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Em quanto tempo você dobra o dinheiro investindo no Tesouro Direto?

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Sílvio Crespo

Sílvio Crespo é sócio do Grana, aplicativo que automatiza o IR de investimentos na Bolsa. Como jornalista de economia, ganhou diversos prêmios, inclusive o de melhor blog de economia do Brasil, concedido pela Case New Holland, pelo antigo blog Achados Econômicos, no UOL. Paralelamente, hoje cursa psicologia na USP.

19/07/2022 04h00

Uma vez que você faz um investimento no Tesouro Direto e deixa o dinheiro lá, quanto demora para que a quantia dobre de tamanho?

Na coluna de hoje eu apresento essa resposta, tanto considerando a inflação quanto sem considerá-la.

Sem descontar a inflação: 6 anos e meio

Um investimento em qualquer título do Tesouro Direto levaria seis anos e meio, contados a partir de hoje, para dobrar de valor, considerado o cenário atual de juros.

Esse cálculo não desconta a inflação. Isso significa que, investindo R$ 10 mil hoje, você teria aproximadamente R$ 20 mil daqui a seis anos e meio. Mas os preços do aluguel, da gasolina e do supermercado, por exemplo, estarão mais altos, de modo que esses R$ 20 mil vão equivaler ao que seriam, na verdade, R$ 15.700 a preços de hoje.

Descontando a inflação: 19 anos

Já se a gente descontar a inflação, o tempo para dobrar o patrimônio sobe para 19 anos. Um investimento de R$ 10 mil tende a alcançar R$ 34 mil após esse período, mas, por conta do aumento dos preços no país, o valor equivaleria ao que hoje são R$ 20 mil.

Todos os cálculos consideram uma inflação de 7% ao ano, e a taxa básica de juros (a Selic) atual, de 13,25% ao ano.

E se o cenário econômico mudar?

Essas projeções servem para você entender para onde os títulos do Tesouro estão apontando neste momento. Mas o que acontece se o cenário mudar?

Isso depende do título do Tesouro. Veja o que acontece com cada um deles se a taxa básica de juros subir:

  • Tesouro Selic: rentabilidade sobe
  • Tesouro Prefixado: rentabilidade não muda
  • Tesouro IPCA: rentabilidade não muda

Repare que, uma vez que você já investiu no Tesouro Prefixado ou no Tesouro IPCA, não importa o que acontece com os juros: a sua rentabilidade não muda. Mas essa regra só vale para quem mantém o valor aplicado até a data de vencimento do título.

Além dos juros, a inflação também influencia na rentabilidade real. Sendo assim, se os preços das mercadorias e serviços acelerarem, é possível que o investimento demore ainda mais tempo para dobrar o valor.

Por outro lado, uma desaceleração na inflação faria você dobrar o valor real do investimento mais cedo, principalmente no caso do Tesouro Prefixado.

O que fazer, então?

Bom, eu já disse em outras colunas que não invisto mais a longo prazo no Tesouro Direto. O Tesouro Selic, especificamente, é interessante a curto prazo, para reserva de emergência, por exemplo.

Mas, a longo prazo, eu ainda prefiro fundos imobiliários e ações, pois, se bem escolhidos e diversificados, têm chance de oferecer um resultado melhor.

Com a inflação na casa de 7% ao ano ou mais, as taxas de juros dos investimentos de renda fixa acabam enganando a gente, pois parece que são muito altas, mas na realidade boa parte da rentabilidade é corroída pelo aumento dos preços do dia a dia.

Mas, lembrando: esse é o meu jeito de investir. Eu aplico em renda variável porque me sinto seguro para isso e conheço os riscos. Não encare este ou qualquer texto meu como uma recomendação de investimento, e sim como informações para auxiliá-lo na tomada de decisão.

Alguma dúvida?

Ficou alguma dúvida sobre este texto ou sobre investimentos em geral? Mande sua pergunta para a minha conta no Instagram. Sua questão poderá ser respondida em breve nesta coluna.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.