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Novo investimento aceita aplicação de R$ 100 e paga menos imposto que CDB

Téo Takar

Do UOL, em São Paulo

05/09/2018 04h00Atualizada em 13/09/2018 19h01

O investidor conservador terá uma nova opção para aplicar em renda fixa a partir da próxima semana. Na segunda-feira (10), será lançado o primeiro fundo do tipo ETF, ou seja, baseado em um índice, que segue o desempenho dos contratos de juros futuros (DIs) com prazo médio de três anos. Uma das vantagens do novo fundo será a alíquota do Imposto de Renda, inferior à de investimentos tradicionais, como os fundos, Tesouro Direto e CDBs.

Por outro lado, o ETF poderá ter maior instabilidade do que os fundos de renda fixa, ou seja, o rendimento poderá oscilar para cima e para baixo, em função da agitação do mercado financeiro.

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O investimento no ETF de renda fixa será feito por meio da B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, com baixo valor de aplicação, por exemplo, de R$ 100. Entenda o que é um ETF, quais as principais vantagens e desvantagens desse novo produto e como investir.

Novo ETF seguirá índice de juros futuros de três anos

O ETF, ou "Exchange Traded Fund" na sigla em inglês, é um fundo que acompanha um determinado índice de referência. No Brasil, existem diversos ETFs, mas todos seguem índices de ações, como o Ibovespa. Ou seja, eles têm comportamento semelhante aos fundos de renda variável.

A novidade do ETF que está sendo lançado pela gestora coreana Mirae Asset no Brasil é que ele terá comportamento de uma aplicação de renda fixa.

O fundo terá como referência o índice S&P/BM&F de Futuros de Taxas de Juros – DI 3 anos, que mede o desempenho de uma carteira hipotética composta por contratos de juros futuros de três anos.

O índice é divulgado pela fornecedora de informações financeiras S&P Dow Jones Indices. Veja aqui os detalhes da metodologia de cálculo do índice.

“É um índice que procura reproduzir o comportamento da curva de juros futuros. Ele reflete qual a expectativa do mercado financeiro para a taxa de juros daqui a três anos”, declarou André Pimentel, diretor de investimentos da Mirae Asset no Brasil.

Índice rendeu 5,82% de janeiro a julho

Lançado em abril de 2017, o índice S&P/BM&F de Juros Futuros de três anos acumulou alta de 5,82% entre janeiro e julho, segundo informações da S&P Dow Jones Indices. No mesmo período, a taxa acumulada do CDI foi de 3,73%.

Portanto, o índice registrou alta equivalente a 156% do CDI neste ano até julho. O CDI é usado como referência para diversos investimentos de renda fixa como os CDBs oferecidos pelos bancos.

No acumulado de 12 meses encerrados em julho, o CDI subiu 7,08%, enquanto o índice S&P/BM&F avançou 10,67% (ou 150,7% do CDI).

“Acreditamos que esse trecho da curva de juros, com prazo de três anos, oferece um prêmio diferenciado, ou seja, uma rentabilidade atraente para o investidor”, disse Pimentel.

Cobrança de IR é de 15% e não há “come-cotas”

A principal vantagem do ETF de renda fixa oferecido pela Mirae será a alíquota de Imposto de Renda, de 15% sobre os rendimentos no momento do saque, não importando o prazo do investimento.

Os fundos tradicionais, os títulos do Tesouro Direto, os CDBs e outras aplicações de renda fixa estão sujeitos a uma alíquota regressiva de IR, que começa em 22,5% para saques feitos até seis meses depois da aplicação, caindo gradativamente até 15% quando o prazo do investimento supera dois anos.

Outro diferencial do ETF será a ausência do chamado "come-cotas", que incide sobre os fundos de renda fixa comuns. O "come-cotas" corresponde à antecipação da cobrança de Imposto de Renda sobre os rendimentos dos fundos, que ocorre sempre no fim dos meses de maio e novembro.

Ao contrário dos fundos comuns, o ETF não está sujeito à cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) no caso de saques feitos até 30 dias após o depósito.

ETF de renda fixa será negociado na Bolsa

O ETF lançado pela Mirae Asset terá suas cotas negociadas na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, como já acontece com outros ETFs oferecidos no mercado brasileiro.

O processo de investimento em um ETF é diferente de um fundo comum, em que o investidor apenas solicita ao banco que faça a aplicação de uma quantia em um determinado fundo. Mas lembra muito a compra de ações.

Para investir no ETF, é necessário que o investidor abra uma conta em uma corretora de valores habilitada a operar na Bolsa. O investidor deve entrar na plataforma de negociação da corretora (“home broker”) e pesquisar o código do ETF. O fundo que será lançado pela Mirae terá o código “FIXA-ETF01L1”.

As aplicações e resgates só poderão ser feitos dentro do horário de funcionamento da Bolsa, ou seja, das 10h às 17h.

Aplicação de R$ 100

Para aplicar, o investidor deverá comprar cotas do ETF proporcionalmente à quantia de investimento desejada. No dia de estreia do fundo, a cota terá valor de R$ 10. Para aplicar R$ 100, por exemplo, a quantidade a comprar será de dez cotas. A partir daí, o valor das cotas irá subir ou cair de acordo com a variação do índice de referência do ETF.

Se você quiser investir R$ 10 mil no ETF e a cota estiver valendo R$ 11 no momento da compra, então deverá comprar 909 cotas.

Na hora de resgatar o investimento, vale a mesma lógica. O investidor deve olhar o preço da cota no momento da transação e lançar uma ordem na plataforma da corretora para vender todas as suas cotas (resgate total) ou parte delas (parcial).

A operação de compra das cotas irá considerar o preço no momento da transação (D+0, no jargão do mercado). O dinheiro sairá da conta do investidor para o ETF no dia útil seguinte (D+1). No caso de resgate, o prazo para receber o dinheiro também será de um dia útil.

Aplicação e resgate pagarão taxa de corretagem

O investimento no ETF estará sujeito ao pagamento de taxa de corretagem tanto no momento da aplicação como no resgate.

Normalmente, as corretoras cobram a mesma tarifa adotada para compra e venda de ações, ou seja, um valor fixo por operação, independente da quantia investida. Os valores podem variar entre R$ 0,80 até R$ 20 por transação. Mas consulte sua corretora para checar se há uma política de tarifa diferenciada para ETFs.

Embora o novo ETF de renda fixa seja gerido pela Mirae Asset, o investidor não é obrigado a operar por meio da corretora da Mirae. É possível investir por meio de qualquer corretora habilitada pela Bolsa. Portanto, pesquise aquela que cobra a menor taxa de corretagem.

Taxa de administração será de 0,3% ao ano

Além da corretagem na entrada e na saída do ETF, o investidor também pagará uma taxa de administração de 0,3% ao ano sobre o montante investido.

“Essa taxa cobrirá todos os custos do fundo. Se você comparar com os fundos de renda fixa existentes no mercado, que cobram, em média, taxa de 1% ao ano e exigem aplicação inicial elevada, de R$ 100 mil, nosso produto será bastante competitivo”, disse Pimentel.

A taxa de administração do ETF será a mesma cobrada pelo Tesouro Direto para manter os títulos sob custódia (0,3% ao ano). Portanto, em termos de custos, as duas opções de investimento se tornarão equivalentes.

Investimento no ETF pode ser de curto ou longo prazo

Não há prazo mínimo para investir no ETF. Se quiser, o investidor pode aplicar por apenas um dia. Aplicações de curto prazo no ETF terão uma vantagem tributária significativa em relação aos fundos comuns: ausência de IOF e alíquota de IR de apenas 15% contra 22,5% das aplicações tradicionais.

Embora o referencial do fundo seja o contrato de juro futuro de três anos, isso não significa que o ETF terá vencimento em três anos, como acontece com CDBs ou títulos do Tesouro Direto. É possível manter o dinheiro investido por prazo indefinido.

Rendimento do ETF estará sujeito à volatilidade

Embora seja um investimento baseado em um índice de renda fixa, as cotas do ETF estarão sujeitas à volatilidade do mercado. As cotas podem estar por um preço de manhã e mais baratas à tarde, ou vice-versa. Logo, é possível perder dinheiro aplicando no ETF de renda fixa, especialmente se o investimento for de curto prazo.

“Há volatilidade porque o ETF reflete de forma mais realista a dinâmica do mercado de juros futuros”, afirmou Pimentel, da Mirae.

O processo de funcionamento do ETF é diferente do Tesouro Direto, no qual os preços dos títulos públicos disponíveis para venda sofrem apenas três atualizações de valores durante o dia.

Em momentos de maior volatilidade do mercado, o Tesouro Nacional suspende temporariamente as negociações do Tesouro Direto para evitar que o investidor seja prejudicado por oscilações bruscas de preços.

Nesses períodos, o investidor fica sem liquidez, ou seja, não pode investir nem sacar o dinheiro no Tesouro Direto. “No ETF não haverá problema de liquidez mesmo quando a volatilidade estiver grande”, disse Pimentel.

Segundo ele, o investidor poderá comprar ou vender cotas do ETF a qualquer momento durante o pregão da Bolsa porque o ETF contará com um formador de mercado, que sempre oferecerá uma contrapartida para as ordens de compra e venda de cotas.

Mirae saiu na frente do Tesouro

Com o lançamento do primeiro fundo de índice (ETF) de renda fixa do país neste mês, a Mirae saiu na frente do Tesouro Nacional, que havia anunciado em maio seus planos de oferecer um fundo de índice baseado em títulos públicos. O ETF do Tesouro, no entanto, só deve se tornar realidade no fim do ano que vem.

Embora ambos sejam fundos de renda fixa, o ETF da Mirae adota os contratos de juros futuros de três anos como referencial, diferente do produto proposto pelo Tesouro, que será baseado na variação de preços de uma cesta de 15 títulos públicos com datas de vencimento distintos, representada pelo índice IMA-B.

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