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Na busca pela nova empresa disruptiva, cuidado com bolhas e meias-verdades

Christian Lupinacci

Para o UOL, em São Paulo

21/09/2020 04h00

Atualmente, vivemos um período com abundância de entropia, vinda de todas as possíveis formas, mas vou me ater, por aqui, à entropia relativa ao mercado financeiro.

Este ano, nos mercados globais de forma ampla, tivemos as quedas mais bruscas da história, seguidas das recuperações mais rápidas, ao menos para os mercados financeiros.

A necessidade de aceleração de instrumentos tecnológicos para suprir a impossibilidade da maior parte das pessoas do mundo todo não poderem sair de casa gerou alguns fenômenos (quase) impressionantes.

No momento em que lhes escrevo, a Nasdaq (Bolsa de empresas de tecnologia americana) apresenta uma valorização no ano acima de 25%, ao passo que a ação da Apple já vale praticamente todo o "Market cap" de empresas listadas da Alemanha ou, ainda, vale mais do que o PIB da maior parte dos países do mundo.

Ao passo que a economia real patina, desemprego e dificuldades dentro de um ambiente extremamente restritivo na vida das pessoas prejudicam a maior parte dos pequenos e médios negócios.

Toda essa movimentação vem, a cada dia, levantando mais questionamentos em relação a uma possível sobrevalorização dos ativos, a clássica bolha, especialmente nas empresas de tecnologia.

A busca de investidores pela nova Amazon, a nova Apple, a nova Microsoft, o novo Google ou qualquer nova empresa que venha a trazer disrupção na sociedade, juntamente de um cenário de "dinheiro de graça", com bancos centrais ao redor do mundo imprimindo dinheiro num ritmo jamais visto, trazem um apetite ao risco enorme, levando preços de ativos de empresas que prometem ser ou se tornar tecnológicos a patamares estratosféricos.

E a pergunta que fica: Esse cenário faz sentido?

Certamente nem todas as empresas conseguirão realizar tal feito. Certamente nem todas as varejistas online presentes no Brasil se tornarão a Amazon brasileira, a despeito do que os preços atuais possam dizer, assim como, muito provavelmente, nem todos os grandes bancos do país sofrerão golpes permanentes por parte das fintechs.

Ainda precisamos colocar uma eventual, mesmo que improvável, mudança do cenário macroeconômico estimulativo. Será que essa festa de juros baixos e estímulos vai durar tanto tempo a ponto de empresas disruptivas conseguirem rentabilizar o capital investido? E o que acontece se as taxas de juros voltarem a subir?

É impossível trazer uma resposta precisa, mas me parece extremamente impreciso acreditar que teremos tantas vencedoras como os mercados vem precificando. Portanto, narrativas podem trazer somente meias verdades.

Cuidado e razão são extremamente necessários ao julgarmos em quais narrativas podemos tomar risco, e os números precisam corroborar as teses ao longo do tempo.

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