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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Eleições complicam cenário, e investir fora é uma opção; saiba como

                       - Antonio Augusto/Ascom/TSE
Imagem: Antonio Augusto/Ascom/TSE
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Sílvio Crespo

Sílvio Crespo é sócio do Grana, aplicativo que automatiza o IR de investimentos na Bolsa. Como jornalista de economia, ganhou diversos prêmios, inclusive o de melhor blog de economia do Brasil, concedido pela Case New Holland, pelo antigo blog Achados Econômicos, no UOL. Paralelamente, hoje cursa psicologia na USP.

07/01/2022 04h00

Ano eleitoral geralmente traz instabilidade para os investimentos. Tem gente que acha que, para ficar fora disso, basta não aplicar na Bolsa. Infelizmente, no entanto, não é assim.

Quanto mais indefinido está o futuro da política econômica no país, maior tende a ser o sobe-e-desce não só da Bolsa como também do dólar.

Isso quer dizer que o seu custo de vida pode subir ou cair muito rapidamente. Uma alta repentina do dólar, se ocorrer, terá impacto certo nos preços de diversos produtos e serviços, como combustíveis, carnes, carros e viagens, entre outros.

Na coluna de hoje, eu explico como funcionam as quatro formas mais práticas de reduzir a exposição do patrimônio ao risco eleitoral.

1. Fundos de investimento cambiais

Coloquei essa opção em primeiro lugar porque é a mais prática. Você pode encontrar em qualquer banco ou corretora, mas não é necessariamente a melhor.

Os fundos cambiais atrelados ao dólar têm uma rentabilidade muito próxima à da moeda americana.

Colocando o seu dinheiro lá, você pode ter uma rentabilidade muito alta, caso o dólar dispare, ou muito baixa, se o real subir.

Portanto, se você simplesmente colocar todo o seu dinheiro em um fundo desses, estará apenas especulando, e não se protegendo.

Se o seu objetivo é proteção, o ideal é aplicar em um fundo cambial somente um valor proporcional aos seus gastos em dólar.

Por exemplo, se você está pensando em viajar para o exterior ou se ajuda o filho que faz intercâmbio, pode usar um fundo cambial para garantir que não vai perder poder de consumo fora do país.

Ainda que você não tenha gastos diretamente em dólar, alocar uma pequena quantia em um fundo cambial pode ser uma saída para não perder tanto poder de compra. Reforço que a alta da moeda americana acaba elevando o preço de determinados produtos e serviços no Brasil.

No entanto, eu, particularmente, não uso fundos cambiais, e sim outras opções que explico abaixo.

2. ETFs internacionais

Os ETFs (exchange traded funds) são fundos de investimento negociados na Bolsa de Valores.

Alguns desses fundos contêm ativos negociados no exterior. Os mais conhecidos são o IVVB11 e o SPXI11. Eles seguem um dos principais índices de ações da Bolsa americana, o Standard & Poor's 500, ou S&P 500.

Investindo em qualquer um desses dois ETFs internacionais, o seu dinheiro acompanhará a variação do S&P 500 e também do câmbio.

Veja qual seria a sua rentabilidade em diferentes cenários (desconsiderando taxas e impostos):

- S&P 500 sobe 5% e dólar sobe 5%: sua rentabilidade será de 10%;
- S&P 500 sobe 5% e dólar cai 5%: sua rentabilidade será de 0%;
- S&P 500 cai 5% e dólar cai 5%: sua rentabilidade será de -10%.

Prefiro o ETF, em vez dos fundos cambiais, porque com ele eu estou investindo em empresas, não apenas atrelando o meu dinheiro a uma moeda estrangeira.

De um lado, eu protejo meu patrimônio de eventuais crises internas; de outro, eu ganho se as companhias que fazem parte do S&P 500 apresentarem bons resultados ao longo dos anos.

Porém, existe um outro tipo de investimento que eu prefiro ainda mais do que os ETFs internacionais, que são os BDRs (Brazilian Depositary Receipts).

3. BDRs

Assim como os ETFs internacionais, os BDRs também representam empresas estrangeiras e são negociados na Bolsa brasileira.

A diferença é que o ETF internacional representa um conjunto de companhias, enquanto o BDR pode corresponder a uma empresa específica.

Por exemplo, um BDR que mantenho na carteira é o GOGL34, que representa as ações da Alphabet, holding que controla o Google.

Escolhi esse BDR porque vejo o Google como um raro exemplo de empresa de tecnologia que tem conseguido manter a liderança no seu mercado por décadas, devido a uma cultura interna que resulta em inovação constante.

Para você ter uma ideia, o BDR do Google subiu 490% nos últimos cinco anos, enquanto o dólar avançou apenas 72% no período.

4. Investimentos diretamente no exterior

Algumas pessoas preferem investir diretamente no exterior, em vez de ETF ou BDR. A maior vantagem, a meu ver, é que dessa forma você consegue acessar uma variedade muito maior de ativos.

Não existem ETFs e BDRs de todas as empresas americanas. Se quiser investir em algumas delas, a única forma é abrindo conta em uma corretora nos Estados Unidos.

Existem empresas que facilitam a abertura de conta de brasileiros nos EUA, como a Avenue e a Passfolio.

Dúvidas?

O que achou da possibilidade de investir no exterior? Espero que a coluna de hoje tenha sido útil.

Tendo alguma dúvida sobre investimentos, envie um e-mail para silvio.crespo@gmail.com. Sua pergunta poderá ser respondida em breve neste espaço.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL