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Falsa diversificação pode aumentar risco do investimento; veja como evitar

Exclusivo para assinantes UOL Economia+

João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

27/10/2020 04h00

Diversificar os investimentos é fundamental para não colocar tudo a perder em caso de tombo da economia e dos mercados. Mas é preciso tomar cuidado para não cair em uma falsa diversificação e acabar fragilizando a carteira em vez de protegê-la das oscilações, alertam especialistas.

"É comum investidores optarem por ativos que parecem diferentes, mas que na prática acabam sendo semelhantes, tendo comportamentos parecidos nas mesmas situações", afirma Ricardo Czapski, fundador e CEO da plataforma especializada em assessoria de investimentos WFlow.

O que é falsa diversificação?

Comprar CDBs de vários bancos, por exemplo, não é diversificar, porque se algo afetar negativamente o setor financeiro, todos os CDBs terão alguma perda.

Da mesma forma, se um aplicador distribui os investimentos entre fundos imobiliários e ações de construtoras na Bolsa, a diversificação é frágil, pois uma crise que venha a afetar o setor terá impacto sobre as duas classes de ativos de forma semelhante.

Dividir o dinheiro em produtos de ouro, dólar e ações de empresas exportadoras é outro exemplo de diversificação desequilibrada. Se a moeda norte-americana subir, o investidor vai ganhar em todas, mas se cair, terá perdas nos três produtos.

Diversificação não é somente a quantidade de ativos que o investidor mantém na carteira. É preciso verificar se esses ativos não são semelhantes, para proteger o portfólio e minimizar os riscos das aplicações.
Ricardo Czapski, CEO da WFlow

Passo a passo para diversificar

Reinaldo Domingos, presidente da Dsop Educação Financeira, diz que primeiro é preciso definir a finalidade do investimento. "Com isso, o investidor consegue ter uma ideia de tempo para essa aplicação e de quais os riscos ele pode e aceita correr", afirmou.

Veja o passo a passo:

1. Motivo do investimento: Aposentadoria, comprar casa, pagar a escola dos filhos, fazer uma viagem —cada objetivo exige um prazo diferente.

Na hora de diversificar, o dinheiro separado para a viagem, por exemplo, pode ter destino distinto daquele guardado para a aposentadoria.

2. Prazo da aplicação:

  • Curto (objetivos de até um ano): Parte do dinheiro precisa ser a reserva de emergência, suficiente para cobrir de três a 12 meses das despesas mensais. Os produtos aqui devem oferecer liquidez e baixo risco.
  • Médio (de um a cinco anos): Uma vez feita a reserva de emergência, a família pode começar a aplicar para objetivos acima de um ano. Aqui, o aplicador abre mão da liquidez para assumir mais riscos em busca de maior rendimento.
  • Longo (mais de cinco anos): Para projetos com prazo superior a cinco ou dez anos, o dinheiro pode correr mais riscos.

3. Quanto para investir: Quanto menor o capital, mais restritas as opções de diversificação. Portanto, mais seletivo terá que ser o aplicador.

Se a família ainda está formando a reserva de emergência, por exemplo, a diversificação deve ficar concentrada em produtos que atendam esse objetivo.

4. Escolha de produtos: É só aqui que começa, de fato, a escolha dos produtos financeiros para atender os objetivos de forma diversificada.

Que ativos escolher?

A diversificação é como o trabalho de um técnico ao escalar um time futebol. Ele não pode chamar só atacante, pensando apenas em fazer gols, porque também precisa se preocupar em defender. O objetivo é ganhar a maior parte das partidas para ser campeão lá na frente.
Lucas Collazo, analista de fundos da Rico Investimentos

Para fazer a diversificação, o dinheiro pode ser dividido de acordo com algumas condições, dizem profissionais de mercado.

Há produtos diferentes para um mesmo objetivo em cada prazo, disse Domingos. O investidor pode distribuir o dinheiro entre as alternativas.

É hora de checar se você diversificou mesmo

Dentro dos produtos recomendados para cada prazo, o passo seguinte é garantir que as aplicações escolhidas não tenham a mesma correlação. Ou seja, que não tenham o mesmo comportamento em determinadas situações.

No caso de Bolsa, por exemplo, uma parte do dinheiro pode ir para ações que se beneficiam do dólar alto, como de empresas exportadoras, e outra parte para os setores financeiro ou varejista, que costumam ganhar quando a economia vai bem e o dólar cai. Assim, se você perder de um lado, ganha do outro.

Na renda fixa, uma parte do dinheiro pode ir para títulos prefixados e outra parte para papéis corrigidos pela inflação. Se os preços da economia começarem a subir, o título prefixado vai perder, mas o lote de pós-fixados tende a aproveitar o momento.

Investir no mercado internacional

O aplicador brasileiro pode também colocar dinheiro em investimentos relacionados ao mercado internacional, como ETFs, BDRs e fundos de moedas e de metais.

São alternativas para diversificar, com uma parte do capital alocado em ativos relacionados ao dólar ou à economia de outros países. "É preciso buscar oportunidades de diversificar também o risco-país", disse Collazo.

Opções estrangeiras possibilitam ainda a diversificação da carteira com setores que têm poucos ativos no Brasil, como ações de empresas de tecnologia.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.