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Saque do FGTS deve movimentar comércio; vale comprar ações do varejo?

Vinicius Pereira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

08/08/2019 04h00

O governo espera estimular o consumo com a liberação do saque de até R$ 500 por conta do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), o que pode beneficiar as empresas do setor de comércio. Será que esse estímulo será suficiente para dar um gás nas ações dessas empresas na Bolsa? É hora de comprar esses papéis?

Especialistas ouvidos pelo UOL afirmam que, apesar de positiva, a medida deve ter pouco impacto nas ações das varejistas. Mesmo assim, eles recomendam algumas ações do setor que apresentam boas perspectivas mesmo desconsiderando a liberação do FGTS.

Valor baixo e recursos pontuais

O impacto do FGTS deve ser maior para empresas que vendem roupas, alimentos e outros produtos utilizados no curto prazo, chamados de bens não duráveis.

Mas como o valor do saque é baixo, dificilmente o efeito nas ações das empresas listadas na B3 será duradouro. As famílias brasileiras ainda estão muito endividadas, o que torna provável que boa parte dos trabalhadores use o dinheiro para pagar dívidas, e não para o consumo.

"Quando foi anunciada uma possível liberação, as ações do setor inteiro responderam positivamente. Agora, estão oscilando muito", disse Sandra Peres, analista-chefe da Coinvalores.

Para Rafael Panonko, analista-chefe da Toro Investimentos, a questão não é o valor dos saques, e sim o fato de essa injeção de dinheiro ser pontual. "O efeito é limitado, independentemente de valores e de quanto dinheiro a medida vai jogar na economia", afirmou.

Para um crescimento sustentável, que reflita positivamente no valor das ações listadas em Bolsa, é necessário que o crescimento da economia do país como um todo volte, disse o analista.

"Quando eu olho para um horizonte de longo prazo, esse evento impacta muito pouco no resultado das empresas. Elas estão mais preocupadas em fazer o dever de casa e no aumento do consumo como um todo, e não em olhar para algo atípico como essa medida."

Apostas para o segundo semestre

Mesmo sem considerar os efeitos da liberação do FGTS, os analistas recomendam a compra de algumas ações do varejo.

"Destacamos a Renner [LREN3] porque acreditamos que ela vai continuar entregando resultados mesmo com a economia andando devagar", afirmou Mariana Vergueiro, analista da XP Investimentos. "E vemos potencial de valorização do papel da B2W [BTOW3]." A empresa de comércio eletrônico é dona, por exemplo, da Americanas.com.

Além das ações da Renner, Panonko recomenda as da fabricante de cerveja Ambev (ABEV3) e as do Magazine Luiza (MGLU3), com uma ressalva. "Ambev é um ativo que tem uma excelente gestão, paga bons dividendos e creio que deve sempre compor uma cartela de ações. A ação do Magazine Luiza já subiu bastante, então o investidor tem que tomar muito cuidado ao entrar nesse momento", disse.

Essas ações podem se destacar ainda mais caso a economia volte a dar sinais de recuperação, dizem os especialistas.

"Se tudo permanecer conforme o esperado, com aprovação da reforma [da Previdência] e um pacote de melhoria da economia, a tendência é o crescimento das ações como um todo. As privatizações também podem movimentar [o mercado]", disse Sandra, da Coinvalores. "Depende muito do movimento do governo e de como ele vai agir daqui em diante, mas a tendência da Bolsa é de alta."

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