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Toda semana especialistas avaliam as carteiras de investimento recomendadas para seu perfil: conservador, moderado ou arrojado


Com tensão de ano eleitoral, veja 4 ações para ficar de olho em 2022

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Levante

24/11/2021 04h00

A temporada de balanços do terceiro trimestre da Bolsa de Valores brasileira apresentou lucros disparados com a reabertura econômica, mas também não atingiu a valorização esperada pelos investidores. Por que isso ocorreu? Quais os setores mais atingidos?

Estas e outras questões são tratadas por Felipe Bevilacqua, analista da Levante Ideias de Investimentos, em seu relatório desta semana com carteiras recomendadas para investidores. Veja, ainda, ações de quatro empresas que podem apresentar um bom desempenho para o início de 2022, de acordo com o analista.

Mineração e varejo despencam na Bolsa

Os resultados de bancos e da Petrobras (PETR4), que lucrou R$ 31,1 bilhões e reverteu o prejuízo de R$ 1,5 bilhão no mesmo período do ano anterior, foram os grandes destaques positivos da temporada de balanços do terceiro trimestre de 2021, que foi encerrada oficialmente em 16 de novembro.

Já o lucro da Vale (VALE3) recuou de R$ 40 bilhões para R$ 20,2 bilhões no período de julho a setembro, refletindo desempenhos mais fracos em empresas de mineração e siderurgia — prejudicadas pela queda do preço do minério de ferro.

Segundo Bevilacqua, os resultados do varejo também vieram abaixo do esperado pelos investidores, principalmente diante das divulgações de Magazine Luiza (MGLU3) quanto Via (VIIA3), dona das Casas Bahia e do Ponto, que têm caído nas últimas semanas.

Postura mais conservadora para driblar efeitos políticos

Até as empresas mais afetadas pela crise econômica, causada pela covid-19, têm buscado lucros similares à era antes da pandemia. Mas, para o analista da Levante, isso tem sido insuficiente.

"Os bons resultados das companhias acabaram ofuscados por ruídos políticos e pela piora das projeções para a economia brasileira em 2022, que fizeram com que os investidores adotassem uma postura mais cautelosa, o que derrubou o Ibovespa", diz o analista.

Há uma semana, a SPE (Secretaria de Política Econômica) do Ministério da Economia anunciou uma piora nas projeções oficiais ao PIB (Produto Interno Bruto) e à inflação, tanto para 2021 quanto para 2022. A estimativa é de que o PIB se encerre em 5,3% neste ano, frente a 5,1% estipulado anteriormente.

Ações para ficar de olho em 2022

Como consequência do conservadorismo adotado pelos investidores brasileiros, o Ibovespa tem operado em baixa. Porém, Felipe Bevilacqua afirma que quatro empresas, incluindo o segmento de varejo, têm boas perspectivas para investimentos em ações no próximo ano.

Isa Cteep (TRPL4)

A receita líquida da transmissora Isa Cteep (TRPL4) recuou 7,7% na comparação com o terceiro trimestre de 2020, refletindo um período mais contido para a companhia totalizado em R$ 758,4 milhões.

Já o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da empresa atingiu R$ 592,6 milhões, um desempenho 12,7% menor do que o reportado um ano antes.

Por outro lado, o anúncio de pagamento de R$ 348,8 milhões em dividendos intermediários (cerca de R$ 0,52 por ação) e R$ 514,5 milhões em juros sobre o capital próprio (JCP), o que equivale a aproximadamente R$ 0,78 por ação, trouxe certo otimismo ao mercado.

"Em novembro, os papéis da empresa recuaram, mas o recuo foi menor do que a queda do Ibovespa, indicando que as perspectivas para a companhia são positivas, apesar do cenário desafiador", afirma o analista.

Itaúsa (ITSA4)

A holding Itaúsa (ITSA4) obteve resultados sólidos no terceiro trimestre, impulsionados pelo bom desempenho do banco Itaú Unibanco (ITUB4).

O lucro líquido cresceu 32% na comparação com o mesmo período do ano passado, atingindo R$ 2,3 bilhões. O patrimônio líquido da Itaúsa também teve alta, fechando o período em R$ 62,6 bilhões.

"Os resultados mais fortes [da Itaúsa], entretanto, não empolgaram os investidores — consequentemente não se refletindo em alta do preço das ações", declara Bevilacqua.

