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Em quanto tempo seu dinheiro dobra investindo em fundos imobiliários?

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Sílvio Crespo

Sílvio Crespo é sócio do Grana, aplicativo que automatiza o IR de investimentos na Bolsa. Como jornalista de economia, ganhou diversos prêmios, inclusive o de melhor blog de economia do Brasil, concedido pela Case New Holland, pelo antigo blog Achados Econômicos, no UOL. Paralelamente, hoje cursa psicologia na USP.

29/07/2022 04h00

Se você aplicar R$ 10 mil em fundos de investimento imobiliário (FIIs), em quanto tempo você estará com R$ 20 mil? Para responder essa pergunta, fiz um levantamento da rentabilidade atual dos 70 FIIs mais negociados do país.

Você vai ver qual é o tempo necessário para dobrar o capital se investir nos mais rentáveis, nos medianos e nos menos rentáveis. Também explicarei quais os riscos desses investimentos e como lidar com eles.

Nos fundos medianos: 6 anos e 5 meses

O seu capital tende a dobrar seis anos e cinco meses depois do aporte, se os seus fundos tiverem uma rentabilidade igual à mediana do mercado, que está hoje em 10,6% ao ano.

Esse cálculo já desconta a inflação. Ou seja, investindo R$ 10 mil hoje, com essa taxa de retorno, você terá bem mais do que R$ 20 mil daqui a seis anos e cinco meses. Só que, por causa do aumento dos preços dos alimentos, dos combustíveis etc, a quantia terá um poder de compra equivalente ao de R$ 20 mil hoje.

Preciso lembrar também que, em simulações como essa, os números são sempre estimativas teóricas. Ninguém sabe exatamente qual será a inflação exata nos próximos anos, nem qual será o rendimento dos fundos. O que esses dados mostram de interessante é para onde o mercado está apontando hoje.

Nos 10 fundos mais rentáveis: 4 anos e dois meses

Considerando a rentabilidade média dos dez fundos que apresentam o maior retorno em dividendos hoje, você levaria quatro anos e dois meses para dobrar o capital, já descontando a inflação. Esses FIIs estão hoje com um retorno médio de 17,1% ao ano. Apenas para alinhar as expectativas, saiba que não é nada fácil manter um ganho nesse nível durante vários anos seguidos.

Nos 10 fundos menos rentáveis: 10 anos e 1 mês

Caso os fundos que você escolher tenham uma rentabilidade baixa, o seu capital tende a dobrar somente dez anos e um mês após o aporte, também descontando a inflação. O dado considera a rentabilidade média dos dez FIIs que apresentam a menor taxa de retorno em dividendos hoje (6,9% ao ano).

Cuidado ao comparar com outros investimentos

Se for comparar os dados desta coluna com outros que você vê por aí, verifique se as projeções descontam a inflação.

Eu mesmo trouxe nesta coluna, recentemente, uma projeção para o Tesouro Direto. Nela, eu informei que o tempo aproximado para dobrar o capital nessa aplicação seria de seis anos e meio, sem descontar a inflação, e de 19 anos, descontando-a. Somente o segundo dado é comparável com os que você vê nesta coluna.

Assim, mesmo nos FIIs menos rentáveis, a tendência é dobrar o capital bem mais rápido do que no Tesouro.

Quais são os riscos de fundos imoiliários? Investir em um fundo imobiliário é muito parecido com investir em um imóvel, só que de forma pulverizada.

Para comprar um imóvel, você precisa investir milhares de reais. Já para adquirir uma cota de um fundo imobiliário, o custo geralmente é de cerca de R$ 100. Assim, com R$ 1.000 você consegue montar uma carteira que inclua frações de vários imóveis.

Os riscos dos FIIs se parecem com os do investimento em imóveis. Ao comprar um apartamento por R$ 100 mil, existe o risco de você não conseguir vender por mais do que R$ 90 mil, dependendo da demanda no momento. Da mesma forma, a cota de um FII pode perder valor ao longo do tempo.

Outro risco, ao investir em um apartamento, é de você demorar para conseguir um inquilino e, enquanto isso, fica sem receber aluguel.

Com uma carteira de FIIs acontece o mesmo. A diferença é que o seu capital está pulverizado em vários imóveis, de modo que é muito difícil que todos estejam vazios ao mesmo tempo. O risco, portanto, é de, em alguns meses, cair o valor que você recebe, tanto em forma de dividendos quanto na rentabilidade.

Para mitigar esse risco, é recomendável distribuir o seu capital em fundos com diversos imóveis e diferentes características, como fundos residenciais, de escritórios, de shoppings, infraestrutura e outros.

Existem também fundos imobiliários que não representam imóveis, e sim créditos de financiamento imobiliário. Mas, de forma geral, os riscos que você corre são os mesmos: o de desvalorização da cota e o de redução do seu recebimento mensal.

Em relação ao valor da cota, no entanto, os dados históricos mostram que elas tendem a, no mínimo, superar a inflação a longo prazo.

Alguma dúvida?

Ficou com alguma dúvida sobre este texto ou sobre investimentos em geral? Mande a sua pergunta pelo meu perfil no Instagram. Sua questão poderá ser respondida nesta coluna em breve.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.