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Após anulação das condenações de Lula, o que fazer com seus investimentos?

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Camila Mendonça

Do UOL, em São Paulo

08/03/2021 18h52

Com a anulação das condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no âmbito da operação Lava Jato, os investidores reagiram. A Bolsa, que já operava em queda, passou a cair ainda mais, fechando em -3,98%, e o dólar encerrou em alta de 1,67%, a R$ 5,778 na venda.

Com a anulação, Lula se torna elegível para a corrida presidencial de 2022. A decisão ainda precisa ser avaliada pelo plenário do STF, mas quem tem investimentos, seja na renda fixa ou na renda variável, já questiona o que fazer agora com as aplicações.

"Esse cenário é bastante complicado a partir de agora", afirma Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados. Ele diz acreditar que há uma sinalização de que o plenário do STF acompanhará a decisão de Fachin. Assim, Lula passaria a ser Ficha Limpa e poderia ser candidato no ano que vem.

"Vamos ter uma polarização entre esquerda e direita, entre Lula e Bolsonaro. Esse cenário também mata opções de centro democrático e vamos ter um cenário bastante complexo", avalia.

Para investimento, é um cenário muito provável de pressão de câmbio bastante intensa nesse período. A Bolsa tende a sofrer por conta disso, porque é um cenário de crescimento baixo para os próximos anos, se esse estresse se mantiver.
Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados

Para ele, a tensão deve continuar pelo menos neste ano e em 2022, com valorização do dólar, alta da taxa básica de juros, a Selic, e muita instabilidade na Bolsa no período.

Por que a Bolsa caiu?

O mercado está observando essa decisão como risco. Não é questão de julgamento de valor sobre o ex-presidente Lula. Mas sempre que há uma reviravolta muito grande, que gera incerteza, o mercado exige mais prêmio [juros]. Até porque a gente não sabe o que essa notícia vai desencadear na política e na economia.
Pedro Barbirato Rosa, diretor de produtos do banco digital Modalmais

O receio do mercado é de que o período eleitoral seja mais conturbado com uma possível candidatura de Lula, uma vez que se trata de um político de alinhamento à esquerda, cuja visão pode ser contrária a diversas pautas econômicas, como as reformas. Isso pode dificultar nossa trajetória fiscal, reduzir a confiança para investir a longo prazo no país e, por consequência, comprometer o crescimento econômico.
Paloma Brum, economista da Toro Investimentos

O que fazer com o seu dinheiro diante dessas pressões? O UOL Economia+ ouviu analistas que indicaram alguns caminhos.

O que o investidor pode fazer?

Diante de notícias como essa, a reação do mercado é de medo, afirma Felipe Bevilacqua, economista da casa de análises Levante Ideias de Investimento. "O medo vem do fato de o ex-presidente Lula ter recuperado os direitos políticos por uma decisão monocrática [tomada por um ministro, e não por um colegiado], o que aumentou o nível de incerteza dos investidores".

A decisão gera mais perguntas e incertezas. Agora, os processos do ex-presidente devem ser analisados pela Justiça Federal do Distrito Federal. Para o investidor, a melhor coisa a fazer é esperar e não tomar nenhuma decisão precipitada, seja em relação a ações, renda fixa ou no exterior. Não fazer nada é a melhor decisão. Nesses momentos de maior estresse do mercado, uma carteira bem planejada e estruturada faz toda diferença.
Felipe Bevilacqua, da Levante

Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos, acredita que as reações do mercado vão depender das ações do governo Bolsonaro diante da notícia.

"Quando a gente observa tudo o que foi desenhado, há um aumento das preocupações quanto às medidas que o país pode adotar daqui para frente, seja em relação a um candidato mais forte da oposição, que parece não estar mais observando com carinho algumas questões econômicas do país e, ao mesmo tempo, quanto às medidas que poderão ser feitas para conseguir angariar votos", avalia.

