde é possível reduzir o desperdício de água, já que eles conhecem a operação.

Ele diz que as medidas adotadas pelas empresas citadas são eficientes, mas exigem alguns cuidados. “Água de chuva e de reúso tem prazo de validade e não pode ser usada para qualquer atividade." Isso porque, segundo ele, ela é perecível e se degrada porque traz poluição do ar. "O armazenamento não pode ser muito prolongado, mais de um mês, senão vira agente de contaminação."

O ideal é aplicá-la na limpeza do chão e na descarga, diz. Outras ações, como uso de materiais descartáveis, devem ser adotadas se não houver prejuízo à operação, como contaminação ou perda de clientes, segundo ele. "O objetivo é manter o negócio, então, toda ação deve ser bem avaliada”, declara.

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