A retomada das ações da Itaúsa depende da volta do pagamento de dividendos generosos pela holding. Isso, por sua vez, depende da retirada das restrições ao pagamento de proventos pelos bancos, o que têm impedido com que o Itaú (ITUB4, ITUB3) distribua a maior parte dos lucros aos acionistas.

Além disso, de acordo com Felipe, a Itaúsa segue na busca por diversificar seu portfólio de investimentos, com o intuito de se tornar menos dependente dos resultados do Itaú.

Raízen (RAIZ4)

A Raízen (RAIZ4) apresentou resultados animadores referentes ao segundo trimestre do ano-safra 2021/2022, equivalente ao terceiro trimestre deste ano.

A receita líquida da companhia totalizou R$ 48,9 bilhões no período de julho a setembro, o que indica uma alta de 59,4% na comparação anual. Além disso, o Ebitda da companhia somou R$ 3,2 bilhões, enquanto o lucro líquido atingiu R$ 1,07 bilhão, estabelecendo novos recordes.

Apesar do balanço forte, o "guidance", conjunto de projeções dos resultados futuros da empresa, veio mais fraco do que o esperado pelo mercado, segundo o analista. Com uma perspectiva de crescimento mais tímido e resultados mais contidos no curto prazo, as ações da companhia caíram, mesmo com o lucro bilionário reportado.

"Avalio que a reação do mercado ao 'guidance' mais contido é exagerada, uma vez que não houve alteração nos fundamentos da companhia, e a tendência é que a Raízen continue se beneficiando da alta dos preços do açúcar e do etanol. Além disso, a empresa deve continuar investindo na expansão de suas atividades por intermédio de aquisições e parcerias com outros nomes do setor", diz Bevilacqua.

Via (VIIA3)

A varejista Via (VIIA3), antes chamada de Via Varejo, apresentou resultados mais fracos do que o esperado no terceiro trimestre deste ano. Os principais destaques negativos são a retomada lenta do varejo físico e o aumento da provisão para processos trabalhistas que a empresa tem sofrido.

Apesar do avanço da vacinação contra o coronavírus, o volume bruto de mercadoria (GMV) das lojas físicas da Via recuou 14,3% no trimestre em comparação ao mesmo intervalo em 2020: de R$ 6,07 bilhões para R$ 5,21 bilhões. O indicador é responsável por medir o total de vendas durante determinado período.

O desempenho mais fraco das lojas físicas fez com que a receita líquida da companhia caísse 5,9% na comparação anual, totalizando R$ 7,35 bilhões. O lucro líquido ajustado da Via no período foi de R$ 101 milhões.

Além disso, o aumento do número de processos trabalhistas abertos contra a empresa forçou a varejista a montar uma provisão de R$ 2,5 bilhões para lidar com esses custos. O valor é mais do que o dobro do que a provisão de R$ 1,2 bilhão, observada em junho deste ano.

Por outro lado, as vendas digitais brutas da Via cresceram 34,7% na comparação anual, somando R$ 6,62 bilhões, enquanto o GMV de seu marketplace atingiu R$ 1,97 bilhão, uma alta de 132,8% em relação ao terceiro trimestre de 2020.

Para o analista da Levante, a Via é a empresa que, baseada em uma análise macroeconômica e dos fundamentos, está extremamente descontada. "Por isso, vejo um grande potencial de valorização. O preço baixo das ações, gera uma oportunidade de entrada", afirma.

Conclusão

"Analisando os resultados dessas empresas, concluo que o desempenho fraco das ações se deve mais aos ruídos políticos que contaminaram o mercado brasileiro e derrubaram o Ibovespa do que a problemas internos das companhias. Mesmo a Via, que apresentou um resultado abaixo do esperado, é uma empresa que, a meu ver, está muito barata e tem um grande potencial de valorização", declara Bevilacqua.

Segundo ele, "é visível que, mesmo diante de um cenário desafiador e instável, grande parte das empresas da Bolsa brasileira vêm se mostrando resilientes e conseguindo bons resultados, tendência que deve ser observada também em 2022".

Veja aqui o relatório completo preparado pelo analista sobre o cenário para 2022

Para quem ainda não pegou as recomendações de investimentos, elas estão a seguir:

- Carteira para quem não aceita risco algum

- Carteira para quem tem perfil mais conservador, mas aceita um pouquinho de risco

- Carteira para quem é mais moderado

- Carteira para quem aceita mais risco

- Carteira para quem aceita alto risco

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Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo analista Felipe Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.

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