Quem tem investimentos em ações, dólar e renda fixa tem que ficar muito esperto com a evolução desse noticiário. Caso o caminho se desenhe para esse cenário que citei, podemos ver o dólar subindo ainda mais e a Bolsa mais pesada, com tendência negativa. O que sugiro é acompanhar o noticiário sabendo que, se o caminho que se desenha for esse, caso você tenha ações, o ideal é sempre ter algum tipo de proteção para a carteira, como ouro ou algum ativo ligado ao dólar.
Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos

Para Regis Chinchila, analista da Terra Investimentos, apesar da reação dos investidores hoje, nada muda no cenário para o ano.

Até o momento, não muda o cenário base para 2021, por isso acreditamos que o investidor não deve alterar a rota dos seus investimentos. A agenda para recuperação da economia continua centrada em vacinação em massa, reformas administrativa e tributária e privatizações. Especificamente para renda fixa, consideramos um aumento da Selic para a próxima reunião do Banco Central, de 0,5%, com projeção para o final de 2021 em 4% ao ano. Os principais riscos continuam sendo quadro fiscal, político e inflacionário.
Regis Chinchila, analista da Terra Investimentos

Leonardo Schmitt, chefe de renda variável da Ável Investimentos, diz que quem tem títulos prefixados ou híbridos (parte prefixada e parte pós-fixada) deve observar uma desvalorização nesses títulos caso deseje vendê-los antes do vencimento.

Vale lembrar que essa decisão não foi a ignição para esse comportamento do mercado. Ela veio para corroborar ainda mais uma leitura de que a Selic tende a ser elevada em breve. Para o investidor, segue valendo a máxima de que, ao levar o investimento até o fim, a taxa contratada inicialmente será paga. Sair nesse momento pode representar uma possível perda.
Leonardo Schmitt, chefe de renda variável da Ável Investimentos

Para quem tem investimentos em Bolsa, o analista concorda com os demais e afirma que o momento é de cautela.

Quando o investidor compra uma ação, oscilações em dias ou períodos específicos são totalmente esperadas e aleatórias. O momento ainda está incerto, por isso demanda bastante cautela. Porém, o investidor deve ficar tranquilo se comprou ação de empresa com base nos fundamentos. Momentos de choque ocorrem, mas é possível haver recuperação após o impacto inicial da notícia sobre os mercados.
Leonardo Schmitt, da Ável Investimentos

Quem tem investimento em dólar pode ganhar mais

Os investidores com aplicações em dólar podem se beneficiar desse cenário de incerteza, acredita Esteter, da Guide Investimentos.

Para quem tem investimentos em dólar, [o cenário] é uma maravilha. Agora é ficar atento para ver como esse desenrolar vai acabar pesando na Bolsa e nos ativos internacionais. Naturalmente, isso impacta no dólar, e seus ativos podem ficar mais atraentes. Também é uma oportunidade para você vender esses ativos e colocar um bom lucro no bolso.
Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos

Leonardo Schmitt, chefe de renda variável da Ável Investimentos, é mais cauteloso quando o assunto é dólar.

No fundamento, faz sentido ter investimentos ligados ao dólar na carteira, especialmente para contrabalancear os momentos mais severos no mercado. Mas não há como fazer uma ponderação sobre qual o melhor momento para entrar ou sair deste investimento, justamente por causa da extrema volatilidade do mercado de câmbio.
Leonardo Schmitt, chefe de renda variável da Ável Investimentos

UOL Economia+ fará evento para quem quer investir

Entre os dias 23 e 25 de março, o UOL Economia+ e a casa de análises Levante Ideias de Investimento realizarão evento online gratuito. O economista Felipe Bevilacqua, analista certificado e gestor especialista da Levante, comandará três grandes aulas para explicar ao leitor do UOL como assumir as rédeas do próprio dinheiro.

O evento é gratuito para todos os leitores UOL. Garanta o seu lugar no evento aqui.

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Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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