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Quais investimentos você pode resgatar sem perder dinheiro?

29/11/2022 04h00

Você distribuiu o seu dinheiro em diversas aplicações financeiras sem entender muito bem, por indicação do gerente ou assessor do seu banco ou corretora.

Agora você precisa resgatar uma parte do dinheiro para usar nas suas férias (ou em qualquer outra coisa) e não sabe de onde tirar.

Se esse for o seu caso, a coluna de hoje é para você. Veja abaixo de quais aplicações você pode resgatar, preferencialmente, para garantir que não perderá dinheiro.

Poupança, fundo DI ou Tesouro Selic

Estas são as três aplicações financeiras que você pode resgatar a qualquer momento sem risco de perder dinheiro: poupança, fundo de investimento do tipo DI e Tesouro Selic, nesta ordem.

Se tiver alguma coisa na poupança, pode retirar de lá sem hesitar. Não apenas porque é uma aplicação que permite o resgate imediato, mas principalmente porque atualmente é um mau investimento.

Caso queira aproveitar e resgatar tudo da poupança para aplicar em outra opção mais rentável e igualmente segura, veja este artigo.

Quando já não tiver mais nada na poupança, vale a pena começar a resgatar os fundos DI ou o Tesouro Selic. Eu daria preferência para o primeiro porque em geral rende um pouco menos.

Por fim, não tendo fundos DI nem poupança, você pode sacar o valor que está no Tesouro Selic, sem risco de perdas.

Se você tiver um CDB pós-fixado com liquidez diária, também pode resgatá-lo sem prejuízo. Os CDBs pós-fixados são aqueles cuja rentabilidade é uma porcentagem do CDI (exemplo: 110% do CDI).

Fundos de renda fixa, Tesouro Prefixado ou Tesouro IPCA

Não tendo dinheiro em poupança, fundo DI ou Tesouro Selic, você pode retirar de fundos de renda fixa, Tesouro Prefixado ou Tesouro IPCA.

Esses três últimos tipos de investimento oscilam com o tempo. Ou seja, pode ocorrer de ele estar com um valor menor do que aplicado justamente no momento em que você precisar fazer o resgate. Se isso ocorrer, você vai perder dinheiro.

Por exemplo, você pode ter investido R$ 10 mil em uma dessas modalidades há seis meses, e hoje, ao verificar o extrato, percebe que está com apenas R$ 9.500. Isso é normal. A médio prazo, a tendência é recuperar. Mas, se for resgatar agora, ficará apenas com os R$ 9.500 e não verá mais a cor dos outros R$ 500.

No caso do Tesouro IPCA e do Tesouro Prefixado, se você aguardar até a data de vencimento do título, não terá risco de perdas. Nos fundos de renda fixa, não existe uma data de vencimento específica. A tendência é de que o fundo não demore mais do que um ano para recuperar as perdas.

Fundos multimercado

Para os fundos multimercado, você pode usar o mesmo raciocínio. Eles oscilam com o tempo, e pode ocorrer de ele estar com rentabilidade negativa logo na hora em que você vai resgatar. Nesse caso, também não tem jeito, você vai acabar perdendo dinheiro.

Só que os multimercados oscilam bem mais do que os investimentos que eu citei anteriormente (fundos de renda fixa, Tesouro IPCA e Tesouro Prefixado).

Se você investiu R$ 10 mil há seis meses, por exemplo, é possível que hoje esteja com apenas R$ 8.000, dependendo do fundo. Com isso, ao resgatar agora, você perderia R$ 2.000.

Caso você acredite que o fundo é bom, o melhor é não resgatar agora, a não ser que não tenha dinheiro em nenhuma das aplicações que citei anteriormente.

Fundos de ações, ações e fundos imobiliários

Os fundos de ações, as ações na Bolsa e os fundos de investimento imobiliários (FIIs) são investimentos de longo prazo.

As chances de eles estarem na baixa justamente no momento em que você precisar fazer o resgatar não são pequenas. Além disso, em geral esses investimentos são usados para garantir a sua aposentadoria lá na frente. Tirar de lá hoje pode significar uma situação menos confortável na terceira idade.

Por isso, na minha visão, com esse tipo de investimento, o ideal é não mexer.

CDB, LCA, LCI

O CDB, a LCA e a LCI são, em geral, investimentos sem liquidez diária. Ou seja, você não pode resgatar o dinheiro antes da data de vencimento.

O que você pode fazer é tentar vender o título no mercado. Para isso, basta falar com o seu banco ou corretora.

O problema é que, em grande parte das vezes, você acaba perdendo muito nessa venda. Essa seria a minha última opção. Eu já precisei vender esses papéis duas vezes, para arcar com despesas pessoais imprevistas, e doeu no meu bolso.

Bitcoin e demais criptoativos

Olha, tudo o que eu falei desde fundos multimercados até ações, você pode elevar à enésima potência quando se trata de criptoativos ou criptomoedas.

Esse tipo de ativo oscila muito mais do que qualquer outro. Se você comprou R$ 10 mil em bitcoin há cerca de seis meses, hoje você está com cerca de R$ 6.000. Vender agora significa perder cerca de 40% do valor aplicado, sem chance de recuperar.

Se você comprou uma criptomoeda e não acredita mais nela, tudo bem, venda e assuma o prejuízo. Mas se você tem fé em que ela vai se recuperar, o ideal é segurar para não perder o dinheiro à toa.

Se em ações e FIIs o ideal é investir e esquecer, em criptmoedas o melhor é fingir que esse dinheiro nem existe mais. Como eu sempre disse nessa coluna, é bom aplicar em cripto somente aquele dinheiro que você tem certeza de que não vai precisar nunca.

Resumindo

Para resumir, na minha visão, os investimentos devem ser resgatados nessa ordem, para evitar perdas desnecessárias:

  • Poupança, fundo DI, Tesouro Selic, CDB com liquidez diária
  • Fundos de renda fixa, Tesouro Prefixado, Tesouro IPCA
  • Fundos multimercado
  • Fundos de ações, ações e fundos imobiliários
  • CDB, LCA e LCI
  • Bitcoin e demais criptoativos

Alguma dúvida?

Tendo alguma dúvida sobre investimentos, me siga no Instagram (@silviocrespo) e envie uma mensagem por lá. Sua pergunta poderá ser respondida em breve nesta coluna.

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