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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Embraer e CCR: duas ações com potencial para ficar de olho

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Felipe Bevilacqua

11/06/2021 08h38

Hoje vamos conversar sobre o que representa a possível fusão entre a Eve, controlada pela Embraer (EMBR3), e a Zanite Acquisition, e sobre as possíveis renegociações de concessões de aeroportos.

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Confira a seguir a análise de Felipe Bevilacqua, analista e sócio-fundador da casa de análise Levante Ideias de Investimento. Todos os dias, Bevilacqua traz notícias e análises de empresas de capital aberto para você tomar as melhores decisões de investimentos. Este conteúdo é exclusivo para os leitores de UOL Economia+. Conheça os recursos do serviço de orientação financeira UOL Economia+, para quem quer investir melhor.

Embraer: disparada de preço tem nome - "carro voador"

Na manhã de ontem (10), a Embraer (EMBR3) confirmou a notícia de que avalia uma fusão de sua subsidiária Eve (voltada para inovação no transporte aéreo urbano) com a Zanite Acquisition, uma companhia norte-americana de aquisição de propósito específico (SPAC) de capital aberto em bolsa.

Estima-se um valor de mercado da Eve combinada com a SPAC em torno de US$ 2 bilhões, cerca de dois terços do valor de mercado total da Embraer hoje, mesmo após uma subida forte de mais de 15% nas ações da companhia.

A Embraer, em fato relevante, afirmou que não sabe se chegará a um acordo. Em caso de fusão, porém, a companhia entrará no mapa das principais companhias no segmento de inovação e disrupção na mobilidade urbana.

A Zanite Acquisition levantou recentemente US$ 230 milhões e é liderada por Kenn Ricci, coproprietário da Directional Aviation Capital, dona da Flexjet (Uber dos jatinhos). A Eve, por sua vez, anunciou recentemente duas parcerias com encomendas de 250 eVTOL's no total (Veículos elétricos de pouso e decolagem vertical). A primeira entrega está prevista para 2026.

O interesse de investimento pela SPAC consolida e valida o modelo de negócio da Eve, além de ancorar uma avaliação de mercado sólida para a startup, podendo impulsionar mais as ações da Embraer no curto prazo.

Líder no mercado de jatos comerciais de voos de curta e média distância (majoritariamente domésticos), com mais de 20% de participação, a Embraer bate de frente com gigantes como a Airbus e a Boeing. Esta última, inclusive, iniciou movimento para adquirir a Embraer, mas as negociações não prosperaram devido ao início da pandemia.

Além de estar na vanguarda tecnológica na sua área de atuação, a Embraer mantém diversos desenvolvimentos de negócios inovadores, como o sistema de controle de tráfego aéreo próprio para eVTOL's, por exemplo. No cenário do mundo pós-pandemia, com apelo maior para voos domésticos e companhias aéreas em busca de economia e eficiência, a Embraer desponta com seus novos modelos da geração E2, desenvolvidos, em grande parte, com tecnologia própria.

Com encomendas e entregas em crescimento, o mercado agora olha a Embraer como um dos principais players do setor de aviação e de inovação na mobilidade urbana e transporte aéreo.

CCR: pedidos de reequilíbrio de contratos

Na última quarta-feira (9), o presidente da Associação Nacional das Empresas Administradoras de Aeroportos (ANEAA), Dyogo Oliveira, e os presidentes das concessionárias de aeroportos se reuniram com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para apresentar dados que mostram um recuo de 50% no movimento atual dos aeroportos, frente ao período pré-pandemia.

A estimativa de crescimento de receita para os próximos 20 anos também aponta recuo de cerca de 30%, causados tanto por fatores econômicos (20%) como menor Produto Interno Bruto (PIB), redução da renda per capita e maior desemprego, quanto por mudanças de hábitos (10%), com menor quantidade de viagens a trabalho.

Diante disso, as companhias querem renegociar seus contratos, com redução das taxas de outorga e alongamento do prazo das concessões.

Em consulta do Ministério da Infraestrutura à Advocacia-Geral da União (AGU), realizada no ano passado, o órgão já sinalizou que entende a pandemia como um caso especial, no qual as perdas deveriam ser compensadas pelo governo.

Oliveira informou que as discussões estão no início e as concessionárias ainda preparam os pedidos para entregar na Anac. Se houver acordo para aliviar as perdas, a expectativa é que as ações das concessionárias de aeroportos, caso da empresa de concessão de infraestrutura CCR (CCRO3), reajam positivamente.

Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo analista Felipe Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL