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Finanças pessoais

Ex-goleiro do Corinthians, lança fundo nos EUA que promete até 8% ao ano

Doni Marangon, sócio da incorporadora americana D32, defendeu o gol de Corinthians e Seleção Brasileira - Fernando Hiro
Doni Marangon, sócio da incorporadora americana D32, defendeu o gol de Corinthians e Seleção Brasileira Imagem: Fernando Hiro

João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

30/11/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Doni Marangon se junta a ex-executivo do Banco do Brasil para lançar fundos que investem em projetos imobiliários na Flórida
  • Após parada cardíaca e fim de carreira no futebol, Doni criou incorporadora nos EUA
  • Com jogadores de futebol entre investidores, fundos de Doni projetam retorno de até 8% ao ano

Um investimento mais estável e regular que a carreira que teve no futebol é o que vende o ex-goleiro de Corinthians, Cruzeiro, Santos, Botafogo (SP), Juventude, Roma (Itália) e Liverpool (Inglaterra), Doni Marangon. O ex-atleta, que até beliscou uma vaga no elenco da Seleção Brasileira da Copa de 2010, está lançando dois fundos de investimento para aplicadores interessados em diversificar uma parte da carteira no mercado imobiliário dos Estados Unidos.

Os fundos vão financiar construções de imóveis residenciais para a classe média baixa na Flórida, onde Doni mora desde 2015. Com aplicação inicial mínima de US$ 10 mil, o investidor será remunerado pelos pagamentos feitos pelas construtoras que estão tocando os projetos - casas e apartamentos. As carteiras vão ser geridas pela Yellow Fi, gestora de recursos americana especializada em investimentos imobiliários que tem entre os sócios um ex-executivo do Banco do Brasil, que comandou a instituição financeira nos Estados Unidos.

"O foco de nossos projetos são casas para moradores ou investidores que compram imóveis para alugar. Tem uma procura crescente por moradia na Flórida, de aposentados e outros americanos por causa do clima, que movimentam a economia e o mercado de trabalho como um todo, no comércio e serviços", diz Doni, que tem uma incorporadora em solo americano desde 2015.

Como o ex-goleiro virou empresário?

Genro de um dono de imobiliária no interior paulista, o ex-atleta investia no mercado de imóveis ainda quando atuava. Entre os negócios que lançou no Brasil, estão um parque temático, o Parque dos Dinossauros, no interior paulista, escolinhas de futebol com a marca do time italiano Roma e um projeto Minha Casa Minha Vida no litoral paulista.

"Mas eu passei a dedicar mais tempo aos projetos depois que tive uma parada cardíaca no Liverpool", conta Doni.

Parada cardíaca na Inglaterra

Doni, quando atuava pelo Liverpool, na Inglaterra - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Doni havia trocado o italiano Roma, onde atuou de 2005 a 2011, pelo inglês Liverpool. Em julho de 2012, durante exames da pré-temporada, uma arritmia e uma parada cardíaca de 25 segundos encerraram a carreira dele por lá.

O atleta ainda voltou ao Brasil, para jogar pelo time no qual ele despontou, o Botafogo de Ribeirão Preto, mas a pressão da família pesou. E ele encerrou a carreira.

Rede de contatos

Se o futebol quase o matou, deixou como herança para o ex-goleiro uma rede de relacionamentos. Doni atraiu antigos colegas de profissão para fazer novos investimentos.

Doni, quando atuava pelo Corinthians - Juca Varella/Folha Imagem - Juca Varella/Folha Imagem
Imagem: Juca Varella/Folha Imagem

"Começou pelo Brasil, mas a partir de 2015, depois que mudei para os Estados Unidos, concentrei nos projetos americanos", conta o ex-goleiro que defendeu o Corinthians de 2001 e 2003.

Dos nomes do futebol que investem nos projetos da D32 estão o goleiro do Flamengo, Diego Alves, o ex-zagueiro de Corinthians e Flamengo Fábio Luciano e Lucas Leiva, que passou por Grêmio e Liverpool.

Depois que mudou para a Flórida, Doni concentrou todos os projetos na D32, empresa especializada em investimento, incorporação, construção e venda de casas e apartamentos na Flórida Central, juntamente com dois sócios - os empresários Werner Macedo e Mauricio Penha.

Da empresa para o fundo de investimento

Ao longo dos últimos cinco anos, a D32 atuou na incorporação ou construção de 1.500 unidades de imóveis. Nesses projetos, os investidores aportavam dinheiro diretamente na empresa. A decisão de lançar fundos de investimento agora busca ampliar o alcance do produto e chegar a mais investidores, diz Doni.

Segundo ele, a D32 tem projetos em aprovação, construção ou comercialização com um valor estimado em R$ 250 milhões.

Como funciona o fundo

A Yellow Fi vai gerir os dois fundos de investimento para os projetos da D32. Um fundo será apenas para residentes nos Estados Unidos e outro para investidores estrangeiros. O produto internacional será sediado nas Ilhas Virgens Britânicas.

O aporte inicial mínimo é de US$ 10 mil (R$ 55 mil) no fundo internacional.

O fundo vai direcionar o dinheiro dos aplicadores para financiar construções de imóveis em contratos de 18 a 24 meses. À medida que a construtora for pagando o financiamento ao fundo, os aplicadores vão recebendo os rendimentos.

Essa remuneração dos investidores será trimestral, com uma taxa de retorno de 5% a 8% ao ano, descontada a taxa de administração, que será de 2%.

Projeto imobiliário da incorporadora do ex-goleiro Doni, a D32, na Flórida, EUA - Divulgação - Divulgação
Projeto imobiliário da incorporadora do ex-goleiro Doni, a D32, na Flórida, EUA
Imagem: Divulgação

Segundo Cássio Segura, vice-presidente executivo de distribuição da gestora de recursos Yellow FI, a empresa faz o trabalho de diligência dos projetos e de acompanhamento das obras, para evitar calotes.

"A gente faz crédito imobiliário desde 2010. Temos um comitê de crédito que conhece o mercado", afirma o executivo que atua nos Estados Unidos há décadas, onde presidiu o Banco do Brasil Americas, unidade do BB no mercado americano.

Segundo ele, o apelo desses produtos é a oportunidade de oferecer diversificação ao aplicador brasileiro. "A pessoa pode colocar o dinheiro em diferentes cestas no Brasil, mas se a economia brasileira for mal, todas as cestas podem sofrer. Investir uma parte da carteira em outro país é uma forma de diversificação geográfica das aplicações!", afirma Segura.

Riscos e cuidados

Além de um aporte Inicial ainda alto para os padrões do investidor médio brasileiro, o aplicador interessado deve ficar atento aos riscos envolvendo esses fundos.

O principal deles é com o risco de crédito. Se o mercado imobiliário dos Estados Unidos entrar em um ciclo de retração, por exemplo, o andamento dos projetos pode ser afetado, com inadimplência entre as construtoras.

Outro ponto a que o investidor deve ficar atento é a tributação. O fundo para investidores estrangeiros é baseado nas Ilhas Virgens Britânicas. A tributação é isenta nos Estados Unidos, mas o aplicador precisa pagar impostos no Brasil.

O investidor tem que informar na declaração anual de IR o valor aplicado no exterior - se for mais que US$ 100 mil. A cobrança ocorre no momento do saque, com alíquota de 15% sobre os ganhos.

Além disso, tanto na remessa do dinheiro quanto na repatriação dos recursos, o investidor vai precisar de intermediação de uma instituição financeira, que cobra pelos serviços.

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