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Com apenas R$ 1.000, você pode investir em grandes empresas no exterior

Téo Takar

Do UOL, em São Paulo

2018-12-15T04:00:00

15/12/2018 04h00

Se você acha que só é possível investir no exterior se tiver muita grana ou conta lá fora, está enganado. Há opções para quem tem a partir de R$ 1.000. As principais corretoras e plataformas de investimento do Brasil oferecem fundos multimercados que podem aplicar até 20% dos recursos em fundos fora do país.

Normalmente esses fundos aparecem com a classificação "investimento no exterior" ou "fundos internacionais". Para ter certeza se determinado fundo investe parte dos recursos no exterior, consulte a "lâmina", documento que traz as principais informações sobre o fundo.

"São fundos geridos no Brasil que compram cotas de fundos estrangeiros", afirmou Gustavo Pires, chefe da plataforma de fundos e previdência da XP Investimentos.

Dependendo do perfil de investimento (mais conservador ou agressivo), esses fundos estrangeiros podem comprar ações de grandes empresas, como Apple, Coca-Cola ou Exxon Mobil, moedas, derivativos e títulos de dívida emitidos por companhias e governos de diversos países.

Mesma alíquota de IR da renda fixa

"Além da simplicidade para investir fora do país, outra vantagem desse formato é a questão tributária, que segue a regra brasileira", disse Pires.

Segundo ele, a alíquota de Imposto de Renda sobre os ganhos dos fundos que investem fora do país é a mesma de fundos de renda fixa ou multimercados que aplicam exclusivamente em bens brasileiros. Ou seja, segue a tabela regressiva de 22,5% a 15%, conforme o tempo da aplicação.

Há também a incidência do chamado "come-cotas", com recolhimento semestral do imposto devido.

Por que investir no exterior?

Os fundos que investem no exterior são indicados para quem quer diversificar suas aplicações. Diante da tendência de manutenção dos juros em patamares baixos no Brasil, investidores precisam se esforçar mais para encontrar opções mais rentáveis.

"O brasileiro foi mimado por muito tempo, se acostumou com baixo risco e retorno alto na renda fixa", afirmou Giuliano De Marchi, chefe da gestora de recursos do banco J.P. Morgan na América Latina. "A partir de agora, terá que assumir mais risco, reduzindo a parcela investida na renda fixa e aumentando a exposição a ações, mercado imobiliário e mercado internacional."

Crescimento acelerado lá fora

Diversos países, como os EUA, têm registrado crescimento mais acelerado do que o Brasil. Esse cenário econômico acaba implicando em rendimentos maiores para investidores que aplicam nesses locais. Enquanto a economia brasileira deverá crescer 1,4% neste ano, a dos EUA deve crescer em torno de 3%.

"O Brasil representa apenas 3% do PIB [Produto Interno Bruto] mundial. Ao investir apenas aqui, você está deixando de fora a oportunidade de aproveitar o crescimento dos outros 97% da economia global", disse De Marchi.

Mais opções para quem tem acima de R$ 1 milhão

Embora existam fundos para pequenos investidores, a maioria dos produtos de investimento com foco no exterior ainda é destinada aos chamados investidores "qualificados", ou seja, aqueles que dispõem de pelo menos R$ 1 milhão em recursos.

Fundos multimercados para "qualificados" podem aplicar uma parcela maior, de até 40% dos recursos, no exterior, contra apenas 20% dos fundos destinados ao pequeno investidor.

Além disso, investidores qualificados podem comprar BDRs ("Brazilian Depositary Receipts") diretamente na B3, a Bolsa de Valores brasileira. Os BDRs são papéis cotados em reais que acompanham os preços no exterior de ações de grandes empresas, como Facebook e Amazon.

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