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Por que ações do Carrefour caíram hoje, se a empresa anunciou lucro maior?

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Camila Mendonça

Do UOL, em São Paulo

12/05/2021 15h47

O Carrefour Brasil apresentou na terça-feira (11), após o fechamento do mercado, um aumento de 4,7% no lucro líquido no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando R$ 420 milhões. As vendas cresceram 15,1% e somaram R$ 18,1 bilhões.

Mesmo diante dos números positivos, as ações do Carrefour fecharam em queda de 5,21% hoje. Se a empresa apresentou resultados positivos, por que os investidores não reagiram na mesma linha? Veja o que explicam analistas ouvidos pelo UOL.

Expectativa X realidade

Apesar dos bons resultados, a empresa frustrou as expectativas do mercado, segundo Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos.

O resultado veio abaixo do que o mercado tinha como consenso. Além disso, há um processo de reabertura que tende a beneficiar mais o segmento de 'atacarejo'. Claro que o próprio Atacadão [rede que pertence ao Carrefour] tem essa exposição, mas [a reabertura] acaba pegando mais as operações do Assaí [concorrente do Atacadão]. O resultado trouxe esse mau humor, levando em conta também que a empresa vinha de uma depreciação importante.
Henrique Esteter, da Guide Investimetos

Bruno Ozelame, sócio e estrategista de alocação da Ável Investimentos, afirma que o mercado não esperava bons resultados, mas o balanço veio pior que o imaginado. "É importante ter em mente que o mercado leva em conta as expectativas e antecipa movimentos. Mesmo quando sai um lucro positivo, [o mercado avalia se] ele é positivo em relação a que ou a quanto se esperava", afirma.

Para o analista, o crescimento apresentado é considerado um efeito não recorrente —ou seja, um efeito que dificilmente será sustentado nos próximos balanços.

É quase como dizer que é um lucro líquido fictício, porque não tem nenhum sinal de que ele vai continuar nesse ritmo --ou seja, foi uma excepcionalidade, não é um efeito que vai ser recorrente.
Bruno Ozelame, da Ável Investimentos

Concorrentes estão melhores

Outro motivo para a reação negativa do mercado é que, na comparação com os concorrentes, o Carrefour ainda está no fim da fila.

Olhando para o Atacadão, por exemplo, o resultado veio abaixo do Assaí, tanto em termos de receita como de margem. Olhando para o Carrefour, mesmo que ele tenha uma receita acima da do Pão de Açúcar, a margem veio abaixo.
Bruno Ozelame, da Ável Investimentos

O Carrefour apresentou um desempenho positivo quando anunciou a compra do Grupo Big --isso provocou um bom avanço na empresa. Mas depois ela foi recuando um pouco em relação ao restante do setor.
Rodrigo Moliterno, chefe de renda variável da Veedha Investimentos

Pressão externa também é fator da queda

Também afeta o Carrefour nesta quarta-feira (12) a pressão que a Bolsa está sentindo. O Ibovespa opera em queda de quase 2% ao longo de todo o dia, após o anúncio de que a inflação dos Estados Unidos ficou acima do esperado.

Em abril, a inflação no país acelerou a 0,8%, frente a março, acumulando 4,2% em 12 meses.

Moliterno diz acreditar que esse é o principal motivo da queda das ações do Carrefour e de outras empresas hoje.

Os resultados das supermercadistas têm sido positivos no primeiro trimestre. Apesar do cenário micro já mostrar que a empresa está em um momento de virada, o cenário macro está mais pesado por causa da inflação dos EUA, que aumenta a aversão ao risco [saída de investidores de mercados considerados mais arriscados, como o brasileiro]. O dia hoje está atípico. Se o resultado [do Carrefour] tivesse saído ontem, talvez a reação do papel tivesse sido diferente.
Rodrigo Moliterno, da Veedha Investimentos

Via de regra, quando isso acontece [a inflação nos EUA acelera], os ativos de risco tendem a se corrigir [cair], e os investidores buscam uma forma de proteção. O que está acontecendo hoje com as ações do Carrefour, e com a Bolsa em geral, é efeito totalmente externo.
Romero Oliveira, chefe de renda variável da Valor Investimentos

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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