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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Veja como ter investimentos internacionais, sem sair do Brasil

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Valter Police

Valter Police

Planejador Financeiro CFP(R), é o Head da Academia Fiduc, além de administrador de carteiras registrado na CVM.

14/06/2021 04h00

Será que você deveria pensar em ter investimentos internacionais? Vou tentar responder isso com um dado e uma pergunta: o Brasil tem menos de 3% do PIB mundial, e nosso mercado de capitais representa menos de 2% dos mercados globais. Com isso em mente, faz sentido ter 100% de seu patrimônio em investimentos locais?

Para responder a isso, vou relembrar a primeira regra do bom investidor, que é a diversificação. Obviamente, como vivemos no Brasil e nossas obrigações e objetivos estão predominantemente aqui e em reais, é natural que tenhamos a maior parte de nosso patrimônio também aqui e em reais, mas deveria ser ainda mais natural que alocássemos uma parte de nosso patrimônio em ativos internacionais, já que teríamos acesso a setores e oportunidades pouco ou nada explorados por aqui.

Mercados crescentes como a China ou setores de ponta, como tecnologia e saúde, podem e devem fazer parte de um bom portfólio de investimentos, e isso só é possível com diversificação internacional.

  • Leia abaixo o restante da coluna e saiba como ter investimentos em todo o mundo.

Se você já se conscientizou da necessidade ou da oportunidade, deve estar pensando em como fazer isso. Até bem pouco tempo atrás, esse era um mercado bastante restrito, com custos e burocracia elevados que faziam com que apenas grandes investidores conseguissem acesso. A boa notícia é que isso vem mudando rapidamente.

Por um lado, corretoras inovadoras já permitem ao pequeno investidor comprar diretamente ativos nos Estados Unidos, embora algumas questões tributárias ainda não sejam tão simples de serem resolvidas.

Por outro lado, e considero esse um fator ainda mais determinante para uma mudança no comportamento do investidor local, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) passou a permitir, desde outubro de 2020, o acesso para investidores em geral —aqueles que não são qualificados, com mais de R$ 1 milhão em investimentos; nem profissionais, com mais de R$ 10 milhões— aos chamados BDRs, que são negociados na B3 da mesma forma que as ações.

Os BDRs são títulos emitidos no Brasil, mas que replicam o valor de uma ação em outro país. Na prática, funciona como se você estivesse comprando aquela ação internacional. Em fevereiro deste ano, a CVM deu um passo a mais e liberou os BDRs de ETFs que, em vez de representarem uma ação, replicam um índice internacional, por exemplo, o S&P 500, da Bolsa norte-americana, ou de setores específicos como empresas de biotecnologia listadas na Nasdaq, ou mesmo de países específicos como a China.

Desta forma, o investidor brasileiro amplia muito sua capacidade de exposição aos mercados globais e à diversificação que esses mercados podem proporcionar. Tudo isso de forma simples, sem precisar de remessas internacionais, ter contas fora do país ou se preocupar com cálculos de impostos mais complexos.

Antes de definir por entrar nesse mercado, lembre-se de que ele, como qualquer outro, possui riscos e deve estar de acordo com o seu perfil de investidor, já que estamos falando de renda variável. Nesse caso, sua atenção deve estar em dois fatores: o câmbio e a volatilidade (oscilação dos preços) das ações ou índices que você venha a adquirir.

Como os ativos são internacionais, sofrem a variação cambial, que pode ser positiva ou negativa. Quando o dólar sobe, esses ativos se valorizam; quando cai, se desvalorizam.

Assim, pode haver um cenário no qual o mercado internacional está em alta, mas seus investimentos não, caso o real tenha se valorizado. No entanto, vale lembrar que o contrário também é verdadeiro: se tivermos um ambiente ruim globalmente, a tendência é de que as ações e os índices se desvalorizem, mas em geral o dólar se valoriza frente ao real nesses momentos, "amortecendo" esse movimento de baixa.

Podemos ter também um movimento de alta geral dos mercados com o real enfraquecido, somando os dois movimentos para gerar um retorno "turbinado".

Da mesma forma como acontece por aqui, a volatilidade do mercado internacional é grande, mas em geral é menor do que a que observamos no Ibovespa. Assim, ao colocar uma parte de sua carteira de ações em BDRs de ações ou de índices internacionais, você tenderá a reduzir a volatilidade de sua carteira como um todo, o que significa menos risco.

Uma forma ainda mais prática de acessar esse mercado é por meio de fundos de investimento em ações que tenham foco nesses BDRs. Esses fundos são novos no mercado voltado ao público geral, mas acrescentam mais alguns benefícios valiosos, como a gestão profissional, seja na escolha inicial dos ativos, seja na constante verificação e adequação da carteira do fundo, alterando sempre que necessário.

As escolhas de ativos como esses são altamente complexas e exigem especializações e recursos que os investidores individuais não possuem. Além disso, essas mudanças nas carteiras não geram Imposto de Renda ao investidor por serem feitas dentro dos fundos, diferentemente do que ocorre quando o investidor faz por conta própria, tendo ainda que calcular, gerar e pagar as DARFs (documento de arrecadação da Receita Federal). Ao longo do tempo essa economia tributária pode ser um incremento de retorno importante.

Em resumo, ao ter investimentos atrelados ao mercado internacional você acessa novos mercados e novas oportunidades, aumenta a diversificação e, em geral, reduz o risco de mercado (volatilidade) de sua carteira quando comparado apenas ao investimento em renda variável local. O risco que não é reduzido por essa operação é o risco Brasil em si, uma vez que seus recursos foram investidos aqui mesmo e, em caso muito improvável de um "colapso", seus recursos estariam "trancados" aqui, como os demais.

Atente-se para esse novo mercado que se abre, conheça as oportunidades e faça investimentos cada vez melhores, na busca por seus objetivos de vida.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL